Não existe nada melhor – ou pior – do que se sentir inovado em sua própria casa. Sua feiúra bota sentido na tua cara pálida e você sai por aí corando, com medo de dar um tropeço e com medo principalmente de ficar parecido com um palhaço perdido.
Hoje foi mais ou menos assim. Sabe aquele típico domingo chuvoso que ninguém quer ficar em casa? Então, olha que delícia. Fiquei em casa – depois de ter passado a noite em uma das piores baladas que já fui. Quer dizer, pelo menos não tocou funk. As músicas eram boas.
Esse não é o ponto e eu nem sei como chegar até ele. Hoje eu tive aquela conversa que há tempos eu sabia que teria, mas, mesmo sabendo que uma hora ela chegaria, nunca ao menos tive um tempo pra pensar em como tratá-la.
Ok, não vou mentir. Tive tempo sim. Mas eu não sabia como pensar, eu não sabia nas melhores palavras pra dizer. De vez em quando a verdade é tão crua, vil e cruel que a mentira soa mais fácil. Não sou eu, é o mundo. E isso é fato. E desse fato, fiz um ato.
Consumi tudo aquilo que fiquei segurando pelas últimas semanas pra transformar em uma mentira. Uma mentira que me faria feliz, que faria o receptor mais ditoso e o daria calmaria. Transformei tudo em uma mentira marcada por uma lágrima de tristeza e rancor.
Uma vez ouvi falar que a felicidade não aparece se você sair procurando por ela. Ela vem somente se você limpa sempre a sua casa e prepara a cama para ela. Mesmo que ela não bata o cartão no fim da noite, você tem que preparar tudo com todos os sorrisos. Você tem que deixar a água na cabeceira da cama e fazer com que ela apareça.
Tolo quem acredita que a felicidade bate na sua porta sem você precisar fazer nada. Existem outras pessoas também que a querem tanto quanto você e essas pessoas talvez estejam se esforçando mais para conseguir conquistar a felicidade. Se tiver uma fila, em algum lugar você está.
Não é o tipo de fila convencional que você pega a senha e espera sentado enquanto lê um livro. É o tipo de fila que você faz um livro enquanto pensam que você está sentado. É a fila da esperteza, da luxúria e dos sete pecados capitais.
É aqui onde você passa a perna nas pessoas para que elas saibam que você não está brincando.
Independente disto, você faz sujeira. Você acha que se apaixona. Você diz “te amo” como quem diz bom dia e gosta disso. Você acha que encontra o amor sem perceber que quem realmente te encontra é ele.
E não vou mentir não, você é tolo por pensar que a vida é tão simples como parece. Você é tolo por pensar que conta-se uma vida com uma coletânia de discos maravilhosos e com músicas que te fazem chorar. Tolo por achar que sabe dançar, por achar que ser feliz é contemplar o que lhe falta e não o que tem.
Você seria tolo se não soubesse viver. Viva, mesmo que pra isso você tenha que recriar o útero que te suportou por nove meses. Recrie em outros termos aquilo te preparou para os anos subsequentes.
Não tenha pressa, uma hora você vai conseguir ser feliz. Ainda que demorem dez, vinte anos ou que você apenas encontre a felicidade quando faltar pouco tempo pra você morrer, vai valer à pena encontrá-la.
Ria sem motivos, mesmo que sozinho no silêncio da noite. Nem ao menos vai perceber a poesia de tudo o que você vive.
E o mais óbvio: não se intimide, continue dizendo que se ama. E que ama.
Te amo é melhor que bom dia.
domingo, 29 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
heal the world, make it a better place.
Hoje eu não acordei - eu levantei da cama.
Veio, por mais um dia, a sensação de que nada vai mudar. De que eu tenho tudo pra se resolver e que nada vai ficar do jeito que eu quero, como se a culpa principal de tudo fosse uma vontade obscura minha que nem eu escolho, como se fosse um estado de espírito que eu tivesse o poder de controlar.
Talvez eu até seja feliz assim, mas sinto que enquanto eu não abrir mão de certas privacidades, as coisas só tendem a piorar.
E é foda, isso.
Ver fora de você todas as vibrações que você queria ter como apoio.
É foda ver seu peito doendo toda vez que você lembra de como as coisas poderiam ser, é foda não poder fazer nada enquanto no fundo no fundo você quer fazer tudo. Sua consciência redobra e você se fragmenta em pequenas partículas, esperando que a cada minuto que passe elas te transmitam algo de positivo - ou simplesmente algo neutro, que não te cause tanta dor.
Eu sei que não tenho do que reclamar porque minha vida é perfeita, mas isso me assusta. Me dá medo e detesto. Não gosto dessa sensação de falta de auto-controle e confiança, como se tudo acontecesse em minha frente e só depois eu fosse descobrir.
Preciso muito me ocupar com algo que faça eu esqucer desses problemas imprecisos e desnecessários. Preciso de algo que me tire desse lugar por instantes e faça eu viver algo perfeito.
Não vou ficar desabafando muito e nem vou falar o que se passa. E não digo nada porque não deveria ter cabimento eu me remoer por algo assim, mas eu talvez o faça porque eu - em algum lugar! - deva ainda crescer muito e aprender a conviver com o erro dos outros.
Veio, por mais um dia, a sensação de que nada vai mudar. De que eu tenho tudo pra se resolver e que nada vai ficar do jeito que eu quero, como se a culpa principal de tudo fosse uma vontade obscura minha que nem eu escolho, como se fosse um estado de espírito que eu tivesse o poder de controlar.
Talvez eu até seja feliz assim, mas sinto que enquanto eu não abrir mão de certas privacidades, as coisas só tendem a piorar.
E é foda, isso.
Ver fora de você todas as vibrações que você queria ter como apoio.
É foda ver seu peito doendo toda vez que você lembra de como as coisas poderiam ser, é foda não poder fazer nada enquanto no fundo no fundo você quer fazer tudo. Sua consciência redobra e você se fragmenta em pequenas partículas, esperando que a cada minuto que passe elas te transmitam algo de positivo - ou simplesmente algo neutro, que não te cause tanta dor.
Eu sei que não tenho do que reclamar porque minha vida é perfeita, mas isso me assusta. Me dá medo e detesto. Não gosto dessa sensação de falta de auto-controle e confiança, como se tudo acontecesse em minha frente e só depois eu fosse descobrir.
Preciso muito me ocupar com algo que faça eu esqucer desses problemas imprecisos e desnecessários. Preciso de algo que me tire desse lugar por instantes e faça eu viver algo perfeito.
Não vou ficar desabafando muito e nem vou falar o que se passa. E não digo nada porque não deveria ter cabimento eu me remoer por algo assim, mas eu talvez o faça porque eu - em algum lugar! - deva ainda crescer muito e aprender a conviver com o erro dos outros.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
história #2 : morte
Faleceu minha tia-avó. Fiquei triste, ela era uma pessoa maravilhosa, feliz e com uma perspectiva de vida altíssima que não se abalava. Ela estava bem quando sentiu falta de ar e, em questão de cinco minutos - puft!
O coração parou de bater, parou de respirar. Parou. Fim. Porta fechada na cara, chegou a vez dela. Jesus veio salvar. Morreu, mêu bem!
Quando penso na morte penso nas coisas que eu deveria fazer antes que ela aconteça. É inevitável, eu sei. E todas as pessoas já estão cansadas de saber que daqui cinco, dez, vinte, cinquenta, sessenta anos elas vão morrer. Vai chegar a vez delas. Comigo não é diferente, sabe...
Essa semana eu estava dormindo e tive uma sensação horrível. Minha mãe uma vez me disse que o momento mais propício entre este mundo e o mundo espiritual é quando você está dormindo e acordado, naquele meio tempo que você começa a pensar besteira.
E tenho certeza que eu estava nesse meio tempo, porque senti como se meu peito estivesse sendo inflado como uma bexiga que você assopra. Senti uma sensação de desespero - não dor, desespero - porque eu não conseguia respirar e, pior, eu nem sabia respirar. Desaprendi. Nesse momento eu parecia flutuar com meu edredom e a cada vez que eu tentava aprender a respirar, parecia que eu flutuava mais ainda para o alto. Sei lá quanto tempo fiquei assim, mas logo o desespero passou e perdi o medo. Quando perdi o medo, voltei para minha consciência e a impressão que deu foi a de cair na cama.
Crente de que eu não fosse mais me reconhecer, respirei o ar como nunca. A respiração foi típica de quando você se afoga em uma piscina e chega a superfície, disperso na sua respiração automática gostosa que te recompõe em segundos.
Acho que a coisa que mais tenho medo nessa vida - além de me perder e esquecer quem eu sou - é morrer. Não porque eu vá para um lugar que eu não conheço, que eu vá para o mundo espiritual. Não porque eu possa reencarnar anos depois no corpo de alguém. Não porque vou virar "espírito" e ficar rodeando a terra pra ficar assombrando (ou não) os outros. Não tenho tanto medo do desconhecido.
Meu medo maior é não saber mais me reconhecer, independente do que venha a acontecer. É o medo de tudo me cegar num piscar de olhos. De eu deixar de existir.
Kaboom!
Medo do sumiço repentino - pior do que qualquer blecaute - onde somente sei que a única visão que vou ter não é nem um preto que enxergo quando os olhos estão fechados, até porque nem tem preto - assim como não tem nada. É o medo de não ter branco, não ter cor! Não ter cheiro, voz nem matéria. É o medo de perder os sentimentos. É o medo de encontrar tudo incolor e sem vida. Medo de encontrar o fim, onde provavelmente estarei arrependido por não ter dado o último sorriso de graça enquanto ainda ria dos meus problemas e vivia a vida reclamando dos amores, ao invés de chegar até eles e dizer o quanto valiam para mim e o quanto amei eles até a hora que eu não pude mais aguentar.
O coração parou de bater, parou de respirar. Parou. Fim. Porta fechada na cara, chegou a vez dela. Jesus veio salvar. Morreu, mêu bem!
Quando penso na morte penso nas coisas que eu deveria fazer antes que ela aconteça. É inevitável, eu sei. E todas as pessoas já estão cansadas de saber que daqui cinco, dez, vinte, cinquenta, sessenta anos elas vão morrer. Vai chegar a vez delas. Comigo não é diferente, sabe...
Essa semana eu estava dormindo e tive uma sensação horrível. Minha mãe uma vez me disse que o momento mais propício entre este mundo e o mundo espiritual é quando você está dormindo e acordado, naquele meio tempo que você começa a pensar besteira.
E tenho certeza que eu estava nesse meio tempo, porque senti como se meu peito estivesse sendo inflado como uma bexiga que você assopra. Senti uma sensação de desespero - não dor, desespero - porque eu não conseguia respirar e, pior, eu nem sabia respirar. Desaprendi. Nesse momento eu parecia flutuar com meu edredom e a cada vez que eu tentava aprender a respirar, parecia que eu flutuava mais ainda para o alto. Sei lá quanto tempo fiquei assim, mas logo o desespero passou e perdi o medo. Quando perdi o medo, voltei para minha consciência e a impressão que deu foi a de cair na cama.
Crente de que eu não fosse mais me reconhecer, respirei o ar como nunca. A respiração foi típica de quando você se afoga em uma piscina e chega a superfície, disperso na sua respiração automática gostosa que te recompõe em segundos.
Acho que a coisa que mais tenho medo nessa vida - além de me perder e esquecer quem eu sou - é morrer. Não porque eu vá para um lugar que eu não conheço, que eu vá para o mundo espiritual. Não porque eu possa reencarnar anos depois no corpo de alguém. Não porque vou virar "espírito" e ficar rodeando a terra pra ficar assombrando (ou não) os outros. Não tenho tanto medo do desconhecido.
Meu medo maior é não saber mais me reconhecer, independente do que venha a acontecer. É o medo de tudo me cegar num piscar de olhos. De eu deixar de existir.
Kaboom!
Medo do sumiço repentino - pior do que qualquer blecaute - onde somente sei que a única visão que vou ter não é nem um preto que enxergo quando os olhos estão fechados, até porque nem tem preto - assim como não tem nada. É o medo de não ter branco, não ter cor! Não ter cheiro, voz nem matéria. É o medo de perder os sentimentos. É o medo de encontrar tudo incolor e sem vida. Medo de encontrar o fim, onde provavelmente estarei arrependido por não ter dado o último sorriso de graça enquanto ainda ria dos meus problemas e vivia a vida reclamando dos amores, ao invés de chegar até eles e dizer o quanto valiam para mim e o quanto amei eles até a hora que eu não pude mais aguentar.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
frequência.
pra quem vou me despedir em breve, posso não dizer isto com frequencia - ou se digo, não digo o tanto quanto deveria - mas a verdade é que eu gosto muito de vocês e falo sério quando digo que vou ter que reaprender a viver e a criar novos costumes sem vocês pra me ajudarem. A verdade é que eu passei três anos reclamando de uma vida que já começo a sentir falta, que eu acreditava que não iria me adaptar e que tudo passaria sem nada marcante.
é, cheguei a ser assim. Cheguei a não ter pretenções nem vontade nenhuma; só querendo ir pra escola por ir. um ato infantil, é fato. Ninguém mais faz isso... E se fazem, eu entendo. Eu era assim até pouco tempo atrás.
Até que algo mudou em mim... E não foi só o jeito de vestir ou a forma com a qual eu ia pra escola pra tentar fazer qualquer coisa. Sei lá!
Foram os amigos que eu guardei pra viver a vida comigo, foram as réplicas de amores que guardei escondidos, foram histórias e foram matérias que passaram pela minha cabeça com uma importância temporariamente significativa.
E foi tudo junto numa coisa só que me impulsionou a dizer que é disso que sinto falta.
E sinto mesmo, o que pensar?
Que eu faço plágios? Eu adoro plágios! E amo muito tudo isso!
é, cheguei a ser assim. Cheguei a não ter pretenções nem vontade nenhuma; só querendo ir pra escola por ir. um ato infantil, é fato. Ninguém mais faz isso... E se fazem, eu entendo. Eu era assim até pouco tempo atrás.
Até que algo mudou em mim... E não foi só o jeito de vestir ou a forma com a qual eu ia pra escola pra tentar fazer qualquer coisa. Sei lá!
Foram os amigos que eu guardei pra viver a vida comigo, foram as réplicas de amores que guardei escondidos, foram histórias e foram matérias que passaram pela minha cabeça com uma importância temporariamente significativa.
E foi tudo junto numa coisa só que me impulsionou a dizer que é disso que sinto falta.
E sinto mesmo, o que pensar?
Que eu faço plágios? Eu adoro plágios! E amo muito tudo isso!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
história #1
Olha, eu sei que não sou o filho perfeito. Sei que não trago tantos orgulhos como eu deveria trazer, sei que eu magoo muito mais fácil do que trago felicidade; mas é assim que eu sou. Eu não percebo. Pra falar a verdade, eu tenho medo. Medo de me perder e medo de não saber me aceitar de verdade. Medo de meus pais tentarem restringir minha personalidade e medo de que eles não estejam lá quando espero que estejam.
Sabe, é fácil pra uma pessoa julgar o comportamento de outra quando sabe que esta está errada. O difícil é essa pessoa se olhar no espelho e perceber que, mesmo que ela não saiba, ela traz decepções. Ela magoa. Deixa triste e esquece de ver o lado positivo das coisas.
Isso foi o que aconteceu comigo nesse fim de semana. Sabe, projeto de escola não tem nada de novo pra acontecer. Foi uma conquista - que eu não tive prazer em ter conquistado, é fato! - mas mesmo assim foi um acontecimento e eu quis deixar claro quem eu queria ao meu lado. Eu tentei e eu chamei. Juro. E foram!
Isso foi bom, mas o que não me agradou foi um chilique repentino do meu pai por ele ter supostamente me visto "dançar" rebolando entre dois meninos. Tenha a santa paciência!
Esse preconceito vai matar ele e vai acabar me sufocando também. Quando fiquei sabendo disso, não pude aguentar o nó da gravata rosa/lilás/roxa ou sejaláquecoraquelamerdaera e simplesmente quis fugir! Fugir dos problemas, fugir desse projeto, fugir daquela escola que deveria estar me proporcionando os últimos momentos prazerosos e fugir dos amigos que deveriam estar me salvando. Ver minha mãe com lágrimas nos olhos me partiu em três esferas; me desconcertou mas, ao mesmo tempo, eu vi nos olhos dela a vontade de me entender/defender e de compreender que meus problemas com ele estão apenas começando. Se estou errado, eu não sei.
Não tiro o direito dele de se decepcionar (mesmo que eu não entenda) da mesma forma que eu não tiro o meu, afinal ele nem ao menos quis me ver.
Agora fica com graça e evita falar comigo. Me responde com palavras monossílabas e faz o maior de esforço pra não precisar de mim.
Quando fala, é grosso e só fala o que precisa falar. Quando quero puxar assunto, ele responde dando a entender que não quer falar comigo. Quando pergunto se ele tem ódio, ele fala que isso é um absurdo e que um pai jamais deveria ter ódio do filho. Quando eu preciso, parece ser um esforço. Quando ele precisa, pareço ser obrigação. Quando penso que estou começando a ficar bem com ele, esse maldito preconceito volta e quebra todas as barreiras que outrora quisemos criar.
Depois ele vem, fala que em casa não somos uma família e que "deve ter algo de errado com ele". Não vou desmentir ele por completo, mas tem algo de errado sim e essa família não deveria fazer muitas coisas que faz. Me incluo, sou errado também. Mas quer saber? Eu tento mudar quando acho que estou errado, enquanto ele somente cobra por coisas que ele não cumpre também. Ele exige atitudes que ele não tem...
Como se pode exigir companheirismo se o membro maior e mais exemplar da casa foge de você e não te reconhece quando você mais precisa que ele esteja lá, mesmo que seja pra dizer um simples "parabéns"?
Como lidar com essa imagem e com os problemas que o mundo de fora vai te trazer, quando na verdade você precisava de sua família pra te dar apoio com isso?
O que fazer quando você mescla todos os problemas e junta tudo em uma coisa só?
Família, em meu conceito, existe pra te dar lar, paz, refúgio consolo e principalmente pra te curar e proteger de todos os problemas que o mundo de fora faz você enfrentar... E ela é assim, eu sei!
Mas não nego.
Eu me confundo.
Quem vai me proteger se meu problema maior está dentro de casa?
Isso foi o que aconteceu comigo nesse fim de semana. Sabe, projeto de escola não tem nada de novo pra acontecer. Foi uma conquista - que eu não tive prazer em ter conquistado, é fato! - mas mesmo assim foi um acontecimento e eu quis deixar claro quem eu queria ao meu lado. Eu tentei e eu chamei. Juro. E foram!
Isso foi bom, mas o que não me agradou foi um chilique repentino do meu pai por ele ter supostamente me visto "dançar" rebolando entre dois meninos. Tenha a santa paciência!
Esse preconceito vai matar ele e vai acabar me sufocando também. Quando fiquei sabendo disso, não pude aguentar o nó da gravata rosa/lilás/roxa ou sejaláquecoraquelamerdaera e simplesmente quis fugir! Fugir dos problemas, fugir desse projeto, fugir daquela escola que deveria estar me proporcionando os últimos momentos prazerosos e fugir dos amigos que deveriam estar me salvando. Ver minha mãe com lágrimas nos olhos me partiu em três esferas; me desconcertou mas, ao mesmo tempo, eu vi nos olhos dela a vontade de me entender/defender e de compreender que meus problemas com ele estão apenas começando. Se estou errado, eu não sei.
Não tiro o direito dele de se decepcionar (mesmo que eu não entenda) da mesma forma que eu não tiro o meu, afinal ele nem ao menos quis me ver.
Agora fica com graça e evita falar comigo. Me responde com palavras monossílabas e faz o maior de esforço pra não precisar de mim.
Quando fala, é grosso e só fala o que precisa falar. Quando quero puxar assunto, ele responde dando a entender que não quer falar comigo. Quando pergunto se ele tem ódio, ele fala que isso é um absurdo e que um pai jamais deveria ter ódio do filho. Quando eu preciso, parece ser um esforço. Quando ele precisa, pareço ser obrigação. Quando penso que estou começando a ficar bem com ele, esse maldito preconceito volta e quebra todas as barreiras que outrora quisemos criar.
Depois ele vem, fala que em casa não somos uma família e que "deve ter algo de errado com ele". Não vou desmentir ele por completo, mas tem algo de errado sim e essa família não deveria fazer muitas coisas que faz. Me incluo, sou errado também. Mas quer saber? Eu tento mudar quando acho que estou errado, enquanto ele somente cobra por coisas que ele não cumpre também. Ele exige atitudes que ele não tem...
Como se pode exigir companheirismo se o membro maior e mais exemplar da casa foge de você e não te reconhece quando você mais precisa que ele esteja lá, mesmo que seja pra dizer um simples "parabéns"?
Como lidar com essa imagem e com os problemas que o mundo de fora vai te trazer, quando na verdade você precisava de sua família pra te dar apoio com isso?
O que fazer quando você mescla todos os problemas e junta tudo em uma coisa só?
Família, em meu conceito, existe pra te dar lar, paz, refúgio consolo e principalmente pra te curar e proteger de todos os problemas que o mundo de fora faz você enfrentar... E ela é assim, eu sei!
Mas não nego.
Eu me confundo.
Quem vai me proteger se meu problema maior está dentro de casa?
sábado, 7 de novembro de 2009
condições variáveis
IF (meu comportamento == dúbio)
A verdade é que no fim de tudo, mesmo que eu ainda não acredite, tenho certeza absoluta que me vou sentir perdido e vou sentir falta de tudo o que estou passando. São os últimos momentos, é agora que eu tenho que ver se a luz do flash foi nestes três anos suficientemente atraente a ponto de eu me certificar que a figura ficará gravada pra sempre antes que entre a próxima linha de minha programação.
Else IF(saudades == batem forte no peito)
Aqui, não sei programar. Não faço a mínima ideia de como proceder e pra falar a veracidade eu já estou com receio do que está por vir... Meu maior medo provavelmente não é “perder” essas pessoas que conviveram comigo por um tempo tão grande, o meu medo maior é não ter essas pessoas pra me apoiar nesse tempo maior que está por vir; valeu de alguma coisa terem me dito que nessa vida nova que ingresso não vou ter pessoas pra me segurar pela mão e que me mostrem o caminho correto. Aqui tenho um laço dentro do outro, assim como me enlacei com todas essas pessoas que de alguma forma me marcaram. Todos em conjunto uniformemente variados.
___While (enquanto eu respirar)
___Vou me lembrar de vocês
Else IF(e se você não souber lidar == como faz?)
Relaxa, você não é o único; há um erro de concordância e o programa vai travar. Não é você, somos nós. Nós não sabemos lidar.
Essa é a parte da programação que você sabe que nem se você jogar no Google e ir até a ultima página da pesquisa vai achar um tipo de variável que vai poder armazenar todas as respostas que você procura. Agora você vai ter a chance de mostrar para o mundo todos os seus sonhos e todas as suas ambições. Seu banco de dados acabou de ser criado, trate de cuidar bem dele pra não ficar incoerente com seu sistema. Ele vai crescer como você.
Else IF(se o fim dessa fase == perder amigos)
É impossível não pensar nisso e eu falo por mim quando digo que prefiro acreditar que com esse fim estarei ganhando amigos, pois dessa forma vou perceber quem foram as pessoas que ficaram comigo até o fim e que desde o começo me ensinaram o básico do básico da lógica de minha programação. Eventualmente vai ter aquela pessoa que você nunca mais vai ver na vida e isso não é uma linha com um código errado. Não é nem um código que falta, um código que não valeu à pena. Nem ao menos é um código; é um branco que com o passar do tempo vai passar por ser tão insignificante. Quem está com você, você vai lembrar. E não tem essa de “com o tempo, vou esquecer; vão esquecer”. Tudo aquilo que você ama e pelo menos uma vez na vida colocou por cima dos seus próprios ideais, não somente vale a pena ser lembrado como será. Mesmo que você tente não lembrar, sua consciência ainda sabe da significância que você foi para as outras pessoas; para os outros algoritmos.
Else IF( eu gosto de você == eu te apoio)
Se de alguma forma vai valer a pena eu dizer que amei todos os momentos que passei juntos com essas pessoas, vou ter o orgulho de botar um fim na minha programação porque sei que além de tudo, contribuí pra pelo menos botar um pouco de confusão nesses três anos. Quero fazer parte do fluxograma da vida de muita gente e quero que muita gente faça parte do meu. Quero não me importar com esses termos chulos, nerd’s e não-tão-nobres porque daqui a pouco não vou ter a oportunidade de fazer isso e provavelmente vou me arrepender. Quero o abraço apertado e o sorriso estampado. Quero dizer que, apesar de tudo, sempre terei uma declaração de minha programação que pode ser alterada. Quero agradecer. Quero dizer que apoio vocês. Quero dizer que quando a saudade for demais e não caber no meu peito, vai escorrer pelos olhos. Quero mais tempo pra ficar com vocês e como nunca fui sincero antes, quero dizer que amei ter vivido tudo isso que eu vivi.
End IF
A verdade é que no fim de tudo, mesmo que eu ainda não acredite, tenho certeza absoluta que me vou sentir perdido e vou sentir falta de tudo o que estou passando. São os últimos momentos, é agora que eu tenho que ver se a luz do flash foi nestes três anos suficientemente atraente a ponto de eu me certificar que a figura ficará gravada pra sempre antes que entre a próxima linha de minha programação.
Else IF(saudades == batem forte no peito)
Aqui, não sei programar. Não faço a mínima ideia de como proceder e pra falar a veracidade eu já estou com receio do que está por vir... Meu maior medo provavelmente não é “perder” essas pessoas que conviveram comigo por um tempo tão grande, o meu medo maior é não ter essas pessoas pra me apoiar nesse tempo maior que está por vir; valeu de alguma coisa terem me dito que nessa vida nova que ingresso não vou ter pessoas pra me segurar pela mão e que me mostrem o caminho correto. Aqui tenho um laço dentro do outro, assim como me enlacei com todas essas pessoas que de alguma forma me marcaram. Todos em conjunto uniformemente variados.
___While (enquanto eu respirar)
___Vou me lembrar de vocês
Else IF(e se você não souber lidar == como faz?)
Relaxa, você não é o único; há um erro de concordância e o programa vai travar. Não é você, somos nós. Nós não sabemos lidar.
Essa é a parte da programação que você sabe que nem se você jogar no Google e ir até a ultima página da pesquisa vai achar um tipo de variável que vai poder armazenar todas as respostas que você procura. Agora você vai ter a chance de mostrar para o mundo todos os seus sonhos e todas as suas ambições. Seu banco de dados acabou de ser criado, trate de cuidar bem dele pra não ficar incoerente com seu sistema. Ele vai crescer como você.
Else IF(se o fim dessa fase == perder amigos)
É impossível não pensar nisso e eu falo por mim quando digo que prefiro acreditar que com esse fim estarei ganhando amigos, pois dessa forma vou perceber quem foram as pessoas que ficaram comigo até o fim e que desde o começo me ensinaram o básico do básico da lógica de minha programação. Eventualmente vai ter aquela pessoa que você nunca mais vai ver na vida e isso não é uma linha com um código errado. Não é nem um código que falta, um código que não valeu à pena. Nem ao menos é um código; é um branco que com o passar do tempo vai passar por ser tão insignificante. Quem está com você, você vai lembrar. E não tem essa de “com o tempo, vou esquecer; vão esquecer”. Tudo aquilo que você ama e pelo menos uma vez na vida colocou por cima dos seus próprios ideais, não somente vale a pena ser lembrado como será. Mesmo que você tente não lembrar, sua consciência ainda sabe da significância que você foi para as outras pessoas; para os outros algoritmos.
Else IF( eu gosto de você == eu te apoio)
Se de alguma forma vai valer a pena eu dizer que amei todos os momentos que passei juntos com essas pessoas, vou ter o orgulho de botar um fim na minha programação porque sei que além de tudo, contribuí pra pelo menos botar um pouco de confusão nesses três anos. Quero fazer parte do fluxograma da vida de muita gente e quero que muita gente faça parte do meu. Quero não me importar com esses termos chulos, nerd’s e não-tão-nobres porque daqui a pouco não vou ter a oportunidade de fazer isso e provavelmente vou me arrepender. Quero o abraço apertado e o sorriso estampado. Quero dizer que, apesar de tudo, sempre terei uma declaração de minha programação que pode ser alterada. Quero agradecer. Quero dizer que apoio vocês. Quero dizer que quando a saudade for demais e não caber no meu peito, vai escorrer pelos olhos. Quero mais tempo pra ficar com vocês e como nunca fui sincero antes, quero dizer que amei ter vivido tudo isso que eu vivi.
End IF
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
estar afim
Não sei o que é mais preocupante: estar afim de uma pessoa e não saber sua orientação sexual ou estar afim e saber que ela não gosta da mesma coisa que você. Nem tudo o que parece é daquele jeito.
É aquela amizade que você sempre teve medo de explorar.
Isso tem me preocupado um pouco ultimamente. É um desejo carnal mais forte do que eu, é a vontade de ter o enlace dos corpos que sei que consequentemente vai me trazer o tão aguardado prazer. Tenho me perguntado se pode valer a pena dar uma investigada e instigada para - pelo menos tentar! - ser um pouco mais maleável e descobrir se aquilo pode me trazer algum benefício futuro ou simplesmente vou ter que me contentar em ficar na dúvida porque a resposta pode não ser o que eu esperava. A dica varia, mas não muda a variável.
Nem que eu conte até dez, nem que eu conte até vinte... Simplesmente não sei responder isso e a minha preocupação está me tirando do sério porque sei que ainda virão mais meses e que nestes meses essa intensidade carnal vai apenas aumentar. A voz se ampliará e a cada vez que as horas passarem vou querer mais aquilo que nem sei se posso ter. Socorro, Javé Salvador! Socorro, Cicarelli!
Como faz? Não faz?
É aquela amizade que você sempre teve medo de explorar.
Isso tem me preocupado um pouco ultimamente. É um desejo carnal mais forte do que eu, é a vontade de ter o enlace dos corpos que sei que consequentemente vai me trazer o tão aguardado prazer. Tenho me perguntado se pode valer a pena dar uma investigada e instigada para - pelo menos tentar! - ser um pouco mais maleável e descobrir se aquilo pode me trazer algum benefício futuro ou simplesmente vou ter que me contentar em ficar na dúvida porque a resposta pode não ser o que eu esperava. A dica varia, mas não muda a variável.
Nem que eu conte até dez, nem que eu conte até vinte... Simplesmente não sei responder isso e a minha preocupação está me tirando do sério porque sei que ainda virão mais meses e que nestes meses essa intensidade carnal vai apenas aumentar. A voz se ampliará e a cada vez que as horas passarem vou querer mais aquilo que nem sei se posso ter. Socorro, Javé Salvador! Socorro, Cicarelli!
Como faz? Não faz?
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
VDM
"Hoje, eu saí pra jantar com minha família pra comemorar meu aniversário de 18 anos. De brincadeira, eu coloquei 3 palitos entre meus dedos pra ficar parecido com o Wolverine. Eu virei pro meu sobrinho de 6 anos e perguntei, "Quem sou eu?". Ele respondeu: 'Um idiota'. "
terça-feira, 3 de novembro de 2009
os minutos que antecedem
É dia de sol e você põe sua melhor roupa. Se é mulher, se maqueia e faz questão de dar a volta na cabeça e ainda fazer um lacinho com o delineador. Se é homem, aí depende. Tem uns que só jogam o boné... Dizendo por mim, eu adoraria me arrumar por uma meia hora antes desse momento.
Você chama seus amigos - ou é chamado - e vai dar uma volta.
Vai pro parque, pra praia ou pra casa de alguém - onde tudo provavelmente vai acabar em bebidas e álcool.
Se pá vai ter sempre algum deturpado que vai acabar jogado no canto de tão drogado que ficou. Tua reação vai ser nula, afinal você não tem culpa das identidades exóticas alheias e tampouco vai se prontificar a cuidar do drogado do dia. Pega tua câmera e registra a cena.
Dá mais uma voltinha e se sente perdido. Uns causando, outros drogados. Alguns casais e alguns igual você. Perdidos. Não digo perdido como se você não soubesse o que faz ali, porque você provavelmente sabe. Mas perdido no sentido de que todos eles têm uma noção do que querem, todos eles estão felizes - ou tristes - por algo que escolheram e que - em pelo menos alguns casos - eles não trocariam esse estado de espírito por nada nesse mundo.
Você bate a foto sem saber entender em qual ângulo vai se encaixar melhor. Continua na boa com os amigos e observa os casais se beijando - e não se espanta por eles serem gays porque você sabe que também é - e verifica os outros amigos, dispersos no que sabem fazer de melhor sem ter a consciência de que aquilo provavelmente não é nada perto do que são realmente capazes de ser (e fazer).
Você se lembra que quando a saudade não cabe no peito, escorre pelos olhos. E não consegue bater a foto disso.
Espera que uma mensagem subliminar te chame a atenção e te mostre pra quê você realmente serve. Se é para amar, se é para se drogar, para beber, ser observador e bater foto ou simplesmente comentar a respeito da vida dos outros, confiante de que algum dia alguém fará o seu papel e comentará a respeito de tua vida com exatamente o mesmo receio que você tem com as palavras.
Agora a foto é imaginária. Dá um sorriso com a mão na cintura ou manda beijinho? Desconhece a pose.
Passa o cartão, compra a cena e espera sentado o dia em que ela vai se salvar.
Você chama seus amigos - ou é chamado - e vai dar uma volta.
Vai pro parque, pra praia ou pra casa de alguém - onde tudo provavelmente vai acabar em bebidas e álcool.
Se pá vai ter sempre algum deturpado que vai acabar jogado no canto de tão drogado que ficou. Tua reação vai ser nula, afinal você não tem culpa das identidades exóticas alheias e tampouco vai se prontificar a cuidar do drogado do dia. Pega tua câmera e registra a cena.
Dá mais uma voltinha e se sente perdido. Uns causando, outros drogados. Alguns casais e alguns igual você. Perdidos. Não digo perdido como se você não soubesse o que faz ali, porque você provavelmente sabe. Mas perdido no sentido de que todos eles têm uma noção do que querem, todos eles estão felizes - ou tristes - por algo que escolheram e que - em pelo menos alguns casos - eles não trocariam esse estado de espírito por nada nesse mundo.
Você bate a foto sem saber entender em qual ângulo vai se encaixar melhor. Continua na boa com os amigos e observa os casais se beijando - e não se espanta por eles serem gays porque você sabe que também é - e verifica os outros amigos, dispersos no que sabem fazer de melhor sem ter a consciência de que aquilo provavelmente não é nada perto do que são realmente capazes de ser (e fazer).
Você se lembra que quando a saudade não cabe no peito, escorre pelos olhos. E não consegue bater a foto disso.
Espera que uma mensagem subliminar te chame a atenção e te mostre pra quê você realmente serve. Se é para amar, se é para se drogar, para beber, ser observador e bater foto ou simplesmente comentar a respeito da vida dos outros, confiante de que algum dia alguém fará o seu papel e comentará a respeito de tua vida com exatamente o mesmo receio que você tem com as palavras.
Agora a foto é imaginária. Dá um sorriso com a mão na cintura ou manda beijinho? Desconhece a pose.
Passa o cartão, compra a cena e espera sentado o dia em que ela vai se salvar.
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