Não tenho o costume de escrever a respeito dos livros que li. Vira e mexe falo algo a respeito, cito uma frase daqui e outra dali e fica por isso mesmo. Baseio meus comentários pelas rápidas opiniões que tive a respeito do livro. "Muito bom!" e outras breves palavras que esclarecem minha opinião.
Hoje vou falar do livro Entre o Amor e a Amizade, da escritora @BiancaBriones.
Pra falar a verdade, descobri essa escritora há alguns meses e comecei fuçando ocultamente em seu blog, pois sempre gostei da forma com a qual ela conduzia as palavras para descrever sentimentos. Tem vários textos legais aí, recomendo.
Agora voltando ao livro...Vou falar spoiler do livro e de minha vida, então a não ser que você esteja interessado em ler o livro e conhecer parte de minha vida, não aconselho que você continue a ler esta resenha. Essa história me deu um choque regenerativo que me fez lembrar de coisas que aconteceram comigo.
Vou resumir tudo: Rafa e Vivi são dois amigos... Ele perdeu a família em um acidente e ela perdeu o pai não lembro como (rs). E um começou a ajudar o outro a se reerguer encontrando em si mesmo o próprio caminho pra continuar a vida sem se lamentar pelas perdas do passado... E aí que um se apaixona pelo outro e eles passam a história inteira negando esse amor que em determinado ponto se torna inegável. A ideia da escritora foi muito boa e acredito que ela conseguiu suavemente colocar no papel uma história que acontece na vida de todos nós.
Confesso que em milhões de vezes eu quis entrar na história e dar uns murros na cara do Rafa, pois a menina se rasteja literalmente em seus pés e ele continuava negando a si mesmo que o sentimento que eles mantinham era apenas amizade. Eu classificaria a atitude dele como fraca e insensível, pois indiretamente ele acabaria a perdendo... Li tudo em dois dias, levei bronca do meu chefe e lendo no ônibus quase perdi o ponto que descia aqui em casa de tão concentrado na leitura que eu estava. rs
Algumas vezes senti que um personagem sabia demais do outro, como se a conexão de irmãos significasse muito mais do que a linhagem sanguinea. A escritora soube introduzir cuidadosamente pontos que indiretamente acrescentaram sentido e esclareceram a história em sua velocidade. O humor me fez rir e um dos fatos que mais me chamou atenção foi o uso de algo que atualmente faz parte de qualquer pessoa: MSN. É uma pena que tenhamos trocado 50% do contato visual por conta do virtual e que muitas vezes o mais perto que chegamos de um consolo é um sorriso na webcam, mas é o que acontece. Bianca foi audaciosa e inovadora em colocar isso como alicerce em uma história deste nível sem ter o medo de fazê-la perder o nível por isso. Foi corajosa inclusive em colocar um personagem que escrevia palavras de uma forma errada propositalmente. De fato, não perdeu: mudou o foco e o nível da história e provavelmente deixou muitos leitores perdidos em relação ao que a partir daí aconteceria. Me emocionei bastante... Um jogo de músicas estrategicamente posicionadas foram citadas no livro, mas vou confessar que uma das músicas que mais ouvi no Ipod não estava nas citações da escritora. Foi uma música que uma amiga me passou há pouco tempo atrás e que até agora estou viciado: La Rocca - Non Believer. Terei que pedir perdão a escritora por não lembrar do livro quando ouvir as músicas que ela citou... Mas esta foi a que de fato marcou. rs
É ótimo ver que em um mundo onde o "créu" e o "funk" dominam a maior classe das pessoas que não gostam de ler, existem pessoas que ainda sabem escrever graciosamente e com um charme Jane Austen que é tão difícil de encontrar.
Espero que a escritra pense em uma continuação, porque olha... Até o fim da história, o romance deles era fora de série: coisas da imaginação mesmo. E aí que e eu adoraria ver como o romance dos dois perduraria diante dos problemas da vida. Fiquei com gostinho de quero mais, recomendo a todos essa leitura rara e suave.
_
Tive uma amizade que podia ser comparada com a de Rafa e Vivi mas que, por covardia minha e por medos que hoje não fazem diferença, consegui me tornar o vilão dessa história. Apaixonei-me por alguém que eu podia julgar "um dos melhores amigos" e em pouco tempo, este melhor amigo descobriu pela boca de outras pessoas que eu gostava dele. Neguei, com medo de perdê-lo. E no fim das contas acabei me ferrando do mesmo jeito, pois demos um ponto final na amizade com uma conversa no msn que não teve fim feliz pra ele nem pra mim, pois segundo as palavras dele, eu poderia parar muito bem em um manicômio porque precisava me tratar.
Trouxa eu não sou, sabe... Sei que rolava aquele sentimento recíproco, mas éramos duas pessoas fracas que tinham medo de assumir esse sentimento e ouvir julgamentos de pessoas do lado de fora que não tinham nada a ver com isso. Falo pelos dois, ele pode até negar mas é verdade.
Cheguei a escrever coisas inacreditáveis e que até hoje não o mostrei... Fiz com que ele se tornasse uma imagem inacreditável de minha mente e um sonho que eu não poderia alcançar, e de fato foi o que eu fiz com que acontecesse. Nós dois nos ferramos e hoje vivo com o sentimento do mínimo arrependimento por algo que deixei de fazer. Este livro só me fez ter certeza que, quando você vive algum sentimento que em sua cabeça é incrível, você deve vivê-lo sem esperar que o tempo ou as circunstâncias dêem um jeito de deixá-lo impotente.
Isso te mata aos poucos e você acaba nem percebendo que isso acontece...
Bom, essa é minha dica! Adorei mesmo este livro, e adorei que ele tenha arrumado nós soltos presos em minha consciência. Espero que traga para alguém a paz que ele me trouxe. ;)
domingo, 26 de dezembro de 2010
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
2010
E essa vontade que me bate de fazer uma retrospectiva do que vivi e uma perspectiva do que quero viver?
Percebi há pouco que não tenho estribeiras quando vou me referir aos amigos que fizeram parte de preciosos dias que se decorreram em meu ano, e certamente não me importarei de elogiá-los quando eles me impressionarem ainda mais nos próximos dias a serem vividos.
Percebi há pouco que não tenho estribeiras quando vou me referir aos amigos que fizeram parte de preciosos dias que se decorreram em meu ano, e certamente não me importarei de elogiá-los quando eles me impressionarem ainda mais nos próximos dias a serem vividos.
E m inha família, que acabou se tornando única? Que soube onde evoluir, crescer, aceitar e amar. E que dá algum jeito obsoleto e absoluto de enfrentar meus problemas no escuro, com medo de encarar meus demônios me olhando no fundo dos olhos.
Todos ficamos tão adultos, tão distantes e independentes que sinto um pouquinho da dor ao lembrar quando chegava em casa contando que tirei 10 em português. Isso fazia com que meus pais tomassem o assunto como pauta da semana. Meus irmãos, em contra partida, me parabenizavam com ovos na cara, chantagem emocional e uma inveja estampada nos olhos de criança inocente.
Mas aí que o ano passa, né? E temos que deixar alguma marca para nos lembrar do ano que se passou. Só que eu não gosto de fotos! Veja bem, sou vaidoso... Se saio com um nariz grande, queixo quadrado ou o cabelo satanizado provavelmente destruo todos os registros fotográficos e eternizo a foto apenas na lixeira.
E com a lixeira cheia de fotos e arquivos temporários, acabo me esquecendo de jogar nos meus documentos momentos que dizem mais do que cara feia ou bunda peluda.
E os momentos... se vão.
Com foto, sem foto, com família ou sem. Com o "amo você" precarizado no papel queimado que nunca foi entregue ao destinatário ou com o destinatário implicando que o ama sem necessariamente ter que se queimar pra isso.
Os momentos se vão, e não voltam.
Não é necessário que você viva um ano pra perceber que sua vida tem que mudar, a ignorância mora nos detalhes e nos paradigmas que você coloca na vida sem se dar conta disso.
Não conto minha retrospectiva, ela fica na minha mente guardada com todo o carinho que tenho.
Minhas perspectivas ainda são vazias. No entanto, são infladas de desejo e esperanças. Não valem à pena serem divulgadas sem eu ter certeza do que quero.
E meu ponto final na história? Na verdade, não o faço presente neste texto. Ano novo pra mim não é apenas tempo de me prometer novos desafios, é tempo de reconquistar minha própria dignidade perdida nas promessas anteriores que indignamente deixei de construir por preguiça ou cobiça.
Assinar:
Postagens (Atom)
