sábado, 18 de setembro de 2010
de vez em quando eu não gosto do que eu escrevo e aí fica uma merda.
Quando eu gosto do que escrevo sempre acabo comentando, mas como não gostei vou deixar aí até ir passando e passar dos dez posts da página inicial e passar pra segunda página que vai passar pra terceira e passar pra quarta e passar e passar e quando passar vou ver que ninguém teve curiosidade de ler e aí vai passar mais ainda e eu não vou gostar, mas vou pelo menos fingir que não vou ligar por ter passado.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A mensagem
Sinto-me privado. De quem eu sou nos dias úteis, de quem quero ser nas noites úteis e de com quem quero estar nos fins de semana. Privado de coisas normais que fariam qualquer pessoa normal se sentir normal e menos convencional.
Tive hoje o exemplo perfeito. Enquanto trabalhava acessei o twitter. Ninguém mais se espanta comigo porque eles nem têm mais tempo de se espantar: eu parei de esconder. Não escancarei nada, apenas deixei a porta encostada por muito tempo... Agora abriram e querem que eu feche. Bom, fuçaram lá. No twitter. E na porta encostada. E o background sugestivo da “lady gaga” trouxe pensamentos que viraram sugestões que viraram comentários que viraram maldades que viraram perguntas que viraram respostas que viraram espanto.
Não me importei com a cara de assombro nem com o fato de aceitarem ou não a “verdade”. E nisso eu falo de verdade mesmo! A única hora que senti mal foi quando eu percebi que eles queriam que eu desse a resposta errada pra pergunta certa, como se no fundo mentir fosse a verdade.
E a verdade fosse mentira.
Observei – novamente! – que existem pessoas que não são instruídas, que vão continuar procurando pelo em ovo e que não vão saber entender uma vida sem antes julgá-la. Esse texto é o conjunto de palavras clichê de qualquer pessoa que passa pela mesma situação que eu e ainda não se acostumou com ela.
Falo em nome dos que passam o mesmo que eu quando digo que quero nada. Que não quero exigir compreensão, respeito nem transparência de ninguém. O nada é suficiente.
Esses dias eu estava andando na rua e alguns “moleques” – uso esse termo porque honestamente não sei qual outra palavra posso aplicar aqui – me xingaram. Olha, eu não tenho uma melancia na cabeça, não está escrito bobo na minha testa, não como bosta e esqueço de limpar a cara, não assalto (risos), não ando sem roupas, não ouço funk no volume mais alto do celular, não mato, não tenho cabelo ruim, não gosto do Fiuk tampouco sou fã de Restart.
Se perguntarem o que eu vejo, eu respondo: não vejo nada porque a franja tampa. Então por quê, meu Deus, sou tão cagado se nem ao menos tenho a chance de encarar a pessoa que caga em mim? Não acho resposta nenhuma e se eu paro pra pensar nos motivos de tamanha falta de educação, só vejo dois motivos para as pessoas mexerem tanto comigo:
1) Sou uma pessoa linda;
2) Sou um dragão.
Bom, onde eu quero chegar? Na verdade eu não tenho lugar nenhum para chegar. Em meu trabalho, hoje fizeram uma piadinha um pouco distante de mim. E eu era a piada. E sorriram para mim como se estivessem me cumprimentando a distância e me senti péssimo, sabe por quê?
Porque eu não sabia responder esta pergunta. Eu não sabia se eu estava ruim porque eu era a piada ou porque eu estava sendo excluído da piada. Eu fiquei com medo de sofrer algum tipo de represália por não saber lidar com esta situação. No trabalho, relaxei com dois meses. Experimente se trancar em uma sala com três pessoas que reprovam suas atitudes. Ou você fica louco, ou você cede ou você fica meio louco novamente. Enquadrei-me nos três casos por dois meses gostosos e tortuosos. Hoje, devo ter criado algum quarto caso. Ainda não sei. E não devo querer saber. E não faz diferença, só acho válido dizer que onde tem problemas, tem algum jeito de se resolver...
Você que tem mau humor, que é irônico, que passa por falta (ou excesso) constante de bebida, que tem problemas e arranja soluções, que tira fotos, que é visionário, que sai pela rua sozinho de madrugada, que marca cabeleireiro sem saber o que fazer quando chegar lá, que tem vícios, que vai para baladas, que beija, transa, fere o ânus, faz amigos – e inimigos – e tem defeitos e cansou de sentir prazer pelo sexo não-tão-oposto-assim.
Você que fala mal dos outros.
Você que fede de vez em quando. Você.
Que é você.
Respeite-se um pouco mais, ok? Não é demais pedir... E se não quiser respeitar, simplesmente não faça nada.
E se "não fazer nada" for muita coisa pra pedir, posso te pedir apenas para clicar aqui?
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Sonho
Eu não sabia se estava feliz ou triste. Era um sonho, mas isto não impediu que meu estado de espírito se mostrasse presente.
Acho que na verdade eu estava surpreso. Eu não esperava arregalar meus olhos e encontrar aquela pessoa parada em minha frente, sorrindo como se o meu mundo tivesse voltado ao seu redor. Não, seria muita indelicadeza. Esses cabelos loiros e espetados que esvoaçavam para fora de meus sonhos, mas ao mesmo tempo conseguiam ficar impregnados em minha mente, condiziam com seu sorriso incontestável e a barba por fazer que, de tanto eu reclamar para que ele as raspasse – na tentativa vã – acabou criando algum tipo de charme que, com o tempo, se tornou característica quase indispensável em seu corpo.
Ele sorriu e perguntou "tudo bem?" e tudo mudou. Eu não estava mais em casa. Pisquei os olhos e acordei no meio de uma balada na paulista.
Não entendi nada, mas por algum motivo aquilo foi totalmente o que eu precisava. O som de fundo tocava e eu desconhecia as batidas do remix, mas conhecia a voz máscula da Cher que abafava meus ouvidos e limpava aquela sujeira sonora.
Eu respondi que estava muito bem também - obrigado! - e por estar praticamente abduzido por aquela imagem linda em minha frente, esqueci de fazer a pergunta de volta, o que causou algum tipo de arrependimento depois e deixou meio vaga a ideia de que eu não queria puxar papo.
Eu não sei o que ele pensava em meus sonhos, mas eu só sei que eu não queria que ele me acordasse. Queria que nossas ideias batessem desta vez e que seus olhos azuis - ou verdes? - olhassem para os meus da mesma forma que eu cheguei a olhar para os dele. Em meus sonhos, as correntes da ligação eram ligadas apenas por mim. Eu consegui sustentar o olhar.
O olhar foi retribuído e, apenas nestes segundos ínfimos e íntimos de dor que não tinha motivo pra existir, me senti mais próximo dele como eu nunca havia sentido em toda a minha vida. Comparei esta dor como se nossos corpos sempre tivessem se tocado, desde quando eu senti pela primeira vez seus nervos através do braço quase-musculoso até a veia crescente de prazer em sua testa, com seu rosto suando como uma baba após eu ter proferido que o amava deitado em seu peito seminu.
Quando a Cher estava no ápice de sua voz ela foi interrompida por uma sanfona que indicava a mudança de música. Novamente me perdi em batidas incongruentes que eu não sabia entender. Voltei a escutar a música – Janis Joplin, por sinal – e desta vez, ao reconhecer o som, as batidas começaram a se tornar mais audíveis.
O sorriso do meliante em questão se expandia a cada passo em vão que eu dava e, imaginando como eu faria se o mesmo não estivesse ali, não me dei conta de que estava chorando até ele me abraçar e sussurrar em meu ouvido que aquelas batidas que eu ouvia – as batidas que eu confundi inicialmente e com o tempo acabei me acostumando, as batidas das minhas músicas preferidas – eram as batidas de seu coração ao me encontrar e ver em meu sorriso a resposta daquilo que ele veio em meu sonho procurar.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Vou contar pra vocês que
Ultimamente querem muito - mas muito! - que eu fique meio felipe.
Essa frase já é uma sentença completa.
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