Sinto-me privado. De quem eu sou nos dias úteis, de quem quero ser nas noites úteis e de com quem quero estar nos fins de semana. Privado de coisas normais que fariam qualquer pessoa normal se sentir normal e menos convencional.
Tive hoje o exemplo perfeito. Enquanto trabalhava acessei o twitter. Ninguém mais se espanta comigo porque eles nem têm mais tempo de se espantar: eu parei de esconder. Não escancarei nada, apenas deixei a porta encostada por muito tempo... Agora abriram e querem que eu feche. Bom, fuçaram lá. No twitter. E na porta encostada. E o background sugestivo da “lady gaga” trouxe pensamentos que viraram sugestões que viraram comentários que viraram maldades que viraram perguntas que viraram respostas que viraram espanto.
Não me importei com a cara de assombro nem com o fato de aceitarem ou não a “verdade”. E nisso eu falo de verdade mesmo! A única hora que senti mal foi quando eu percebi que eles queriam que eu desse a resposta errada pra pergunta certa, como se no fundo mentir fosse a verdade.
E a verdade fosse mentira.
Observei – novamente! – que existem pessoas que não são instruídas, que vão continuar procurando pelo em ovo e que não vão saber entender uma vida sem antes julgá-la. Esse texto é o conjunto de palavras clichê de qualquer pessoa que passa pela mesma situação que eu e ainda não se acostumou com ela.
Falo em nome dos que passam o mesmo que eu quando digo que quero nada. Que não quero exigir compreensão, respeito nem transparência de ninguém. O nada é suficiente.
Esses dias eu estava andando na rua e alguns “moleques” – uso esse termo porque honestamente não sei qual outra palavra posso aplicar aqui – me xingaram. Olha, eu não tenho uma melancia na cabeça, não está escrito bobo na minha testa, não como bosta e esqueço de limpar a cara, não assalto (risos), não ando sem roupas, não ouço funk no volume mais alto do celular, não mato, não tenho cabelo ruim, não gosto do Fiuk tampouco sou fã de Restart.
Se perguntarem o que eu vejo, eu respondo: não vejo nada porque a franja tampa. Então por quê, meu Deus, sou tão cagado se nem ao menos tenho a chance de encarar a pessoa que caga em mim? Não acho resposta nenhuma e se eu paro pra pensar nos motivos de tamanha falta de educação, só vejo dois motivos para as pessoas mexerem tanto comigo:
1) Sou uma pessoa linda;
2) Sou um dragão.
Bom, onde eu quero chegar? Na verdade eu não tenho lugar nenhum para chegar. Em meu trabalho, hoje fizeram uma piadinha um pouco distante de mim. E eu era a piada. E sorriram para mim como se estivessem me cumprimentando a distância e me senti péssimo, sabe por quê?
Porque eu não sabia responder esta pergunta. Eu não sabia se eu estava ruim porque eu era a piada ou porque eu estava sendo excluído da piada. Eu fiquei com medo de sofrer algum tipo de represália por não saber lidar com esta situação. No trabalho, relaxei com dois meses. Experimente se trancar em uma sala com três pessoas que reprovam suas atitudes. Ou você fica louco, ou você cede ou você fica meio louco novamente. Enquadrei-me nos três casos por dois meses gostosos e tortuosos. Hoje, devo ter criado algum quarto caso. Ainda não sei. E não devo querer saber. E não faz diferença, só acho válido dizer que onde tem problemas, tem algum jeito de se resolver...
Você que tem mau humor, que é irônico, que passa por falta (ou excesso) constante de bebida, que tem problemas e arranja soluções, que tira fotos, que é visionário, que sai pela rua sozinho de madrugada, que marca cabeleireiro sem saber o que fazer quando chegar lá, que tem vícios, que vai para baladas, que beija, transa, fere o ânus, faz amigos – e inimigos – e tem defeitos e cansou de sentir prazer pelo sexo não-tão-oposto-assim.
Você que fala mal dos outros.
Você que fede de vez em quando. Você.
Que é você.
Respeite-se um pouco mais, ok? Não é demais pedir... E se não quiser respeitar, simplesmente não faça nada.
E se "não fazer nada" for muita coisa pra pedir, posso te pedir apenas para clicar aqui?
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