domingo, 26 de dezembro de 2010

"Entre o amor e a Amizade" e entre o fim da amizade.

Não tenho o costume de escrever a respeito dos livros que li. Vira e mexe falo algo a respeito, cito uma frase daqui e outra dali e fica por isso mesmo. Baseio meus comentários pelas rápidas opiniões que tive a respeito do livro. "Muito bom!" e outras breves palavras que esclarecem minha opinião. 
Hoje vou falar do livro Entre o Amor e a Amizade, da escritora @BiancaBriones.
Pra falar a verdade, descobri essa escritora há alguns meses e comecei fuçando ocultamente em seu blog, pois sempre gostei da forma com a qual ela conduzia as palavras para descrever sentimentos. Tem vários textos legais aí, recomendo. 
Agora voltando ao livro...Vou falar spoiler do livro e de minha vida, então a não ser que você esteja interessado em ler o livro e conhecer parte de minha vida, não aconselho que você continue a ler esta resenha. Essa história me deu um choque regenerativo que me fez lembrar de coisas que aconteceram comigo. 
Vou resumir tudo: Rafa e Vivi são dois amigos... Ele perdeu a família em um acidente e ela perdeu o pai não lembro como (rs). E um começou a ajudar o outro a se reerguer encontrando em si mesmo o próprio caminho pra continuar a vida sem se lamentar pelas perdas do passado... E aí que um se apaixona pelo outro e eles passam a história inteira negando esse amor que em determinado ponto se torna inegável. A ideia da escritora foi muito boa e acredito que ela conseguiu suavemente colocar no papel uma história que acontece na vida de todos nós. 
Confesso que em milhões de vezes eu quis entrar na história e dar uns murros na cara do Rafa, pois a menina se rasteja literalmente em seus pés e ele continuava negando a si mesmo que o sentimento que eles mantinham era apenas amizade. Eu classificaria a atitude dele como fraca e insensível, pois indiretamente ele acabaria a perdendo... Li tudo em dois dias, levei bronca do meu chefe e lendo no ônibus quase perdi o ponto que descia aqui em casa de tão concentrado na leitura que eu estava. rs 
Algumas vezes senti que um personagem sabia demais do outro, como se a conexão de irmãos significasse muito mais do que a linhagem sanguinea. A escritora soube introduzir cuidadosamente pontos que indiretamente acrescentaram sentido e esclareceram a história em sua velocidade. O humor me fez rir e um dos fatos que mais me chamou atenção foi o uso de algo que atualmente faz parte de qualquer pessoa: MSN. É uma pena que tenhamos trocado 50% do contato visual por conta do virtual e que muitas vezes o mais perto que chegamos de um consolo é um sorriso na webcam, mas é o que acontece. Bianca foi audaciosa e inovadora em colocar isso como alicerce em uma história deste nível sem ter o medo de fazê-la perder o nível por isso. Foi corajosa inclusive em colocar um personagem que escrevia palavras de uma forma errada propositalmente. De fato, não perdeu: mudou o foco e o nível da história e provavelmente deixou muitos leitores perdidos em relação ao que a partir daí aconteceria. Me emocionei bastante... Um jogo de músicas estrategicamente posicionadas foram citadas no livro, mas vou confessar que uma das músicas que mais ouvi no Ipod não estava nas citações da escritora. Foi uma música que uma amiga me passou há pouco tempo atrás e que até agora estou viciado: La Rocca - Non Believer. Terei que pedir perdão a escritora por não lembrar do livro quando ouvir as músicas que ela citou... Mas esta foi a que de fato marcou. rs
É ótimo ver que em um mundo onde o "créu" e o "funk" dominam a maior classe das pessoas que não gostam de ler, existem pessoas que ainda sabem escrever graciosamente e com um charme Jane Austen que é tão difícil de encontrar. 
Espero que a escritra pense em uma continuação, porque olha... Até o fim da história, o romance deles era fora de série: coisas da imaginação mesmo. E aí que e eu adoraria ver como o romance dos dois perduraria diante dos problemas da vida. Fiquei com gostinho de quero mais, recomendo a todos essa leitura rara e suave. 
_
Tive uma amizade que podia ser comparada com a de Rafa e Vivi mas que, por covardia minha e por medos que hoje não fazem diferença, consegui me tornar o vilão dessa história. Apaixonei-me por alguém que eu podia julgar "um dos melhores amigos" e em pouco tempo, este melhor amigo descobriu pela boca de outras pessoas que eu gostava dele. Neguei, com medo de perdê-lo. E no fim das contas acabei me ferrando do mesmo jeito, pois demos um ponto final na amizade com uma conversa no msn que não teve fim feliz pra ele nem pra mim, pois segundo as palavras dele, eu poderia parar muito bem em um manicômio porque precisava me tratar. 
Trouxa eu não sou, sabe... Sei que rolava aquele sentimento recíproco, mas éramos duas pessoas fracas que tinham medo de assumir esse sentimento e ouvir julgamentos de pessoas do lado de fora que não tinham nada a ver com isso. Falo pelos dois, ele pode até negar mas é verdade.
Cheguei a escrever coisas inacreditáveis e que até hoje não o mostrei... Fiz com que ele se tornasse uma imagem inacreditável de minha mente e um sonho que eu não poderia alcançar, e de fato foi o que eu fiz com que acontecesse. Nós dois nos ferramos e hoje vivo com o sentimento do mínimo arrependimento por algo que deixei de fazer. Este livro só me fez ter certeza que, quando você vive algum sentimento que em sua cabeça é incrível, você deve vivê-lo sem esperar que o tempo ou as circunstâncias dêem um jeito de deixá-lo impotente.
Isso te mata aos poucos e você acaba nem percebendo que isso acontece...


Bom, essa é minha dica! Adorei mesmo este livro, e adorei que ele tenha arrumado nós soltos presos em minha consciência. Espero que traga para alguém a paz que ele me trouxe. ;)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

2010

E essa vontade que me bate de fazer uma retrospectiva do que vivi e uma perspectiva do que quero viver?
Percebi há pouco que não tenho estribeiras quando vou me referir aos amigos que fizeram parte de preciosos dias que se decorreram em meu ano, e certamente não me importarei de elogiá-los quando eles me impressionarem ainda mais nos próximos dias a serem vividos.
E m inha família, que acabou se tornando única? Que soube onde evoluir, crescer, aceitar e amar. E que dá algum jeito obsoleto e absoluto de enfrentar meus problemas no escuro, com medo de encarar meus demônios me olhando no fundo dos olhos.
Todos ficamos tão adultos, tão distantes e independentes que sinto um pouquinho da dor ao lembrar quando chegava em casa contando que tirei 10 em português. Isso fazia com que meus pais tomassem o assunto como pauta da semana. Meus irmãos, em contra partida, me parabenizavam com ovos na cara, chantagem emocional e uma inveja estampada nos olhos de criança inocente.
Mas aí que o ano passa, né? E temos que deixar alguma marca para nos lembrar do ano que se passou. Só que eu não gosto de fotos! Veja bem, sou vaidoso... Se saio com um nariz grande, queixo quadrado ou o cabelo satanizado provavelmente destruo todos os registros fotográficos e eternizo a foto apenas na lixeira.
E com a lixeira cheia de fotos e arquivos temporários, acabo me esquecendo de jogar nos meus documentos momentos que dizem mais do que cara feia ou bunda peluda.
E os momentos... se vão.
Com foto, sem foto, com família ou sem. Com o "amo você" precarizado no papel queimado que nunca foi entregue ao destinatário ou com o destinatário implicando que o ama sem necessariamente ter que se queimar pra isso. 
Os momentos se vão, e não voltam.
Não é necessário que você viva um ano pra perceber que sua vida tem que mudar, a ignorância mora nos detalhes e nos paradigmas que você coloca na vida sem se dar conta disso.
Não conto minha retrospectiva, ela fica na minha mente guardada com todo o carinho que tenho.
Minhas perspectivas ainda são vazias. No entanto, são infladas de desejo e esperanças. Não valem à pena serem divulgadas sem eu ter certeza do que quero.
E meu ponto final na história? Na verdade, não o faço presente neste texto. Ano novo pra mim não é apenas tempo de me prometer novos desafios, é tempo de reconquistar minha própria dignidade perdida nas promessas anteriores que indignamente deixei de construir por preguiça ou cobiça.


sábado, 18 de setembro de 2010

de vez em quando eu não gosto do que eu escrevo e aí fica uma merda.

Quando eu gosto do que escrevo sempre acabo comentando, mas como não gostei vou deixar aí até ir passando e passar dos dez posts da página inicial e passar pra segunda página que vai passar pra terceira e passar pra quarta e passar e passar e quando passar vou ver que ninguém teve curiosidade de ler e aí vai passar mais ainda e eu não vou gostar, mas vou pelo menos fingir que não vou ligar por ter passado.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A mensagem


Sinto-me privado. De quem eu sou nos dias úteis, de quem quero ser nas noites úteis e de com quem quero estar nos fins de semana. Privado de coisas normais que fariam qualquer pessoa normal se sentir normal e menos convencional.

Tive hoje o exemplo perfeito. Enquanto trabalhava acessei o twitter. Ninguém mais se espanta comigo porque eles nem têm mais tempo de se espantar: eu parei de esconder. Não escancarei nada, apenas deixei a porta encostada por muito tempo... Agora abriram e querem que eu feche. Bom, fuçaram lá. No twitter. E na porta encostada. E o background sugestivo da “lady gaga” trouxe pensamentos que viraram sugestões que viraram comentários que viraram maldades que viraram perguntas que viraram respostas que viraram espanto.
Não me importei com a cara de assombro nem com o fato de aceitarem ou não a “verdade”. E nisso eu falo de verdade mesmo! A única hora que senti mal foi quando eu percebi que eles queriam que eu desse a resposta errada pra pergunta certa, como se no fundo mentir fosse a verdade.
 E a verdade fosse mentira.

Observei – novamente! – que existem pessoas que não são instruídas, que vão continuar procurando pelo em ovo e que não vão saber entender uma vida sem antes julgá-la. Esse texto é o conjunto de palavras clichê de qualquer pessoa que passa pela mesma situação que eu e ainda não se acostumou com ela.

Falo em nome dos que passam o mesmo que eu quando digo que quero nada. Que não quero exigir compreensão, respeito nem transparência de ninguém. O nada é suficiente.
Esses dias eu estava andando na rua e alguns “moleques” – uso esse termo porque honestamente não sei qual outra palavra posso aplicar aqui – me xingaram. Olha, eu não tenho uma melancia na cabeça, não está escrito bobo na minha testa, não como bosta e esqueço de limpar a cara, não assalto (risos), não ando sem roupas, não ouço funk no volume mais alto do celular, não mato, não tenho cabelo ruim, não gosto do Fiuk tampouco sou fã de Restart.

Se perguntarem o que eu vejo, eu respondo: não vejo nada porque a franja tampa. Então por quê, meu Deus, sou tão cagado se nem ao menos tenho a chance de encarar a pessoa que caga em mim? Não acho resposta nenhuma e se eu paro pra pensar nos motivos de tamanha falta de educação, só vejo dois motivos para as pessoas mexerem tanto comigo:
1) Sou uma pessoa linda;
2) Sou um dragão.

Bom, onde eu quero chegar? Na verdade eu não tenho lugar nenhum para chegar. Em meu trabalho, hoje fizeram uma piadinha um pouco distante de mim. E eu era a piada. E sorriram para mim como se estivessem me cumprimentando a distância e me senti péssimo, sabe por quê? 
Porque eu não sabia responder esta pergunta. Eu não sabia se eu estava ruim porque eu era a piada ou porque eu estava sendo excluído da piada. Eu fiquei com medo de sofrer algum tipo de represália por não saber lidar com esta situação. No trabalho, relaxei com dois meses. Experimente se trancar em uma sala com três pessoas que reprovam suas atitudes. Ou você fica louco, ou você cede ou você fica meio louco novamente. Enquadrei-me nos três casos por dois meses gostosos e tortuosos. Hoje, devo ter criado algum quarto caso. Ainda não sei. E não devo querer saber. E não faz diferença, só acho válido dizer que onde tem problemas, tem algum jeito de se resolver...

Você que tem mau humor, que é irônico, que passa por falta (ou excesso) constante de bebida, que tem problemas e arranja soluções, que tira fotos, que é visionário, que sai pela rua sozinho de madrugada, que marca cabeleireiro sem saber o que fazer quando chegar lá, que tem vícios, que vai para baladas, que beija, transa, fere o ânus, faz amigos – e inimigos – e tem defeitos e cansou de sentir prazer pelo sexo não-tão-oposto-assim. 

Você que fala mal dos outros.
Você que fede de vez em quando. Você.
Que é você. 

Respeite-se um pouco mais, ok? Não é demais pedir... E se não quiser respeitar, simplesmente não faça nada. 
E se "não fazer nada" for muita coisa pra pedir, posso te pedir apenas para clicar aqui?


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sonho


Eu não sabia se estava feliz ou triste. Era um sonho, mas isto não impediu que meu estado de espírito se mostrasse presente.
Acho que na verdade eu estava surpreso. Eu não esperava arregalar meus olhos e encontrar aquela pessoa parada em minha frente, sorrindo como se o meu mundo tivesse voltado ao seu redor. Não, seria muita indelicadeza. Esses cabelos loiros e espetados que esvoaçavam para fora de meus sonhos, mas ao mesmo tempo conseguiam ficar impregnados em minha mente, condiziam com seu sorriso incontestável e a barba por fazer que, de tanto eu reclamar para que ele as raspasse – na tentativa vã – acabou criando algum tipo de charme que, com o tempo, se tornou característica quase indispensável em seu corpo.
Ele sorriu e perguntou "tudo bem?" e tudo mudou. Eu não estava mais em casa. Pisquei os olhos e acordei no meio de uma balada na paulista.
Não entendi nada, mas por algum motivo aquilo foi totalmente o que eu precisava. O som de fundo tocava e eu desconhecia as batidas do remix, mas conhecia a voz máscula da Cher que abafava meus ouvidos e limpava aquela sujeira sonora.
 Eu respondi que estava muito bem também - obrigado! - e por estar praticamente abduzido por aquela imagem linda em minha frente, esqueci de fazer a pergunta de volta, o que causou algum tipo de arrependimento depois e deixou meio vaga a ideia de que eu não queria puxar papo.
Eu não sei o que ele pensava em meus sonhos, mas eu só sei que eu não queria que ele me acordasse. Queria que nossas ideias batessem desta vez e que seus olhos azuis - ou verdes? - olhassem para os meus da mesma forma que eu cheguei a olhar para os dele. Em meus sonhos, as correntes da ligação eram ligadas apenas por mim. Eu consegui sustentar o olhar. 
O olhar foi retribuído e, apenas nestes segundos ínfimos e íntimos de dor que não tinha motivo pra existir, me senti mais próximo dele como eu nunca havia sentido em toda a minha vida. Comparei esta dor como se nossos corpos sempre tivessem se tocado, desde quando eu senti pela primeira vez seus nervos através do braço quase-musculoso até a  veia crescente de prazer em sua testa, com seu rosto suando como uma baba após eu ter proferido que o amava deitado em seu peito seminu.
Quando a Cher estava no ápice de sua voz ela foi interrompida por uma sanfona que indicava a mudança de música. Novamente me perdi em batidas incongruentes que eu não sabia entender. Voltei a escutar a música – Janis Joplin, por sinal – e desta vez, ao reconhecer o som, as batidas começaram a se tornar mais audíveis.
O sorriso do meliante em questão se expandia a cada passo em vão que eu dava e, imaginando como eu faria se o mesmo não estivesse ali, não me dei conta de que estava chorando até ele me abraçar e sussurrar em meu ouvido que aquelas batidas que eu ouvia – as batidas que eu confundi inicialmente e com o tempo acabei me acostumando, as batidas das minhas músicas preferidas – eram as batidas de seu coração ao me encontrar e ver em meu sorriso a resposta daquilo que ele veio em meu sonho procurar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Vou contar pra vocês que

Ultimamente querem muito - mas muito! - que eu fique meio felipe.
Essa frase já é uma sentença completa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tequila diz que

em uma tarde cinzenta, quem vira cinzas é você.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Do que fazer

Geralmente na segunda eu paro um pouco para pensar na vida e no que vai fazer para mudá-la no decorrer da semana. Quase nunca mudo, mas mesmo assim não deixo de pensar.
Hoje, entretanto, foi diferente. Parei de pensar sobre o que eu tenho que fazer para a vida e comecei a pensar sobre o que a vida tem para mim. É uma opinião egoísta e nem um pouco lúcida, confesso, mas foi o que pensei.
Meus pensamentos mudaram em uma transição que eu não pude acompanhar, minha mente viajou no meio de uma noite no sábado de uma forma que eu não estava acostumado a ter e, sem me preocupar com absolutamente nada, deixei que essas mudanças acompanhassem o meu próprio ritmo - lento, preocupado e esperançoso.
Eu não vou descrever nada que aconteceu porque isso não interessa a ninguém - nem mesmo a mim - mas eu posso adiantar que foi o suficiente para dar um "click" em minha cabeça. Talvez por não ter nada o que dizer esse texto fique incoerente e sem sentido algum, mas na realidade nada do que escrevi teve algum dia qualquer coisa que possa ser reconhecida.
Quando descrevo sentimentos, é porque não entendo os sentimentos... E a mensagem que passo é essa: de ilusão e confusão, nada mais e nada menos do que realmente sinto.
Minha falta do que fazer baseia-se nesse assunto que não sei do que se trata.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

die and let live.

Fico louco toda vez que vejo o quanto me identifico com todas as passagens da minha vida. Essa semana, decidi há tempos atrás, eu tentaria fazer a diferença.
Em um dia específico daquele fim de semana - de todos os sete dias que eu teria chance - era o dia que julguei mais adequado para definir mudanças em minha vida.
Longe de apresentações, meu nome é Felipe. Falo meu nome porque acho mais fácil estabelecer uma conexão com a história. Com um sujeito identificado, você certamente saberá que o que acontece na história acontece com ele. Sem medo algum de sofrer alterações no decorrer dos fatos.
Um prazer a todos aqueles que gostam de nomes em contos mal-feitos.
Era cedo, ainda. Acho que eram oito horas da manhã, não tenho certeza do horário que o relógio mostrava. Eu ainda sentia sono e a preguiça de levantar me dominava, mas eu não podia me deter por isto. Era fim de semana, de qualquer forma. Eu poderia levantar na hora que eu costumava dormir que não faria diferença nenhuma, mas naquele dia eu tinha compromisso. "Hoje à noite", pensei, "preciso fazer uma visita surpresa."
Levantei da cama, tomei um banho, vesti uma de minhas roupas que me dão uma aparência natural e caminhei em direção ao shopping já com a ideia na cabeça.
"O cubo é mágico ", devo ter pensado. Algo me dava a entender que aquela noite era necessária. Eu precisava mesmo me assumir, segurar um sentimento destes é quase que assumir suicídio. Errado quem diz que o amor quando é grande não pode ser descrito. Para este tipo de pessoa, o máximo que pode acontecer é conviver com o sentimento escondido.
Nunca fui este tipo de pessoa e, sinceramente? Já me arrependi de não ter sido.
Me ferrei por ter amado. Já me apaixonei por pessoas que valiam e que não valiam serem amadas. Não me arrependi de nenhuma delas, muito embora hoje se eu pudesse escolher, selecionaria tudo com muito mais praticidade.
Hoje amo uma pessoa que é tão diferente das anteriores que chego a fugir do clichê da humanidade. Prometi aperfeiçoar meu jogo do amor, porque desta vez ele tinha que dar certo.
Comprei um cubo mágico que, se dependesse de mim, faria a magia fluir. Entregá-lo-ia ao garoto que amo com a seguinte frase impressa: "O dia que você conseguir montar este cubo será o dia em que deixarei de te amar."
Não sou burro, é claro. Obviamente pensei nesta brincadeira muito premeditadamente, uma vez que ele não teria a capacidade mental e física de resolver um cubo mágico. Ninguém teria. E a atendente da loja riu enquanto me entregava o presente não mais embrulhado em minhas mãos. Antes que eu pudesse sair do shopping, o cubo já estava completamente bagunçado e eu honestamente me orgulhei de tê-lo deixado naquele estado. Tentei por alguns minutos entrar na brincadeira e arrumá-lo novamente, mas meu esforço foi em vão. Cinco minutos desperdiçados, eu acho. Não tenho paciência para aquilo também.
A sorte é que o brinquedo era apenas simbólico. Se eu recebesse algo desse estilo da pessoa que amo e com a frase que eu proferiria, eu certamente destruiria o cubo para anular as já nulas chances de resolver todo o mistério.
Iria querer que a pessoa me amasse para sempre.
Já com a brincadeira feita, parti sem medo nenhum para a surpresa. Me assumi anteriormente para grandes amores, é fato, mas este tinha algum mistério. Não demorei para chegar até sua faculdade e deparar com seu rosto simbólico e o sorriso emburrado na portaria.
Ele era tudo o que eu nunca imaginei que teria. Nem ao menos tentei disfaçar toda a surpresa em meus olhos. Pelo contrário; eu queria que ele a visse. Hoje eu queria ser notado. Sem que ele me visse, cheguei perto com uma confiança incrível em meu olhar.
Ela se desfez quando ele me encarou.
Seu olhar era inexpressivo. Sem vida e sem dor. Ele não mostrou nenhuma expressão quando me viu e isto me deixou um pouco constrangido. Não tão constrangido a ponto de desistir de minha declaração, é claro. Desistir daquilo parecia impossível na altura do campeonato.
Dei um abraço que eu não soube controlar, e o retorno foi simplesmente suave. Ele me abraçou educadamente com seus braços e senti seus ossos em minha volta.
Por um mínimo instante, eu quis viver aquele momento pelo resto de minha vida. Era egoísta, eu sabia. Mas não me importava. Sorri sem querer.
Ele era tão alto quanto eu, o que me deu a primária sensação de igualdade.
Sua boca tinha formato de maçã. Seus olhos eram profundos e tristes. Tristes o suficiente para me deixar  com vontade de consolá-lo o tempo necessário. Eu queria que seu contorno se tornasse menos perigoso e mais ofensivo. Ele era magro. Alto, magro e branco. Seu cabelo era estranho, confesso. Eu não sabia para que lado estava jogado e a franja por cima de seus olhos não auxiliou minha pesquisa em absolutamente nada. Ele tinha mãos grandes e finas, muito parecidas com aquelas dos ETs que você acha nos filmes, sabe? De alguma forma extremamente cautelosa, achei aquilo espetacular. Tudo o que eu sabia fazer era admirá-lo. Ele era lindo.
E através de todos estes sentimentos, despejei nele tudo o que eu planejei despejar o dia inteiro. Escolhi todas as palavras cuidadosamente e, por um pequeno momento, vi seus olhos se arregalarem diante de tudo aquilo que ele nunca deveria ter imaginado. Ele sempre me surpreendia, mesmo sem dizer absolutamente nada.
Fui estudado por um minuto que mais parecia uma eternindade e seus lapsos e tiques de surpresa me deixaram mais tenso ainda. Eu não sabia o que ele pensava e, pior do que isso, eu não sabia se queria saber o que ele pensava. A insegurança me atingiu e tremi.
A resposta veio baixa, mas pela surpresa de tê-la ouvido parecia mais como se eu tivesse ouvido um grito: "amo você". Essas foram suas primeiras palavras que, para mim, eram as únicas que eu queria ouvir. Meu tremor não passou com estas palavras. Pelo contrário, ele se intensificou. Subiu a um nível que eu já não me impressionava mais em presenciar e minha primeira reação instintiva foi beijá-lo.
Ele puxou meu beijo para um abraço, desviando de si todas as chances de me ter. Naquela vez, porém, percebi que seu abraço tinha algum significado. Foi carinhoso - quase fraterno - e fiquei com medo. Ainda em choque, me surpreendi quando ele abriu a boca para conversar. Ele tinha muitos assuntos. Parecia que aquelas palavras que proferi eram a chave necessária para fazer com que ele se abrisse. Fiquei sabendo de histórias que não me interessavam e que não acrescentariam em absolutamente nada em minha formação, mas mesmo assim assenti, na tentativa de agradá-lo. Sua alma enfadonha era muito infantil. Me senti próximo e conectado.
O fato dele ter me olhado dos pés a cabeça me deixou corado, mas eu gostei. Fui notado pela primeira vez e, logo após deste ocorrido, ele se aproximou e senti sua respiração mais próxima de mim.
Meu coração bateu tão forte que provavelmente rasgou meu peito. Seguro de que esta era minha chance, tomei-o em meus braços. Eu não o daria a chance de escapar e este não era um bom momento para bater papo.
Acho que nós dois percebemos isto. Beijei-o como eu já havia beijado outros amores antes. Sempre com o mesmo fogo, a mesma ardência e a mesma respiração palpitante. Ele percebeu, mas não se afastou. Havia algo nele que o fazia querer estar perto de mim, e não era simplesmente o fato dele ter gostado ou não do meu beijo.
Eu soube como utilizar essa porcentagem em meu favor e me aproximei mais ainda, prensando-o contra a parede. Meu beijo desta vez foi mais tenso, mais violento. Ele pegou em minha cintura com uma mão e no meu pescoço com a outra. Me senti tonto com sua mão gelada e, por isso, ele provavelmente deve ter notado que meus pêlos se eriçaram. Eu o beijava loucamente e, quando ele me abraçou contra seu corpo, não pude comprimir minha excitação.
Isto me envergonhou, mas ele não pareceu se importar. Não senti o mesmo da parte dele e, embora eu não estivesse esperando um sexo casual na frente da faculdade, não gostei. Ele largou minha boca por instantes e, como um selvagem, partiu em direção a meu pescoço. Sua pouca barba no rosto me deixou alarmado e, em poucos segundos, percebi que meu pescoço havia sido o alvo o tempo todo. Não entendi o que estava acontecendo, mas voltei para o beijo.
Seu beijo era cálido, suave e doce. Ele estava com uma goma de mascar na boca e - pode parecer nojento - quando terminamos de beijar, o doce era todo meu. Ele largou minha cintura e tirou os braços de meu pescoço. Suas mãos estavam soltas e aquilo me incomodou.
Ele nem ao menos estava se importando em fazer com que eu me sentisse bem, enquanto eu estava apavorado, agarrado e concentrado somente nele naquele momento.
Dominei-o de todas as formas que eu o podia. Seu corpo virou uma luva em mim; caiu da forma que eu quis.
Não soube muito bem se sua intenção era ser tomado por mim, mas eu estava agitado demais para pensar naquilo. No ato de desespero, soltei um "amo você".
Mais uma vez.
"Também amo você", a resposta veio como um jato. Sorri incrivelmente, agora notando o quanto meu coração ainda podia palpitar.
"Então me beija", sussurei.
Vendo-o deslocar-se de mim, soltei-o, ainda sem saber o que estava acontecendo. Seu sorriso era magnífico e resplandecia em mim toda uma vida inteira que eu nunca soube onde encontrar. Aquilo me emocionou.
Como se eu estivesse esperando por uma resposta, ele simplesmente fez um carinho soberbo em meu ombro e afastou-se, sorrindo para mim.
Fiz tudo errado, e enquanto eu gritava mentalmente "me perdoa!", sofri por não tê-lo comigo ali.
De repente eu estava de volta em meu mundo sozinho, vendo meu alvo-impossível se afastar com um cubo misterioso em uma das mãos, a mochila novamente pendurada em suas costas, a goma em minha boca como o término de uma vida e sua franja balançando contra o vento que, sem piedade nenhuma, espalhava as lágrimas que se alastravam em meu rosto.
_

Não comi por alguns dias. Eu não sabia o que havia de errado, mas eu não estava disposto a desistir de minhas descobertas. Ele já sabia o quanto eu o amava e, sem perceber, dias depois notei que minha vida estava cem por cento conectada com a dele. Era doentio. Eu o via e não o beijava. Apenas o via, como se fosse uma visão divina que merecesse cuidado o tempo todo. 
Optei por fazê-lo sentir minha falta, embora eu tivesse desistido deste plano até o fim da semana. Quando você sofre por amor e quer punir a pessoa amada que te humilha, um dia de 24 horas parece meses. Em três dias desisti. Voltei a usar o msn e todos os meios não-visíveis para fazê-lo se aproximar de mim. Sempre frio.
Eu nunca mais havia dito que o amava e eu já estava começando a perder a vontade de dizê-lo.
No fim de semana seguinte - que parecia anos depois - resolvi vê-lo novamente e redescobrir minhas vontades. Mandei uma mensagem, ainda sem jeito: "Estou saindo daqui e morrendo de saudades de você. Te encontro em quinze minutos."
Não havíamos combinado sobre o fim de semana. Eu precisava tomar uma atitude. Peguei minha carteira, o celular e saí porta afora. O celular vibrou em minha mão e, contente com o susto e com o nome exposto no meu visor, abri a mensagem sem nem ao menos pensar em seu conteúdo.
"Pode vir. E te abraço enquando digo o quanto te amo."
Meu mundo voltou a fazer sentido. Lembrei de seu sorriso torto em minha frente dizendo coisas que eu não acreditava, de sua voz decidida me apontando o caminho certo, de seu carisma escondido em algum lugar que eu nunca consegui decifrar, de seus defeitos, de sua frigidez, de sua falta de atitude e de todos os seus defeitos que me davam a convicção de que aquele sofrimento ilusório era, sem sombra de dúvidas, o meu lugar.
Pensei em responder a mensagem, mas interrompi a ideia antes de terminar a mini edição. Preferi guardar minhas lágrimas para quando o visse pessoalmente.

domingo, 15 de agosto de 2010

live and let die.

Hoje eu vou inventar alguma ficção e introduzí-la em algum episódio decorrente de minha vida.
Para isto, preciso de um pseudônimo que não quero que tenha nome. O nome é uma fraqueza, é algo que desqualifica a dor generalizada e joga ela com toda a força em cima de alguém que não tem alicerces suficientes para aguentar. Eu não tenho, de qualquer forma.

No sábado, acordei ouvindo uma das músicas violentas dos Sex Pistols e quis levantar da cama gritando. Me olhei no espelho e vi a cara espantada de alguém que dormiu a noite inteira com a perna em cima da cabeça. Isso me fez rir.
Fui para a cozinha que - confesso, não é tão longe do meu quarto - e comecei a preparar minha refeição matinal. Na verdade, não era matinal e sim vespertina. Meu hábito de acordar depois do almoço nos fins de semana não é algo que muda e tampouco algo que quero mudar.
Dormindo posso sonhar. Acordado, não.
E pensei nos meus amores platônicos. Pensei que de todos estes clichês, eu gosto mesmo é de pensar em coisas que eu não posso ter.
Semana passada descobri que tenho um admirador não mais secreto. Ele foi estranho, disse que me amava através de um presente que eu nunca imaginaria que eu fosse ganhar. Ele disse "eu amo você" me entregando um cubo mágico, dizendo que o dia que eu descobrisse a combinação perfeita seria o dia que ele deixaria de me amar.
Felizmente - ou infelizmente, não sei - sou muito burro e pouco curioso pra ficar mexendo e tentando entender aquele brinquedo. Ele uniu a seriedade e o humor em uma coisa só. E eu ri.
E ele me amaria para sempre, deduzi.
Eu não soube o que responder de imediato e, enquanto ele me olhava com aqueles olhos misteriosos esticados como um elástico de aço, eu soube entender que eu não o amava. Minha segunda personalidade assumiu a forma. Ele era algo que eu podia ter. Era perfeito e voltei a pensar nas coisas que eu não poderia obter. Perdi o tesão sem conseguir pedir perdão, mas mesmo assim soltei um cálido "amo você". Ele era diferente, era alguém e algo que valia a pena insistir.
Ele veio para cima de mim mas não o beijei, o que foi longe de mim. Inventei desculpas e assuntos que fugiram de toda a nossa consciência. Vi seu rosto atordoado e não senti remorço. Eu tinha assuntos ainda para tratar. Quando não tivéssemos mais do que conversar, eu talvez - somente talvez - poderia pensar em beijá-lo. E isso não era algo que merecesse entrar em mérito.
Falei do dia em que eu deveria ter ido me alistar e não fui. Ele riu e jogou em minha cara que agora eu teria que esperar até o ano que vem para poder fazer de novo. Falei de coisas inúteis que infelizmente me deu a intenção de proximidade. Falei do quanto gosto de doces. Citei aventuras abrindo sacos de açúcar pra enfiar a cara lá dentro e sugar com o nariz aquele aroma incrível que diversas vezes me fez respirar grãos involuntários. Enlouqueci de tanto espirrar. Ele se interessou por todas as histórias, com o sorriso sempre estampado e a boca aparentemente sempre pronta para beijar.
Sua beleza não era algo que eu tinha notado até aquela hora. Ele se vestia como uma pessoa se veste corriqueiramente. Camiseta, calça jeans e um tênis sujo de saibro. Seu cabelo estava bagunçado, mas dava para ver que estava liso por causa da chapinha que a irmã dele provavelmente teria comprado. Seu perfume era natural. Na verdade, eu não senti cheiro algum. Nem cheiro bom, nem cheiro ruim. E isso incrivelmente me assustou.
Por um momento, me excitei com a ideia. Eu teria que me aproximar para descobrir, e ele era fácil demais para isto! Ele me amava. Quando alguém te ama loucamente em qualquer início de relacionamento, você pode fazer absolutamente tudo com esta pessoa e - mesmo que ela não goste - ela vai aceitar, porque precisa e sente a necessidade de te agradar. Em meu caso, até iludir seria fácil e eu já o tinha feito antes.
Se eu falei "amo você" sem relutar e sem pensar nas conseqüencias uma vez, o que me impediria de fazer o mesmo novamente? Esta era minha arma secreta caso nada desse certo.
Cheguei perto, na tentativa sucessiva de descobrir seu cheiro que tanto me excitava de longe. Ele não entendeu minhas ideias, é claro. Nem citei o fato.
Mas entendi o que ele quis e, antes que eu pudesse ter pensado em qualquer tipo de atitude, fui tomado. Não senti absolutamente nada, mas eu deixei. Nossas línguas se misturaram e não tive que me esforçar para deixá-lo a vontade com isto. Ele ficou sozinho e, segundos depois, já o via se aproximando de mim colando seu corpo junto ao meu. Estávamos na frente da faculdade e não me importei com os olhares curiosos e homofóbicos do mundo externo. Naquela hora e naquele momento aquilo era tudo o que eu vivia. Eu só queria saber como era seu cheiro e, enquanto o beijava, descobria sentidos que me interessavam. Com uma mão, apertei sua cintura com uma força equilibrada e com a outra agarrei seu pescoço com a intenção já formada de torcê-lo alguns centímetros para a direita - como um vampiro faria para pegar sua presa - e descobrir seu cheiro ali mesmo. Ele deixou e senti seus pelos eriçados e sua excitação crescente por baixo das calças. Não me importei, nem ao menos senti o mesmo. Era apenas algo curioso e que achei interessante mencionar.
Fui como uma presa selvagem em direção a seu pescoço e - pasme, eu quis rir! - quando descobri que ele não tinha absolutamente nenhum cheiro. Aquilo me decepcionou, muito embora eu já o tivesse instigado o suficiente para que ele não me deixasse escapar tão facilmente. Sem que eu tivesse notado, percebi que seus braços me prenderam em um abraço perigoso, onde eu estava praticamente prensado contra a parede de mãos atadas, pernas presas, boca laçada e olhos somente pregados em sua louca visão em minha frente.
Senti uma dó que não coube em meu peito. Ele soube que eu não me interessava por ele e de algum modo ele percebeu que todo meu planejamento nada mais era do que um jogo para tirar alguma informação que, depois de tirada, me faria perder toda a graça.
Ele percebeu minha frigidez que não fiz questão de esconder e tentou me excitar, em uma tentativa vã. Eu parecia um boneco em suas mãos, sem me importar sinceramente com o que aconteceria comigo. Eu via sua paixão calorosa a seu modo explodindo por fora de sua mente - e de seu corpo - e eu não conseguia sentir absolutamente nada. Eu não quis mostrar que estava apaixonado ou algo do tipo, afinal eu não estava nem um pouco interessado em amá-lo tampouco fodê-lo. Ele era uma pessoa suficientemente interessante a ponto de ser poupada de sofrer minhas ilusões.
"Eu amo você", ele me repetiu no ouvido, provavelmente desesperado para que eu voltasse a agarrá-lo com a firmeza anterior agregada com algum tipo de interesse.
"Também amo você", retruquei quase imediatamente como que com a força do hábito.
"Então me beija", e foi a última coisa que eu precisava ouvir antes de empurrá-lo gentilmente de seu próprio abraço. Algo me fez ter compaixão ali e, de alguma forma, o mundo dele se entrelaçou com o meu. Antes que eu pudesse sorrir novamente e enganar minha própria verdade, dei as costas para ele e saí andando, deixando-o incrédulo, sem entender e sem tempo nem ao menos de perceber que estava chorando como eu nunca havia visto antes.
_
Completei a semana que se passou com um conjunto de ligações, emails, twitts, mensagens no celular, recados no orkut e facebook que honestamente não faziam a mínima diferença para mim. Eu o fiz, mesmo assim. Queria que ele me amasse sem eu ter que fazer o mínimo de esforço. E era fácil, pelo menos para mim. Não precisei beijá-lo novamente, mas eu nunca entendi o quanto eu o magoava por isso.
Não tive dificuldades em ser eu mesmo.
Ser eu mesmo consistia em manter a frigidez e não fazer absolutamente nada. Nunca foi tão fácil. Peguei o cubo mágico, ainda com a certeza de que eu nunca conseguiria montar o cubo. Não me enganei. Lembrando das palavras do admirador, fui capaz de desistir nos primeiros cinco minutos sem nem ao menos colocar uma cor ao lado da outra. Eu não era capaz de finalizá-lo, portanto meu admirador não era capaz de terminar de me amar. Na sexta de noite, fui dormir pensando nisto. Coloquei o cubo em cima da estante da sala e não liguei em deixá-lo lá para todos verem meu amor exposto. Ninguém perguntou nada porque ninguém entendeu nada.
Acordei no sábado, já dito logo no começo do texto, com tudo feito. Sex Pistols gritou em meu ouvido e por mais uma vez não me impressionei por saber cantar a letra inteirinha de sua música mais famosa.
Dei alguns passos e cheguei na cozinha. Peguei o cereal, o leite e o açúcar com o gosto já sem graça de tanto degustado e joguei tudo em uma mesma travessa sem cuidado nenhum, pois eu já sabia que todos os três ingredientes teriam que se tornar apenas um em meu organismo para depois serem expelidos com mais facilidade ainda. Pra quê me impressionar, então, se no final tudo sairia por um buraco multifuncional?
Peguei o cubo mágico e esperei por algo que ainda não sabia ao certo. Depois de terminar o filme que passava em um canal de filmes antigos, recebi uma mensagem do admirador secreto. "Estou saindo daqui e morrendo de saudades de você. Te encontro em quinze minutos."
Ok, então. Pode vir e fazer o que quiser. Não liguei pela roupa rasgada que eu utilizava como pijama e pelo cabelo bagunçado que eu usava. Nem ao menos me importei se eu estava ou não com bafo. Só queria que ele regojizasse de todas as formas o amor que eu não podia dar, contentando-se unicamente com a ilusão que caía bem entre nós dois.
Respondi a mensagem, ainda sem saber direito que mentira viria em minha mente: "Pode vir. E te abraço enquando digo o quanto te amo."

domingo, 8 de agosto de 2010

Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira de uma HK.

Vou escrever com as características que me compõem na maior parte de minhas escrituras.
Desgraça, nojo e escárnio.
Hoje, só sei do meu ontem. Tenho falta de sabedoria no que diz respeito a mim, embora eu sinta coisas que eu não consiga aceitar.
Ontem só pude me compor por cima de figuras amistosas que sabiam o que queriam, enquanto eu perdurava - ou me pendurava? - na dúvida de saber se o que eu queria era certo ou errado e, instigado por esta própria dúvida, perdi toda a excitação de ficar uma noite com alguém que eu não conhecia.
Pra falar a verdade, me senti com vergonha de revelar irrelevâncias. Mordi minha mandíbula externa com toda a força que eu tive, procurando em mim lágrimas que – provavelmente sem motivos – deveriam sair do meu olho escorrendo toda uma tristeza falsa que eu queria transpassar, a qual faria com que os olhos amigos se tornassem para mim com cara de preocupação e sorrisos confortadores.
Eu consegui. Venci uma batalha sem sentido. E fiquei triste por não conseguir arranjar um motivo pra sentir ódio. Voltei para todos, sem nenhum motivo ruim aparente e com motivos suficientemente plausíveis para ficar feliz. E fiquei contente por ter tido uma oportunidade dessas no meio de tanta discórdia. Agarrei, ainda receoso de que a oportunidade de encontrar felicidade fosse fácil demais pra estar presente.
Conduzi todos os passos da noite, encontrando nela pessoas famosas e jornalistas que, mesmo sabendo que eram famosos, eu apenas quis dizer que gostava de seu quadro para socializar, nunca deixando de lado os cursos históricos que outrora quase cursei. Uma alta de cabelos ondulados e batom vermelho-sangue destacou-se pela noite, deixando sua sofisticada aparência, sua lata de cerveja gelada e seu sorriso supérfluo – mas sincero – contaminar o ar.
O inimigo do meu lado direito registrava os momentos da noite, clicando muitas fotos e deixando piscadelas e sorrisos que contradiziam sua vida e sua personalidade.
Aquele que lá me encontrou, com cortes sugestivos no cabelo e com peças emprestadas que completavam a vida brega que vivia, se sentiu bem. Foi induzido a se afastar por diversas vezes para completar sua insignificância bebendo drinques que não se diziam respeito e que fugiam de sua condição psicológica. Este membro, ainda em questão, foi o responsável por causar desconforto e confusão em minha cabeça em uma das saídas mais fluentes que dei em toda a minha vida.
O outro, sempre ao meu lado, era o mais próximo de interessante que eu poderia ter encontrado. Nada de sobejo, mas era alguém que sabia me agradar sem ter que fazer muito. Participou de loucuras que não interessa a quem vai ler, beijando o próprio foda-se para ver se conseguiria ser feliz. Corajoso, eu diria.
E os estranhos... Ah, sim. Sempre tem que ter estranhos para a história ter mais ênfase. E para papo com estranhos, a melhor forma de se obter resultados é pedindo isqueiro ou cigarro na área de fumantes que – sem desdenhar ambas as partes do clube – era a parte que mais tinha motivação e movimento.
Um movimento em branco e uma clareada nos dentes com bafo foram o que foi necessário para nos desfazer do membro que me constrangia, fazendo com que o mesmo se introduzisse planos duvidosos que até agora não consegui acreditar.
Mão no bolso.
E acabou o cigarro.
Mas que pena, pra quem teremos de pedir? Antes que eu pudesse olhar para o lado, eu já tinha a resposta. Ela estava clareada em minha direita, aguardando a oportunidade perfeita para falar comigo. Um sorriso se esbanjou.
Fui até lá, já sabendo que nenhum de nós dois queria mais o cigarro. O papo foi tão simples quanto eu poderia imaginar e, aonde as quatro mãos puderam se encontrar, calafrios – de frio por causa do tempo, não pela excitação (dica) – invadiram meu corpo, fazendo com que minha mentira se tornasse realidade. Mão no pescoço, na cintura e as outras duas que restaram abraçadas no peito faziam ritmos em um beijo que não deveria ter tido fim. E teve, sem trocas de telefone, sem um nome para se memorar, sem idéias de como proceder e sem continuidade. Foi apenas o que foi, uma classificação de línguas que se entrelaçaram e conjugaram verbos sem ter que necessariamente falar para fazer.
Foi uma noite com recordações, memórias falsas e um sonho que me fez acordar no meio da noite com lágrimas nos olhos, o corpo flutuando por um susto e o coração palpitando por algo que doía tanto, mas tanto, que deixei de entender.

domingo, 1 de agosto de 2010

porcentagem das fontes


Eu ainda não consigo acreditar o quanto a vida pode ser perfeita. Sou estranho, eu sei. Falo melhor da desgraça porque ela sempre cai melhor nos contextos. Ela é sempre quem chama a atenção do usuário-leitor e ultimamente é isso o que eu deveria precisar. Sei qual é minha 'desgraça', embora no fundo ela seja uma graça e não algo que eu vá comentar. Não agora.
Quero desabafar sobre as coisas boas que acontecem comigo e que sobreponho elas com coisas ruins, botando dramas e drinks por cima de tudo aquilo que já está bom do jeito que está.
Meu trabalho, meus amigos e minha vida estão em uma harmonia intacta. A balança está equilibrada, embora ainda tenda cair para qualquer lado a qualquer hora. Não me importo, porque estou bem. Elogios que caíram como uma luva fizeram 10% de minha noite, saudades que não tropeçaram nas coincidências fizeram mais 10%, atraso de anos para tudo o que nunca deveria ter tido atraso complementam em mais, deixa-me ver, 20%.
10% para os olhos brilhantes de felicidade.
E para nossa amizade, a porcentagem do teor alcoólico contido no brinde fodástico ao drinque de cravo e canela que complementaram nossa noite pela primeira – de muitas – vezes.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

yang

Tenho medo do que minha mente pensa... Me assusto, pra falar a verdade. Odeio ter que espetar e alfinetar alguém. Muitas vezes nem o faço - fisicamente - mas de alguma forma, minha mente pensa essas besteiras e no fim das contas acabo querendo me deturpar por ter compartilhado esse desejo sem nexo com minha cabeça ou com o papel e teclado onde escrevo. As cores verdadeiras não me aparecem.
A falta de algo pra faltar me incomoda. Me deixa pálido, tenso. A sobra da comodação me mostra até onde não tenho que ir ou se, no último caso, eu for para algum lugar a partir da falta de informação, vou saber que lá não preciso voltar.
Para deixar claro, falar de desgraças aumenta minha estima porque essa é uma coisa que sei fazer muito
É hora de gritar!
"".
É um grito oco por trás de meu ouvido que insiste em não reconhecer minha voz. Meu gelo. Meu Frio. Vazio.
Repito: vazio.
Uma sensação de perdição, como se eu sentisse dores articulares quando não tenho articulações suficientes pra tanto incômodo. É uma descrição excruciante e excitante, que faz meu peito estufar e palpitar de alegria, desabafo, desaforo, desapego, dor, amor e exclusão.
Nesse frenese, um aquarela é pintado. Cores e sentenças filosóficas e algébricas que, condecoradas e misturadas com algo que não acredito que eu vá algum dia entender, provam que existir é fatal. Desamedronta - se é que esse verbo existe -e fica feliz com o pôr do sol imaginário, mesmo que isso, nesse caso, seja inútil e indiferente para mim.
bem.

domingo, 11 de julho de 2010

Classifique sua semana.

Se você olhar para o relógio, o que você vai encontrar? É provável que tope quartos de horas e minutos quebrados que nem vai perceber que estão passando. Segundos que correm dos seus olhos.
O tédio é escasso, é esnobe, ineficaz e muitas vezes altruísta.
Você entediado provavelmente não vai conseguir sair por aí dando um jeito de acabar com seu tédio, mas com certeza se você souber bem onde procurar pode acabar espalhando-o para todos.
O tédio me tira o assunto. Não me dá muitas alternativas sobre o que pensar, sobre o que falar, sobre o que escrever e nem pra onde fugir. É uma arma que percebi que me limita onde quer que eu esteja e, mesmo que escrevendo em terceira pessoa pra passar a culpa para algum personagem que eu não quis criar, esse sentimento de culpa não vai sair de mim. Não vou conseguir extorquir do meu corpo algo que sempre esteve lá – adormecido ou despertado, como queira - e que quer aparecer para dar o ar da graça somente quando quero que ele não apareça.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

entender

Essa semana parei para ler alguns textos que escrevi quando estava ‘apaixonado’. Sabe, era estranho. Eu me sentia como se eu fosse a pessoa mais sortuda do mundo e que eu tinha encontrado o amor da minha vida. Meu, faz pouco tempo! São meses, eu me lembro ainda do estado que eu estava quando eu podia chegar aos olhos da pessoa – que por sinal, hoje vejo que não fez nada pra merecer o sentimento que eu tinha – e dizer a ela o que eu sentia. Eu provavelmente diria “te amo” sem pestanejar se fosse necessário e ela pedisse.
Um minuto de silêncio.

Li todas – ou acho que todas - as minhas cartinhas de “eu te amo, mas tenho medo de dizer” e todo o resto. Lembrei da parte do caderno que separei só pra escrever dos meus sentimentos. Cheguei a me sentir como se eu estivesse me iludindo.
Sim, eu me iludi. Eram criações da minha mente, não era a realidade. Era o que eu acho que – veja bem, hoje eu acho – que eu queria que fosse real.

Eu era estranho. Irritava-me facilmente, sentia ciúmes involuntários por coisas banais e não sabia controlar minha simpatia.

Eu era ruim, eu amava e queria ser amado. Eu estava sendo egoísta, eu queria o amor de graça sem dar nada em troca.
Não me arrependo, se eu voltasse ao tempo talvez eu fizesse tudo de novo – só que desta vez, eu não me esforçaria para mostrar quem eu sou.
Alguém que não me passa confiança de que teremos um bom futuro não pode ser considerada uma pessoa que mereça meu sentimento e minha atenção pessoal.
E embora essa mensagem não queira passar absolutamente nada, eu quis passar. Quis compartilhar que hoje vejo tudo de um ângulo diferente, que me tratei e que hoje entendo e me entendo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Morte

"Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos,
parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada,estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena,
mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro:
a morte por si só, é uma piada pronta.
A morte é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER...
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...
Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...
Perdoe...
Sempre!!"

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Entre a polêmica e a hipocrisia

por mais que tudo esteja bem, me conheço o suficiente pra saber do que me falta. 
e não vou mais permitir que isso fique faltando em mim. 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

mais voce.


As jornadas pokemon de uma vida são muito tensas, não são? Principalmente quando você se vicia nelas.
Áh, o vício. Meu, que delícia.
E são esses vícios (não tão absurdos) que fazem você cometer gafes absurdas e querer fazer a brimks da ana maria braga e se esconder embaixo da mesa (acorda menina kk n-)
Enfim, quem é criança sabe. Cavaleiros do Zodíaco é muito gostosinho. E me viciei!

O final é interessante, eles adoram falar de armaduras de bronze e de ouro. Então tem uma fase que eles ficam contando vantagens porque são um bando de frescos boiolas. E eu, ungido na minha agilidade e inteligência, segui a sabedoria destes meliantes e comecei a falar em línguas utilizando as expressões bronzinianas e ouríticas.
Não obstante, fui ao restaurante Habib's pois fiquei vontade de me alimentar naquele local. 
Atendente: - alo vose!1 qqpemça em adiquirir paar uma linda janta? 
Minha linda mente viajou em todas as constelações, passando de andrômeda até as outras constelaçõe esfirrytchycas.
Eu: - alo vose cumékivay?-n . quero 8 esfihas de bronze e 10 de ouro. 
***pausa sagrada***
Atendente com cara de ânus defecado: - qqdiçy?
Eu: - rs rs foi uma brimks, apenas quis testar sua credibilidade. vose é uma boa funcionaria, agora me dê 8 esfihas de carne e 10 de queijo.
Atendente:

terça-feira, 27 de abril de 2010

drama de terça-feira

Acho que eu estou começando a conquistar espaços que antes eu percebia que não tinha. Quando a vida - e pessoas que estão nela! - percebem que não tem muito o que fazer para te privarem dos seus maiores desejos, elas botam na cara um "Tá bom, vai!" e vão lidando com isso.
O que eles não sabem é que a primeira vez que eles fazem isso, tudo se quebra pra sempre. Todas as manifestações ocultas de que jamais se renderiam se rendem e mostram que você, seu desejo e sua vontade são maiores do que todo aquele drama. 
Toda a sua confusão* se esvai.
E a lógica começa a dominar o que estava oculto aí dentro.


*confusão não depende de estado de espírito, e sim da informação.

segunda-feira, 22 de março de 2010

polemize-me

Não, eu não nego que eu seja magrelo... Isso até me favorece em algumas ocasiões.
Neste post especial faço minha primeira transformação.

Antes: Desalizado, desatualizado, desungido, negro e perdido nas drogas. Magrelo satânico.
Foto antiga:


Depois: Com a vida progredida, salvo por cristo, ungido, abençoado, branco como nuvens e somente alimentado por vegetais. Tomo chá de erva-cidreira com bolachinhas de maizena. Magrelo bíblico e musculoso.
Foto atual:

Fiquei uma graça.
Adeus.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Humanos me assustam... Um dia disserão que não o quê? Não, não importa. Como posso odiar tanto pobres analfabetos?
Adicione e XINGUE! thiago20show@hotmail.com

quarta-feira, 17 de março de 2010

Os quatro grandes motivos

Esta é a minha vez de fazer o manifesto. Monstrinho de tudo o que eu quero e de tudo o que eu não quero fazer. Pensar em algo que talvez valha a pena talvez possa ajudar, mas o motivo por traz de tudo é óbvio pra mim. É unir o útil ao agradável, é como concluir um quebra-cabeças usando peças que o impeça de ficar pronto e, mesmo todo desconcertado e cheio de defeitos, ainda ficar feliz porque de alguma forma alcançou o objetivo. Quatro motivos para me marcar com uma marca monstruosa.

1) Little Monster significa "monstrinho". Não nego que seja uma homenagem pra gaga, uma vez que eu amo ela louca e inconsequentemente. Se alguém perguntar se ela é o motivo, eu vou dizer que ela é parte dele.

2) Tenho monstros na vida e essa tatuagem vai servir como um alicerce. Tenho monstros que tenho que enfrentar pra sempre, como por exemplo o fato de eu ser gay. Isso não é monstruoso, mas monstruoso é o fato de que tenho que lutar contra o monstro que vive fora do armário, contra o mundo e muitas vezes vou ter que lutar contra minha própria família e talvez contra eu mesmo.

3) Na verdade, não tenho só monstros na vida. Acho que isso faz de mim um monstro, um monstro que nem eu mesmo entendo como funciona. Um monstro que muda de ideias como a noite muda pro dia, um monstro que aprende a pensar de acordo com as pancadas que leva e que, principalmente, não tem medo de admitir que é um monstro perante o mundo monstruoso que vive.

4) Sou um um monstro por não saber entender as idealizações da vida, um monstro por ter preconceitos, um monstro por ter conceitos, por pensar, sentir e sorrir. Um monstro que não tem como controlar sua própria hostilidade, que não pressiona sua hospitalidade e, pior ainda - ou melhor, dependendo dos olhos - um monstro revoltado por não ter a capacidade de entender o próprio destino. Prefiro ser eu contra o mundo do que eu contra eu mesmo.

Me motivo sim ao que me segura e ao que me apoia, mas me apego muito mais fácil a aquilo que me corrói.
Se convenci, não posso dar a certeza.
Se ainda vão continuar achando que estou tendo atitudes precipitadas cabeças vão rolar, visto que essa é uma das primeiras vezes na vida que tive de fato certeza do que estou falando. Eu quero me marcar pra mostrar que eu posso ser feliz vivendo a vida que eu vivo, que posso viver a vida amaldiçoado pelos meus próprios monstros e que posso, além de tudo, superar todas as dores do parto com o corpo marcado por algo que eu sempre quis ter.

terça-feira, 16 de março de 2010

#história 3: Depende de como você vê.

Não sei se foi o melhor ou se foi o pior, mas definitivamente foi alguma coisa... Fins de semana tem este nome para indicar sua própria característica. Por ser fim, deve ser comemorado de alguma forma. É fim mesmo, não vai voltar atrás.
Esse fim de semana eu sangrei. Resumidamente, contei ovelhas brincando de pega-pega no meio do proibido e, pra acrescentar, o exu ainda baixou no corpo de alguém e fez uma brincadeira satânica, aproveitando o cigarro queimadinho pra queimar na mão da outra louca.
As crianças correram pela rua com uma bandeira colorida pendurada nas costas.
Orgulho de ser gay.
No trem, a atenção foi totalmente delas. Eram fatos: adoleta com 20 marmanjos deitados no chão em frente a todos. Um papel nomeado "Eliza" que todos tiveram que beijar, uma vez que a própria Eliza não estava lá. Era um bate cabelo descompassado, eram roupas que não combinavam e era um óculos escuro estilosissimo que, aos olhos - literalmente - de quem o tinha, ele sabia muito bem como perder o valor.
Era barraco com um idoso porque ele esbarrou sem querer, era ofender uma senhora e xingá-la de "filha da puta" porque no trem ela sentou no lugar da Eliza, era brigar com um mágico babacão porque ele não tinha experiência nenhuma e, o pior de tudo, era tentar fazer com que eu participasse de todo esse evento medíocre sem abrir minha boca pra mandar todo mundo se foder.

domingo, 7 de março de 2010

Pra perceber

olha só, achei um antigo texto meu.
Adorei reler e ver que expressei exatamente o que eu queria.

"Eu não sei mais se devo tentar entender certos comportamentos. Talvez eles nem tenham que ser compreendidos, talvez sejam simplesmente relapsos incoerentes da minha mente.
A cada vez que eu me juro que estou perto de alcançar a liberdade por dentro de uma mente que me foi trancafiada, um grito de desconfiança me surge de algum lugar e me faz perguntar: " O que é isso? Pra quê isso? Vai ter fim? Teve um fim? Me explica?"
E perguntas... Que eu acho que não quero saber a resposta. São simplesmente palpites, mas a cada dia que me encontro eu me vejo mais perdido do tão próximo de são que eu deveria estar. Ah, eu acho que não sei mais o que eu quero. Eu estou perdido, estou indeciso. Não sei de mais nada e muito embora eu ainda sinta algo forte a respeito de uma pessoa, todo o triunfo de ir falar com ela me sumiu. Evaporou, gozou para algum lugar que eu não quero descobrir. Se essa pessoa sente minha falta, essa falta é improvável; aliás, realmente devo ter algum tipo de mestrado em coisas improváveis. Confusão é algo que não consigo mais entender, a festa que deveria ter minha presença vai ser engraçada de tanta combustão.
Minha mente passa por um turbilhão de informações, ela quer que os dedos admitam algo que ela sabe que não é real e implora para que eu não somente sinta o gosto de chocolate amargo em todas essas situações ridículas e sim, que de algum jeito eu seja um pouco pollyanna e tente tirar uma coisa positiva de todo esse eclipse que me dá ânsia de vômito e me faz querer gritar e implorar pelo carinho de alguém que eu sei que não vou ter."

sábado, 6 de março de 2010

Decepção também é reflexão

porque meu pai sim é um homem de classe, pois ele sabe se decepcionar com os filhos por motivos plausíveis.

1) um deles é vagabundo.
2) a filha dele fez progressiva e gastou 300 reais no cabelo enquanto há pessoas passando fome.
3) o outro filho é biba.




Reflita.

terça-feira, 2 de março de 2010

formspring.me

Venderia seu corpo cmg p ir ao show da nossa diva praticamente no palco fazer uma loucura e agarrar ela?

é CLAAAAAAAAAAAAAAAAAAARO que eu faria isso!

Fique à vontade.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Amigos servem pra te abrir os olhos

Você é a a única exceção.


"Mais uma vez, pensa bem, olha bem o seu potencial,pensa que você é novo, e dinheiro não é tudo, pensa que quando agnte faaz o que ama, tudo fica melhor! Vc sempre quis fazer uam coisa, a vida te levou sempre pro lado oposto! Mais vc foi feliz?? Vc gostou?Ou preferia estar escrevendo,fazendo coisas que vc de fato gosta e que lhe proporcionam prazer..?? Você tem um dom meu, vc escreve bem,
*vc consegue transmitir o que vc sente com as palavras, com o texto.. vc tem uma sensibilidade incrivel..
*Mais isso só florece cada vez mais se vc colocar seu potencial em jogo entende, a vida é cheia de riscos...concordo com vc, pq sei que muitas vzs pensei em nao fazero que eu gostava e fazer uma coisa que me daria um retorno mais rápido
*mais não adianta sabe pq?
*Pq eu nao iria ficar bem comigo mesma, a vida é um desafio né, e quer um desafio maior que mostrar pro mundo que vc pode fazer o que gosta, e batalhar e ser bem sucedido
*Ngm precisa fazero que ta moda, mesmo por que o que ta na moda cansa, o que ta na moda lota de gente muita gente fazendo, e ai acaba faltando pessoas que fazem coisas pq gosta com potencial..Nos dedicamos muito mais naquilo que gostamos e, sendo assim, as chances de conseguir sao maiores."

decisão

Os planos mudaram, mas os sonhos não. E eu quero me convencer de que isso é verdade, quero que os próximos dias me 'iluminem' e, principalmente, quero que caia minha ficha e que eu perceba que essa minha decisão repentina vai mudar a minha vida.
Explicando:

Eu sempre tive empatia com o que todos falavam pra mim fazer, relacionado à informática. Sempre, sempre! Talvez nem seja tanto uma empatia e sim uma condição que eu mesmo botei na minha cabeça. Sei dos meus sonhos e o quanto isso vai interferir neles, mas acho que no final vai valer de alguma coisa eu ter tomado uma decisão que vai me custar tempo e vai me render dinheiro, mesmo que tenha passado por cima dos meus planos. Quero registrar para mim mesmo que sei muito bem o que eu amo nessa vida, mas vejo que é um hobby registrar todas as minhas opiniões em algo que não está tão concreto e fixo ainda. Meus sonhos, mais especificamente falando, estão fixos como nunca.
Longe deles sinto a vontade de chegar perto e de passar a mão por onde outrora vão esvair lágrimas dos meus olhos. Quero sentir o orgulho que eu sempre quis sentir e quero que sintam o orgulho na mesma intensidade que eu sinto.
Eu vou sim fazer o que eu amo, mas vou fazer isso depois do que o necessário for feito.
Minha vida é diferente, eu sou diferente e, para alcançar certos objetivos, é preciso que você se foque exatamente no contrário dele.
Ele vem, com calma, em sua direção. Basta você segurá-lo forte em suas mãos e ter a convicção de que você quer que ele viva dentro de você, pois mesmo que meus sonhos não tenham sido alcançados, eu sei que só vou conseguir chegar no fim deles se eles passarem a viver dentro de mim e não somente nas palavras que profiro.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

vírgula

ponto e vírgula em minhas ideias e um traço de borracha naquelas insignificantes.
inspiração.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Escárnio

Sexta-feira tive uma linda noite, com direito a - quase - tudo o que se pode ter direito. Tenho meus limites e me orgulho disso. Essa semana, em contra-partida, fiquei meio doente. Dor de garganta, febre interna, gripe e etc. E parece que não vou mais aguentar, parece que tenho uma faca no meio da garganta que me corta toda vez que abro a boca pra falar qualquer coisa e consigo sentir a dor até o meu ouvido.
Enfim, peguei nojo. Peguei nojo das pessoas. De homens, idosos, gestantes. Aflorou aquele espírito conservador.
Deve ter algum tipo de relação com algo (?)
Minhas noites de sono mais parecem torturas do que descanso, acordo soado de meia em meia hora sempre me lembrando das mesmas cenas e da mesma história que aconteceu em um seriado que graças a Deus consegui esquecer. Eu sinto como se todas as vontades que eu tive tivessem escorrido para um ralo, sinto como se eu tivesse perdido a vontade de ter contato íntimo com tudo e todos que eu queria.
Ânsia de vômito, drogas, remédios, bebidas quentes, água, banho quente, ânsia de vômito mais uma vez e febres internas atacando herpes externas.
Acaba logo, nojo meu.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O golpe do Affair

O sexo na primeira vez quer significar que você está pronto pra... Dar?
Talvez seja assim, mas eu tenho pensado diferente. Com 18 anos, sou menino e sou virgem. Não acho nem de longe que chegou a minha hora de fazer, embora eu ainda não tenha feito porque eu não quis - vale ressaltar.
Tem gente que nem vai ler, mas tem gente que não deve e vai ler também. Tive uma chance ontem.
Sabe quando bate em você os famosos cinco minutos "Quero foder"? Você se vira, remexe, contorce, abre as pernas, fecha as pernas, sai a caça e encontra o pretendente? Então, foi assim. E foi fácil, devo dizer. E é por isso mesmo que quero fazer esse post como um esculacho. A pessoa, graças a Deus, vai ler.
Então aí vai a ideia... Você "ocasionalmente" sai à procura de uma pessoa pra ter meia hora de alegria no paraíso. A pessoa é simpática e mostra até que está se apaixonando por você.
Você pensa "Oi?" e continua iludindo a pessoa, afinal ninguém sabe que aquilo é você quem está causando. A pessoa vira e fala "Vamos marcar?" e você pensa "Meus cinco minutos de quero foder já passaram, então vou dar o golpe: vou marcar e vou faltar! Adoro!"

Dou risadas de golpista e marco. "Quarta-feira, às 19hs. Te vejo lá."

Adoro meu senso de humor, não é mesmo? Então me fingi de ofendido. Marquei pra sair e não fui...
Ao refletir por mais alguns minutos, qual foi a minha surpresa ao descobrir que a pessoa também não havia ido? Às 19h20 recebo uma mensagem: "Amor, não posso ir! Tive problemas, me perdoa!"
Pensei: "E se eu tivesse ido? Devo me vingar e fazê-lo achar que está errado."
Respondi a mensagem: "Sou trouxa mesmo..."
-

No celular. Horas depois o affair me liga.
Affair: ME DESCULPA, tive um super imprevisto e não deu pra eu ir. Eu já estava pronto e saindo.
Eu: Acha que meu cú é luxo?
Affair: Já pedi desculpa, já até me expliquei.
Eu: Áh, sim... E é MUITO válido você mandar uma mensagem às 19h20 falando que não pode ir no encontro as 19hs, não é mesmo? Achou que eu ia chegar lá que horas? Meia noite? Acha que tenho cara de trouxa, que tenho cara de prostituta que fica esperando o pinto chegar? Não. Não sou assim. E você perdeu.
Affair: Não! Desculpa meesmo, eu não queria ter feito isso... Tive um problema aqui com minha mãe.
Eu: Sério? Teve um problema com sua mãe? Eu tive um problema com VOCÊ! E isso eu não quero nem estou disposto a resolver. Você PERDEU.
Affair: Meeu, eu estou muito arrependido de ter furado. Foi a pior burrada que já fiz, você é legal e bonito e tem bom papo, não faz isso comigo... Me dá mais uma chance, juro que vou te recompensar!
Eu: Aham, claudia. Senta lá.
Affair: O que devo fazer pra você me desculpar?
Eu: Some.
Affair: Não! Por favor, vamos amanhã... Juro que não vou ter problema nenhum.
Eu: ... E o pior é que eu me interessei por você.
Affair: Então vamos. Por favor? Última chance.
Eu: ... Tá.
Affair: Mesmo lugar, mesma hora?
Eu: ... Tá.
Affair: Te espero lá, então. Entra no msn pra conversarmos! Beijos amor.
Eu: ... Tá.
(desliga o telefone)


_
Tenho cara de quem leva desaforo? Ora se levo! Eu ia dar o golpe no affair uma vez, fazendo ele aparecer sozinho. Quase foi eu quem apareci. Ok? Agora ele vai ficar me esperando até meia noite. Vou mandar mensagem escrito "estou indo" quando for meia hora depois e finjo que dou a volta e volto pra casa falando que, sei lá, eu tive um problema com minha mãe.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Criativa

Acho que ultimamente tenho me dado melhor escrevendo frases pequenas e de impacto do que textos gigantescos que, na maioria das vezes, não significam absolutamente nada. Estou começando a ficar com preguiça de escrever textos milagrosamente bíblicos e estou me sentindo mal por isso.