Vou escrever com as características que me compõem na maior parte de minhas escrituras.
Desgraça, nojo e escárnio.
Hoje, só sei do meu ontem. Tenho falta de sabedoria no que diz respeito a mim, embora eu sinta coisas que eu não consiga aceitar.
Desgraça, nojo e escárnio.
Hoje, só sei do meu ontem. Tenho falta de sabedoria no que diz respeito a mim, embora eu sinta coisas que eu não consiga aceitar.
Ontem só pude me compor por cima de figuras amistosas que sabiam o que queriam, enquanto eu perdurava - ou me pendurava? - na dúvida de saber se o que eu queria era certo ou errado e, instigado por esta própria dúvida, perdi toda a excitação de ficar uma noite com alguém que eu não conhecia.
Pra falar a verdade, me senti com vergonha de revelar irrelevâncias. Mordi minha mandíbula externa com toda a força que eu tive, procurando em mim lágrimas que – provavelmente sem motivos – deveriam sair do meu olho escorrendo toda uma tristeza falsa que eu queria transpassar, a qual faria com que os olhos amigos se tornassem para mim com cara de preocupação e sorrisos confortadores.
Eu consegui. Venci uma batalha sem sentido. E fiquei triste por não conseguir arranjar um motivo pra sentir ódio. Voltei para todos, sem nenhum motivo ruim aparente e com motivos suficientemente plausíveis para ficar feliz. E fiquei contente por ter tido uma oportunidade dessas no meio de tanta discórdia. Agarrei, ainda receoso de que a oportunidade de encontrar felicidade fosse fácil demais pra estar presente.
Conduzi todos os passos da noite, encontrando nela pessoas famosas e jornalistas que, mesmo sabendo que eram famosos, eu apenas quis dizer que gostava de seu quadro para socializar, nunca deixando de lado os cursos históricos que outrora quase cursei. Uma alta de cabelos ondulados e batom vermelho-sangue destacou-se pela noite, deixando sua sofisticada aparência, sua lata de cerveja gelada e seu sorriso supérfluo – mas sincero – contaminar o ar.
O inimigo do meu lado direito registrava os momentos da noite, clicando muitas fotos e deixando piscadelas e sorrisos que contradiziam sua vida e sua personalidade.
Aquele que lá me encontrou, com cortes sugestivos no cabelo e com peças emprestadas que completavam a vida brega que vivia, se sentiu bem. Foi induzido a se afastar por diversas vezes para completar sua insignificância bebendo drinques que não se diziam respeito e que fugiam de sua condição psicológica. Este membro, ainda em questão, foi o responsável por causar desconforto e confusão em minha cabeça em uma das saídas mais fluentes que dei em toda a minha vida.
O outro, sempre ao meu lado, era o mais próximo de interessante que eu poderia ter encontrado. Nada de sobejo, mas era alguém que sabia me agradar sem ter que fazer muito. Participou de loucuras que não interessa a quem vai ler, beijando o próprio foda-se para ver se conseguiria ser feliz. Corajoso, eu diria.
E os estranhos... Ah, sim. Sempre tem que ter estranhos para a história ter mais ênfase. E para papo com estranhos, a melhor forma de se obter resultados é pedindo isqueiro ou cigarro na área de fumantes que – sem desdenhar ambas as partes do clube – era a parte que mais tinha motivação e movimento.
Um movimento em branco e uma clareada nos dentes com bafo foram o que foi necessário para nos desfazer do membro que me constrangia, fazendo com que o mesmo se introduzisse planos duvidosos que até agora não consegui acreditar.
Mão no bolso.
E acabou o cigarro.
Mas que pena, pra quem teremos de pedir? Antes que eu pudesse olhar para o lado, eu já tinha a resposta. Ela estava clareada em minha direita, aguardando a oportunidade perfeita para falar comigo. Um sorriso se esbanjou.
E acabou o cigarro.
Mas que pena, pra quem teremos de pedir? Antes que eu pudesse olhar para o lado, eu já tinha a resposta. Ela estava clareada em minha direita, aguardando a oportunidade perfeita para falar comigo. Um sorriso se esbanjou.
Fui até lá, já sabendo que nenhum de nós dois queria mais o cigarro. O papo foi tão simples quanto eu poderia imaginar e, aonde as quatro mãos puderam se encontrar, calafrios – de frio por causa do tempo, não pela excitação (dica) – invadiram meu corpo, fazendo com que minha mentira se tornasse realidade. Mão no pescoço, na cintura e as outras duas que restaram abraçadas no peito faziam ritmos em um beijo que não deveria ter tido fim. E teve, sem trocas de telefone, sem um nome para se memorar, sem idéias de como proceder e sem continuidade. Foi apenas o que foi, uma classificação de línguas que se entrelaçaram e conjugaram verbos sem ter que necessariamente falar para fazer.
Foi uma noite com recordações, memórias falsas e um sonho que me fez acordar no meio da noite com lágrimas nos olhos, o corpo flutuando por um susto e o coração palpitando por algo que doía tanto, mas tanto, que deixei de entender.
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