terça-feira, 22 de novembro de 2011

Auto-projeção

Me pergunto o quão erradas as pessoas podem ser. Pouco se importam e lutam para conseguir o que querem. Ignoram o amor que sentem falta e a humanidade que não têm, sentindo-se - de alguma maneira - no direito de alegar ciúmes por algo que não lhes pertence. Já me permito pensar diferente... Quero ser dono do meu destino, criar meu manual de instruções e não ser cobaia do ridículo. Sabe aquela pequena palavra que foi esquecida no dicionário? Cinco letras e mil significados? Viver? Então. Atreva-se a usá-la. Ouse viver! Li uma vez que é mais fácil quebrar um átomo no meio do que um preconceito por completo. Pois é... Meu lamento vai para os fracos, que não aceitam a vida que eu levo e utilizam o preconceito como subterfúgio para continuarem sendo ignorantes.
Só espero que de coração as pessoas parem de viver a vida como se fosse um jogo de videogame, onde elas podem dar restart se tudo der errado.
As chances de fazer o que é certo não caem do céu, e ninguém é Jesus Cristo para perdoar eternamente. Então ao invés de jogar sua maturidade no chão, utilize-a para criar sua integridade.
Somente assim você poderá de vez em quando olhar no espelho e dizer que se ama, porque no final das contas, você é a única pessoa que, de fato, poderá confiar de olhos fechados.

terça-feira, 12 de julho de 2011

estereotipo

Hoje eu me pergunto até que ponto uma pessoa consegue se iludir por outra. É ridículo, assumo, o quão imbecis acabam se tornando os pensamentos das pessoas que estão sendo iludidas por uma imagem que elas mesmas criam. Eu não tenho como descrever as ilusões que eu mesmo criei. São ilusões e, justamente por isto, criam pensamentos ilusórios que não são reais.
De qualquer forma, vou tentar mesmo assim... Falar de sentimentos é fácil quando você é a grande vítima dele.
Olhei de uma forma tentadora para a sombra da franja lisa que cobria o rosto do homem e, imerso em um sorriso involuntário que soltei ao vê-lo de longe pelo vulto da minha visão sem lente, nem ao menos percebi quando eu o estava beijando sem ter ainda noção do quão lindo ele era. Meus olhos estavam fechados. Caso eu pudesse retornar para aquele momento e escolher entre ficar com os olhos fechados ou abertos, eu provavelmente os manteria fechados. E evitaria um caos posterior na minha cabeça.
Abri os olhos. A centimetros do meu rosto, percebi mais uma ilusão se acrescentando na minha cabeça. Era o estereótipo perfeito do que eu queria para mim, uma perfeição incomum para eu encontrar em um lugar tão comum como o que eu estava. Olhei fundo nos olhos da pessoa e engoli seco o meu sorriso com um aperto no coração. Por algum motivo, ele esbanjou o sorriso mais maravilhoso que já vi em toda a minha vida. E todo o esforço pra manter meu sorriso no peito se esvaeceu, transformando-se numa recíproca verdadeira para o momento.
Meu defeito é esse: não saber viver o agora sem planejar o depois. E é como eu leio em textos e ouço em músicas de uma forma tão clichê: “viva o amanhã somente amanhã, sua única preocupação é o agora.”
E é aí, talvez, que entre meu maior erro... Nesses segundos preciosos de ilusão completamente cega eu esqueço de me estabelecer limites. Crio memórias, passados, imagino um sorriso em uma foto e alguém que poderia ter me feito sorrir.
Pergunto a Deus se aquilo é real e ele me prova que é. Fecho meus olhos novamente para o inesquecível e mergulho em um sentimento de fúria que me domina por completo. Apenas um beijo, mas pra mim nunca é somente um beijo. Ouvi dizer que em alguns países é mais fácil você fazer sexo com uma pessoa do que dar um beijo nela. Engraçado, né? Posso beijar o mundo inteiro, mas transar com alguém dele é quase suicídio moral. 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

primavera da vida

Se minha inspiração fosse uma árvore sorridente de algum bosque durante uma das quatro estações, neste momento as folhas estariam murchando no outono para morrerem no inverno. Por serem meses passageiros, minha preocupação seria nula. A primavera da vida apareceria e levaria consigo todas as folhas muchas, mortas e sem graça que o cansaço originou  e, sem medo de acréscimos e exageros, traria novas flores e histórias brilhantes para me desafiar. Satisfaço-me de passagens curtas quando o texto maior está em meu coração. 

segunda-feira, 28 de março de 2011

Do que é feito o preconceito

A raiz do preconceito é sempre o ódio à diferença. O que significa sempre a presunção de que o certo é você. De que você é o centro do mundo e de que todo mundo tem que girar ao seu redor. De que você é a medida perfeita, o modelo de eficiência, a solução sublime, a suprema criatura, o parâmetro inexcedível diante do qual os outros são definidos – se são bons ou maus, grandes ou pequenos, bonitos ou feios.
Preconceito tem a ver sempre com o medo em relação a quem é diferente. Porque quem faz de modo distinto – quem não é igual a nós, quem envereda pelo caminho de outro jeito – sempre nos expõe. Sempre nos questiona. Tomamos isso como provocação – como pode esse cara não ser meu espelho, não pensar como eu, ter na verdade ideias e atitudes totalmente diferentes da minha? (E se as ideias e atitudes dele forem melhores, mais charmosas, mais divertidas e inteligentes? Como eu fico?) Quem é esse cara que nos coloca em risco ao nos oferecer contraste, ao realizar outras escolhas, ao tomar outro caminho? É preciso matar esse sujeito logo, na raiz. É preciso cortar-lhe as asas, castrá-lo.
Se todos nos forem semelhantes, não há o risco de estarmos errados. Ao menos não individualmente. Então o preconceito é, antes que tudo, uma força de coesão. Ele busca, ao atacar as diferenças, deixar todo mundo preso na faixa do meio, na temperatura média, na “normalidade”, na mediocridade, na viscosidade da grande geleia geral, no senso comum, do lado da maioria burra, sem jamais ousar chamar a atenção, nem acima nem abaixo, nem mais à esquerda nem mais à direita, sem destoar um tiquinho, sem permitir uma grama sequer de originalidade, de individualidade, de, enfim, diferença.
Quanto mais sentimento de aldeia houver, quanto mais estreito for o horizonte, quanto mais agirmos como clã, maior será o preconceito, mais atacados serão os diferentes, mais o sentimento de “média” será valorizado. Ao contrário, quando maior for o cosmopolitismo, maior será a tolerância com a diferença, mais interessantes e atraentes soarão os outros jeitos de fazer, mais o novo será valorizado, mais as liberdades e dessemelhanças individuais serão festejadas e acolhidos.
É assim: se a simples existência do outro, florescendo fora do seu raio de controle, faz com que você se sinta agredido ou constrangido, você busca aniquilá-lo. E mesmo que engula a insuportável diferença que o outro lhe impõe, você odeia aquela fonte de sofrimento com todas as suas forças. Se você é seguro de si, é adepto da teoria do viva e deixe viver, se não é dado ao controle alheio nem precisa que o pelotão todo marche no seu ritmo, para onde você deseja ir, para se sentir bem o suficiente para sair da cadeira, você simplesmente tolera – e talvez até se divirta com – a diferença.
Antes de terminar: a discriminação é também um exercício de poder, de engrandecimento hostil de si mesmo diante do outro, que está sempre numa posição supostamente inferior. Quanto mais clara ficar posição mais frágil do outro, mais o seu privilégio brilhará. E de que vale um privilégio que você não pode esfregar na cara dos outros? Portanto, a discriminação carrega um bocado de covardia também. Você acredita que tem uma vantagem e a usa com crueldade, perversamente. Você só dorme feliz à noite se sentir que humilhou alguém durante o dia. Mesmo que a vantagem só exista na sua cabeça e mesmo que você não reúna condições de humilhar quem quer que seja. Não importa. Importa a intenção. E são as intenções, muito mais do que os resultados concretos, que definem os canalhas.

domingo, 20 de março de 2011

spread your wings


Hoje passei por uma experiência peculiar. Percebi que as vezes, somente as vezes, nas formas e com as pessoas mais alegres e positivas que temos no momento, uma despedida nunca simboliza sua verdadeira grandeza.
Senti como se eu estivesse dando apenas um meio abraço, que se finalizaria depois de um tempo limitado de felicidade e alegrias. Nada mais. Nada menos.
Amizades são assim mesmo... No ápice de sua energia, mostram-se presentes até nos sorrisos e nas pequenas palavras que nem ao menos lhe foram proferidas diretamente.
Nessa pequena experiência eu percebi que aquela antiga frase que sempre disseram, “Não precisa estar junto pra estar perto”, faz todo o sentido do mundo quando você a vivencia. Um pequeno pedaço do meu amor pela pessoa querida pode estar do outro lado do mundo, mas a grandeza e o sentimento de companheirismo me acompanham aonde quer que eu vá. E não há nenhum atlântico, nenhum país e nenhuma experiência que possa substituir esse tipo de grandeza.
Ela simplesmente existe, estando perto ou não. Sentir, às vezes, é suficiente.  Sentir explica que suas aspirações são melhores do que qualquer música ou qualquer palavra ou qualquer sorriso torto que parte corações.