segunda-feira, 30 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Do que fazer
Geralmente na segunda eu paro um pouco para pensar na vida e no que vai fazer para mudá-la no decorrer da semana. Quase nunca mudo, mas mesmo assim não deixo de pensar.
Hoje, entretanto, foi diferente. Parei de pensar sobre o que eu tenho que fazer para a vida e comecei a pensar sobre o que a vida tem para mim. É uma opinião egoísta e nem um pouco lúcida, confesso, mas foi o que pensei.
Meus pensamentos mudaram em uma transição que eu não pude acompanhar, minha mente viajou no meio de uma noite no sábado de uma forma que eu não estava acostumado a ter e, sem me preocupar com absolutamente nada, deixei que essas mudanças acompanhassem o meu próprio ritmo - lento, preocupado e esperançoso.
Eu não vou descrever nada que aconteceu porque isso não interessa a ninguém - nem mesmo a mim - mas eu posso adiantar que foi o suficiente para dar um "click" em minha cabeça. Talvez por não ter nada o que dizer esse texto fique incoerente e sem sentido algum, mas na realidade nada do que escrevi teve algum dia qualquer coisa que possa ser reconhecida.
Quando descrevo sentimentos, é porque não entendo os sentimentos... E a mensagem que passo é essa: de ilusão e confusão, nada mais e nada menos do que realmente sinto.
Minha falta do que fazer baseia-se nesse assunto que não sei do que se trata.
Hoje, entretanto, foi diferente. Parei de pensar sobre o que eu tenho que fazer para a vida e comecei a pensar sobre o que a vida tem para mim. É uma opinião egoísta e nem um pouco lúcida, confesso, mas foi o que pensei.
Meus pensamentos mudaram em uma transição que eu não pude acompanhar, minha mente viajou no meio de uma noite no sábado de uma forma que eu não estava acostumado a ter e, sem me preocupar com absolutamente nada, deixei que essas mudanças acompanhassem o meu próprio ritmo - lento, preocupado e esperançoso.
Eu não vou descrever nada que aconteceu porque isso não interessa a ninguém - nem mesmo a mim - mas eu posso adiantar que foi o suficiente para dar um "click" em minha cabeça. Talvez por não ter nada o que dizer esse texto fique incoerente e sem sentido algum, mas na realidade nada do que escrevi teve algum dia qualquer coisa que possa ser reconhecida.
Quando descrevo sentimentos, é porque não entendo os sentimentos... E a mensagem que passo é essa: de ilusão e confusão, nada mais e nada menos do que realmente sinto.
Minha falta do que fazer baseia-se nesse assunto que não sei do que se trata.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
die and let live.
Fico louco toda vez que vejo o quanto me identifico com todas as passagens da minha vida. Essa semana, decidi há tempos atrás, eu tentaria fazer a diferença.
Em um dia específico daquele fim de semana - de todos os sete dias que eu teria chance - era o dia que julguei mais adequado para definir mudanças em minha vida.
Longe de apresentações, meu nome é Felipe. Falo meu nome porque acho mais fácil estabelecer uma conexão com a história. Com um sujeito identificado, você certamente saberá que o que acontece na história acontece com ele. Sem medo algum de sofrer alterações no decorrer dos fatos.
Um prazer a todos aqueles que gostam de nomes em contos mal-feitos.
Era cedo, ainda. Acho que eram oito horas da manhã, não tenho certeza do horário que o relógio mostrava. Eu ainda sentia sono e a preguiça de levantar me dominava, mas eu não podia me deter por isto. Era fim de semana, de qualquer forma. Eu poderia levantar na hora que eu costumava dormir que não faria diferença nenhuma, mas naquele dia eu tinha compromisso. "Hoje à noite", pensei, "preciso fazer uma visita surpresa."
Levantei da cama, tomei um banho, vesti uma de minhas roupas que me dão uma aparência natural e caminhei em direção ao shopping já com a ideia na cabeça.
"O cubo é mágico ", devo ter pensado. Algo me dava a entender que aquela noite era necessária. Eu precisava mesmo me assumir, segurar um sentimento destes é quase que assumir suicídio. Errado quem diz que o amor quando é grande não pode ser descrito. Para este tipo de pessoa, o máximo que pode acontecer é conviver com o sentimento escondido.
Nunca fui este tipo de pessoa e, sinceramente? Já me arrependi de não ter sido.
Me ferrei por ter amado. Já me apaixonei por pessoas que valiam e que não valiam serem amadas. Não me arrependi de nenhuma delas, muito embora hoje se eu pudesse escolher, selecionaria tudo com muito mais praticidade.
Hoje amo uma pessoa que é tão diferente das anteriores que chego a fugir do clichê da humanidade. Prometi aperfeiçoar meu jogo do amor, porque desta vez ele tinha que dar certo.
Comprei um cubo mágico que, se dependesse de mim, faria a magia fluir. Entregá-lo-ia ao garoto que amo com a seguinte frase impressa: "O dia que você conseguir montar este cubo será o dia em que deixarei de te amar."
Não sou burro, é claro. Obviamente pensei nesta brincadeira muito premeditadamente, uma vez que ele não teria a capacidade mental e física de resolver um cubo mágico. Ninguém teria. E a atendente da loja riu enquanto me entregava o presente não mais embrulhado em minhas mãos. Antes que eu pudesse sair do shopping, o cubo já estava completamente bagunçado e eu honestamente me orgulhei de tê-lo deixado naquele estado. Tentei por alguns minutos entrar na brincadeira e arrumá-lo novamente, mas meu esforço foi em vão. Cinco minutos desperdiçados, eu acho. Não tenho paciência para aquilo também.
A sorte é que o brinquedo era apenas simbólico. Se eu recebesse algo desse estilo da pessoa que amo e com a frase que eu proferiria, eu certamente destruiria o cubo para anular as já nulas chances de resolver todo o mistério.
Iria querer que a pessoa me amasse para sempre.
Já com a brincadeira feita, parti sem medo nenhum para a surpresa. Me assumi anteriormente para grandes amores, é fato, mas este tinha algum mistério. Não demorei para chegar até sua faculdade e deparar com seu rosto simbólico e o sorriso emburrado na portaria.
Ele era tudo o que eu nunca imaginei que teria. Nem ao menos tentei disfaçar toda a surpresa em meus olhos. Pelo contrário; eu queria que ele a visse. Hoje eu queria ser notado. Sem que ele me visse, cheguei perto com uma confiança incrível em meu olhar.
Ela se desfez quando ele me encarou.
Seu olhar era inexpressivo. Sem vida e sem dor. Ele não mostrou nenhuma expressão quando me viu e isto me deixou um pouco constrangido. Não tão constrangido a ponto de desistir de minha declaração, é claro. Desistir daquilo parecia impossível na altura do campeonato.
Dei um abraço que eu não soube controlar, e o retorno foi simplesmente suave. Ele me abraçou educadamente com seus braços e senti seus ossos em minha volta.
Por um mínimo instante, eu quis viver aquele momento pelo resto de minha vida. Era egoísta, eu sabia. Mas não me importava. Sorri sem querer.
Ele era tão alto quanto eu, o que me deu a primária sensação de igualdade.
Sua boca tinha formato de maçã. Seus olhos eram profundos e tristes. Tristes o suficiente para me deixar com vontade de consolá-lo o tempo necessário. Eu queria que seu contorno se tornasse menos perigoso e mais ofensivo. Ele era magro. Alto, magro e branco. Seu cabelo era estranho, confesso. Eu não sabia para que lado estava jogado e a franja por cima de seus olhos não auxiliou minha pesquisa em absolutamente nada. Ele tinha mãos grandes e finas, muito parecidas com aquelas dos ETs que você acha nos filmes, sabe? De alguma forma extremamente cautelosa, achei aquilo espetacular. Tudo o que eu sabia fazer era admirá-lo. Ele era lindo.
E através de todos estes sentimentos, despejei nele tudo o que eu planejei despejar o dia inteiro. Escolhi todas as palavras cuidadosamente e, por um pequeno momento, vi seus olhos se arregalarem diante de tudo aquilo que ele nunca deveria ter imaginado. Ele sempre me surpreendia, mesmo sem dizer absolutamente nada.
Fui estudado por um minuto que mais parecia uma eternindade e seus lapsos e tiques de surpresa me deixaram mais tenso ainda. Eu não sabia o que ele pensava e, pior do que isso, eu não sabia se queria saber o que ele pensava. A insegurança me atingiu e tremi.
A resposta veio baixa, mas pela surpresa de tê-la ouvido parecia mais como se eu tivesse ouvido um grito: "amo você". Essas foram suas primeiras palavras que, para mim, eram as únicas que eu queria ouvir. Meu tremor não passou com estas palavras. Pelo contrário, ele se intensificou. Subiu a um nível que eu já não me impressionava mais em presenciar e minha primeira reação instintiva foi beijá-lo.
Ele puxou meu beijo para um abraço, desviando de si todas as chances de me ter. Naquela vez, porém, percebi que seu abraço tinha algum significado. Foi carinhoso - quase fraterno - e fiquei com medo. Ainda em choque, me surpreendi quando ele abriu a boca para conversar. Ele tinha muitos assuntos. Parecia que aquelas palavras que proferi eram a chave necessária para fazer com que ele se abrisse. Fiquei sabendo de histórias que não me interessavam e que não acrescentariam em absolutamente nada em minha formação, mas mesmo assim assenti, na tentativa de agradá-lo. Sua alma enfadonha era muito infantil. Me senti próximo e conectado.
O fato dele ter me olhado dos pés a cabeça me deixou corado, mas eu gostei. Fui notado pela primeira vez e, logo após deste ocorrido, ele se aproximou e senti sua respiração mais próxima de mim.
Meu coração bateu tão forte que provavelmente rasgou meu peito. Seguro de que esta era minha chance, tomei-o em meus braços. Eu não o daria a chance de escapar e este não era um bom momento para bater papo.
Acho que nós dois percebemos isto. Beijei-o como eu já havia beijado outros amores antes. Sempre com o mesmo fogo, a mesma ardência e a mesma respiração palpitante. Ele percebeu, mas não se afastou. Havia algo nele que o fazia querer estar perto de mim, e não era simplesmente o fato dele ter gostado ou não do meu beijo.
Eu soube como utilizar essa porcentagem em meu favor e me aproximei mais ainda, prensando-o contra a parede. Meu beijo desta vez foi mais tenso, mais violento. Ele pegou em minha cintura com uma mão e no meu pescoço com a outra. Me senti tonto com sua mão gelada e, por isso, ele provavelmente deve ter notado que meus pêlos se eriçaram. Eu o beijava loucamente e, quando ele me abraçou contra seu corpo, não pude comprimir minha excitação.
Isto me envergonhou, mas ele não pareceu se importar. Não senti o mesmo da parte dele e, embora eu não estivesse esperando um sexo casual na frente da faculdade, não gostei. Ele largou minha boca por instantes e, como um selvagem, partiu em direção a meu pescoço. Sua pouca barba no rosto me deixou alarmado e, em poucos segundos, percebi que meu pescoço havia sido o alvo o tempo todo. Não entendi o que estava acontecendo, mas voltei para o beijo.
Seu beijo era cálido, suave e doce. Ele estava com uma goma de mascar na boca e - pode parecer nojento - quando terminamos de beijar, o doce era todo meu. Ele largou minha cintura e tirou os braços de meu pescoço. Suas mãos estavam soltas e aquilo me incomodou.
Ele nem ao menos estava se importando em fazer com que eu me sentisse bem, enquanto eu estava apavorado, agarrado e concentrado somente nele naquele momento.
Dominei-o de todas as formas que eu o podia. Seu corpo virou uma luva em mim; caiu da forma que eu quis.
Não soube muito bem se sua intenção era ser tomado por mim, mas eu estava agitado demais para pensar naquilo. No ato de desespero, soltei um "amo você".
Mais uma vez.
"Também amo você", a resposta veio como um jato. Sorri incrivelmente, agora notando o quanto meu coração ainda podia palpitar.
"Então me beija", sussurei.
Vendo-o deslocar-se de mim, soltei-o, ainda sem saber o que estava acontecendo. Seu sorriso era magnífico e resplandecia em mim toda uma vida inteira que eu nunca soube onde encontrar. Aquilo me emocionou.
Como se eu estivesse esperando por uma resposta, ele simplesmente fez um carinho soberbo em meu ombro e afastou-se, sorrindo para mim.
Fiz tudo errado, e enquanto eu gritava mentalmente "me perdoa!", sofri por não tê-lo comigo ali.
De repente eu estava de volta em meu mundo sozinho, vendo meu alvo-impossível se afastar com um cubo misterioso em uma das mãos, a mochila novamente pendurada em suas costas, a goma em minha boca como o término de uma vida e sua franja balançando contra o vento que, sem piedade nenhuma, espalhava as lágrimas que se alastravam em meu rosto.
_
Não comi por alguns dias. Eu não sabia o que havia de errado, mas eu não estava disposto a desistir de minhas descobertas. Ele já sabia o quanto eu o amava e, sem perceber, dias depois notei que minha vida estava cem por cento conectada com a dele. Era doentio. Eu o via e não o beijava. Apenas o via, como se fosse uma visão divina que merecesse cuidado o tempo todo.
Optei por fazê-lo sentir minha falta, embora eu tivesse desistido deste plano até o fim da semana. Quando você sofre por amor e quer punir a pessoa amada que te humilha, um dia de 24 horas parece meses. Em três dias desisti. Voltei a usar o msn e todos os meios não-visíveis para fazê-lo se aproximar de mim. Sempre frio.
Eu nunca mais havia dito que o amava e eu já estava começando a perder a vontade de dizê-lo.
No fim de semana seguinte - que parecia anos depois - resolvi vê-lo novamente e redescobrir minhas vontades. Mandei uma mensagem, ainda sem jeito: "Estou saindo daqui e morrendo de saudades de você. Te encontro em quinze minutos."
Não havíamos combinado sobre o fim de semana. Eu precisava tomar uma atitude. Peguei minha carteira, o celular e saí porta afora. O celular vibrou em minha mão e, contente com o susto e com o nome exposto no meu visor, abri a mensagem sem nem ao menos pensar em seu conteúdo.
"Pode vir. E te abraço enquando digo o quanto te amo."
Meu mundo voltou a fazer sentido. Lembrei de seu sorriso torto em minha frente dizendo coisas que eu não acreditava, de sua voz decidida me apontando o caminho certo, de seu carisma escondido em algum lugar que eu nunca consegui decifrar, de seus defeitos, de sua frigidez, de sua falta de atitude e de todos os seus defeitos que me davam a convicção de que aquele sofrimento ilusório era, sem sombra de dúvidas, o meu lugar.
Pensei em responder a mensagem, mas interrompi a ideia antes de terminar a mini edição. Preferi guardar minhas lágrimas para quando o visse pessoalmente.
domingo, 15 de agosto de 2010
live and let die.
Hoje eu vou inventar alguma ficção e introduzí-la em algum episódio decorrente de minha vida.
Para isto, preciso de um pseudônimo que não quero que tenha nome. O nome é uma fraqueza, é algo que desqualifica a dor generalizada e joga ela com toda a força em cima de alguém que não tem alicerces suficientes para aguentar. Eu não tenho, de qualquer forma.
No sábado, acordei ouvindo uma das músicas violentas dos Sex Pistols e quis levantar da cama gritando. Me olhei no espelho e vi a cara espantada de alguém que dormiu a noite inteira com a perna em cima da cabeça. Isso me fez rir.
Fui para a cozinha que - confesso, não é tão longe do meu quarto - e comecei a preparar minha refeição matinal. Na verdade, não era matinal e sim vespertina. Meu hábito de acordar depois do almoço nos fins de semana não é algo que muda e tampouco algo que quero mudar.
Dormindo posso sonhar. Acordado, não.
E pensei nos meus amores platônicos. Pensei que de todos estes clichês, eu gosto mesmo é de pensar em coisas que eu não posso ter.
Semana passada descobri que tenho um admirador não mais secreto. Ele foi estranho, disse que me amava através de um presente que eu nunca imaginaria que eu fosse ganhar. Ele disse "eu amo você" me entregando um cubo mágico, dizendo que o dia que eu descobrisse a combinação perfeita seria o dia que ele deixaria de me amar.
Felizmente - ou infelizmente, não sei - sou muito burro e pouco curioso pra ficar mexendo e tentando entender aquele brinquedo. Ele uniu a seriedade e o humor em uma coisa só. E eu ri.
E ele me amaria para sempre, deduzi.
Eu não soube o que responder de imediato e, enquanto ele me olhava com aqueles olhos misteriosos esticados como um elástico de aço, eu soube entender que eu não o amava. Minha segunda personalidade assumiu a forma. Ele era algo que eu podia ter. Era perfeito e voltei a pensar nas coisas que eu não poderia obter. Perdi o tesão sem conseguir pedir perdão, mas mesmo assim soltei um cálido "amo você". Ele era diferente, era alguém e algo que valia a pena insistir.
Ele veio para cima de mim mas não o beijei, o que foi longe de mim. Inventei desculpas e assuntos que fugiram de toda a nossa consciência. Vi seu rosto atordoado e não senti remorço. Eu tinha assuntos ainda para tratar. Quando não tivéssemos mais do que conversar, eu talvez - somente talvez - poderia pensar em beijá-lo. E isso não era algo que merecesse entrar em mérito.
Falei do dia em que eu deveria ter ido me alistar e não fui. Ele riu e jogou em minha cara que agora eu teria que esperar até o ano que vem para poder fazer de novo. Falei de coisas inúteis que infelizmente me deu a intenção de proximidade. Falei do quanto gosto de doces. Citei aventuras abrindo sacos de açúcar pra enfiar a cara lá dentro e sugar com o nariz aquele aroma incrível que diversas vezes me fez respirar grãos involuntários. Enlouqueci de tanto espirrar. Ele se interessou por todas as histórias, com o sorriso sempre estampado e a boca aparentemente sempre pronta para beijar.
Sua beleza não era algo que eu tinha notado até aquela hora. Ele se vestia como uma pessoa se veste corriqueiramente. Camiseta, calça jeans e um tênis sujo de saibro. Seu cabelo estava bagunçado, mas dava para ver que estava liso por causa da chapinha que a irmã dele provavelmente teria comprado. Seu perfume era natural. Na verdade, eu não senti cheiro algum. Nem cheiro bom, nem cheiro ruim. E isso incrivelmente me assustou.
Por um momento, me excitei com a ideia. Eu teria que me aproximar para descobrir, e ele era fácil demais para isto! Ele me amava. Quando alguém te ama loucamente em qualquer início de relacionamento, você pode fazer absolutamente tudo com esta pessoa e - mesmo que ela não goste - ela vai aceitar, porque precisa e sente a necessidade de te agradar. Em meu caso, até iludir seria fácil e eu já o tinha feito antes.
Se eu falei "amo você" sem relutar e sem pensar nas conseqüencias uma vez, o que me impediria de fazer o mesmo novamente? Esta era minha arma secreta caso nada desse certo.
Cheguei perto, na tentativa sucessiva de descobrir seu cheiro que tanto me excitava de longe. Ele não entendeu minhas ideias, é claro. Nem citei o fato.
Se eu falei "amo você" sem relutar e sem pensar nas conseqüencias uma vez, o que me impediria de fazer o mesmo novamente? Esta era minha arma secreta caso nada desse certo.
Cheguei perto, na tentativa sucessiva de descobrir seu cheiro que tanto me excitava de longe. Ele não entendeu minhas ideias, é claro. Nem citei o fato.
Mas entendi o que ele quis e, antes que eu pudesse ter pensado em qualquer tipo de atitude, fui tomado. Não senti absolutamente nada, mas eu deixei. Nossas línguas se misturaram e não tive que me esforçar para deixá-lo a vontade com isto. Ele ficou sozinho e, segundos depois, já o via se aproximando de mim colando seu corpo junto ao meu. Estávamos na frente da faculdade e não me importei com os olhares curiosos e homofóbicos do mundo externo. Naquela hora e naquele momento aquilo era tudo o que eu vivia. Eu só queria saber como era seu cheiro e, enquanto o beijava, descobria sentidos que me interessavam. Com uma mão, apertei sua cintura com uma força equilibrada e com a outra agarrei seu pescoço com a intenção já formada de torcê-lo alguns centímetros para a direita - como um vampiro faria para pegar sua presa - e descobrir seu cheiro ali mesmo. Ele deixou e senti seus pelos eriçados e sua excitação crescente por baixo das calças. Não me importei, nem ao menos senti o mesmo. Era apenas algo curioso e que achei interessante mencionar.
Fui como uma presa selvagem em direção a seu pescoço e - pasme, eu quis rir! - quando descobri que ele não tinha absolutamente nenhum cheiro. Aquilo me decepcionou, muito embora eu já o tivesse instigado o suficiente para que ele não me deixasse escapar tão facilmente. Sem que eu tivesse notado, percebi que seus braços me prenderam em um abraço perigoso, onde eu estava praticamente prensado contra a parede de mãos atadas, pernas presas, boca laçada e olhos somente pregados em sua louca visão em minha frente.
Senti uma dó que não coube em meu peito. Ele soube que eu não me interessava por ele e de algum modo ele percebeu que todo meu planejamento nada mais era do que um jogo para tirar alguma informação que, depois de tirada, me faria perder toda a graça.
Ele percebeu minha frigidez que não fiz questão de esconder e tentou me excitar, em uma tentativa vã. Eu parecia um boneco em suas mãos, sem me importar sinceramente com o que aconteceria comigo. Eu via sua paixão calorosa a seu modo explodindo por fora de sua mente - e de seu corpo - e eu não conseguia sentir absolutamente nada. Eu não quis mostrar que estava apaixonado ou algo do tipo, afinal eu não estava nem um pouco interessado em amá-lo tampouco fodê-lo. Ele era uma pessoa suficientemente interessante a ponto de ser poupada de sofrer minhas ilusões.
"Eu amo você", ele me repetiu no ouvido, provavelmente desesperado para que eu voltasse a agarrá-lo com a firmeza anterior agregada com algum tipo de interesse.
"Também amo você", retruquei quase imediatamente como que com a força do hábito.
"Então me beija", e foi a última coisa que eu precisava ouvir antes de empurrá-lo gentilmente de seu próprio abraço. Algo me fez ter compaixão ali e, de alguma forma, o mundo dele se entrelaçou com o meu. Antes que eu pudesse sorrir novamente e enganar minha própria verdade, dei as costas para ele e saí andando, deixando-o incrédulo, sem entender e sem tempo nem ao menos de perceber que estava chorando como eu nunca havia visto antes.
_
Completei a semana que se passou com um conjunto de ligações, emails, twitts, mensagens no celular, recados no orkut e facebook que honestamente não faziam a mínima diferença para mim. Eu o fiz, mesmo assim. Queria que ele me amasse sem eu ter que fazer o mínimo de esforço. E era fácil, pelo menos para mim. Não precisei beijá-lo novamente, mas eu nunca entendi o quanto eu o magoava por isso.
Não tive dificuldades em ser eu mesmo.
Ser eu mesmo consistia em manter a frigidez e não fazer absolutamente nada. Nunca foi tão fácil. Peguei o cubo mágico, ainda com a certeza de que eu nunca conseguiria montar o cubo. Não me enganei. Lembrando das palavras do admirador, fui capaz de desistir nos primeiros cinco minutos sem nem ao menos colocar uma cor ao lado da outra. Eu não era capaz de finalizá-lo, portanto meu admirador não era capaz de terminar de me amar. Na sexta de noite, fui dormir pensando nisto. Coloquei o cubo em cima da estante da sala e não liguei em deixá-lo lá para todos verem meu amor exposto. Ninguém perguntou nada porque ninguém entendeu nada.
Acordei no sábado, já dito logo no começo do texto, com tudo feito. Sex Pistols gritou em meu ouvido e por mais uma vez não me impressionei por saber cantar a letra inteirinha de sua música mais famosa.
Dei alguns passos e cheguei na cozinha. Peguei o cereal, o leite e o açúcar com o gosto já sem graça de tanto degustado e joguei tudo em uma mesma travessa sem cuidado nenhum, pois eu já sabia que todos os três ingredientes teriam que se tornar apenas um em meu organismo para depois serem expelidos com mais facilidade ainda. Pra quê me impressionar, então, se no final tudo sairia por um buraco multifuncional?
Peguei o cubo mágico e esperei por algo que ainda não sabia ao certo. Depois de terminar o filme que passava em um canal de filmes antigos, recebi uma mensagem do admirador secreto. "Estou saindo daqui e morrendo de saudades de você. Te encontro em quinze minutos."
Ok, então. Pode vir e fazer o que quiser. Não liguei pela roupa rasgada que eu utilizava como pijama e pelo cabelo bagunçado que eu usava. Nem ao menos me importei se eu estava ou não com bafo. Só queria que ele regojizasse de todas as formas o amor que eu não podia dar, contentando-se unicamente com a ilusão que caía bem entre nós dois.
Respondi a mensagem, ainda sem saber direito que mentira viria em minha mente: "Pode vir. E te abraço enquando digo o quanto te amo."
domingo, 8 de agosto de 2010
Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira de uma HK.
Vou escrever com as características que me compõem na maior parte de minhas escrituras.
Desgraça, nojo e escárnio.
Hoje, só sei do meu ontem. Tenho falta de sabedoria no que diz respeito a mim, embora eu sinta coisas que eu não consiga aceitar.
Desgraça, nojo e escárnio.
Hoje, só sei do meu ontem. Tenho falta de sabedoria no que diz respeito a mim, embora eu sinta coisas que eu não consiga aceitar.
Ontem só pude me compor por cima de figuras amistosas que sabiam o que queriam, enquanto eu perdurava - ou me pendurava? - na dúvida de saber se o que eu queria era certo ou errado e, instigado por esta própria dúvida, perdi toda a excitação de ficar uma noite com alguém que eu não conhecia.
Pra falar a verdade, me senti com vergonha de revelar irrelevâncias. Mordi minha mandíbula externa com toda a força que eu tive, procurando em mim lágrimas que – provavelmente sem motivos – deveriam sair do meu olho escorrendo toda uma tristeza falsa que eu queria transpassar, a qual faria com que os olhos amigos se tornassem para mim com cara de preocupação e sorrisos confortadores.
Eu consegui. Venci uma batalha sem sentido. E fiquei triste por não conseguir arranjar um motivo pra sentir ódio. Voltei para todos, sem nenhum motivo ruim aparente e com motivos suficientemente plausíveis para ficar feliz. E fiquei contente por ter tido uma oportunidade dessas no meio de tanta discórdia. Agarrei, ainda receoso de que a oportunidade de encontrar felicidade fosse fácil demais pra estar presente.
Conduzi todos os passos da noite, encontrando nela pessoas famosas e jornalistas que, mesmo sabendo que eram famosos, eu apenas quis dizer que gostava de seu quadro para socializar, nunca deixando de lado os cursos históricos que outrora quase cursei. Uma alta de cabelos ondulados e batom vermelho-sangue destacou-se pela noite, deixando sua sofisticada aparência, sua lata de cerveja gelada e seu sorriso supérfluo – mas sincero – contaminar o ar.
O inimigo do meu lado direito registrava os momentos da noite, clicando muitas fotos e deixando piscadelas e sorrisos que contradiziam sua vida e sua personalidade.
Aquele que lá me encontrou, com cortes sugestivos no cabelo e com peças emprestadas que completavam a vida brega que vivia, se sentiu bem. Foi induzido a se afastar por diversas vezes para completar sua insignificância bebendo drinques que não se diziam respeito e que fugiam de sua condição psicológica. Este membro, ainda em questão, foi o responsável por causar desconforto e confusão em minha cabeça em uma das saídas mais fluentes que dei em toda a minha vida.
O outro, sempre ao meu lado, era o mais próximo de interessante que eu poderia ter encontrado. Nada de sobejo, mas era alguém que sabia me agradar sem ter que fazer muito. Participou de loucuras que não interessa a quem vai ler, beijando o próprio foda-se para ver se conseguiria ser feliz. Corajoso, eu diria.
E os estranhos... Ah, sim. Sempre tem que ter estranhos para a história ter mais ênfase. E para papo com estranhos, a melhor forma de se obter resultados é pedindo isqueiro ou cigarro na área de fumantes que – sem desdenhar ambas as partes do clube – era a parte que mais tinha motivação e movimento.
Um movimento em branco e uma clareada nos dentes com bafo foram o que foi necessário para nos desfazer do membro que me constrangia, fazendo com que o mesmo se introduzisse planos duvidosos que até agora não consegui acreditar.
Mão no bolso.
E acabou o cigarro.
Mas que pena, pra quem teremos de pedir? Antes que eu pudesse olhar para o lado, eu já tinha a resposta. Ela estava clareada em minha direita, aguardando a oportunidade perfeita para falar comigo. Um sorriso se esbanjou.
E acabou o cigarro.
Mas que pena, pra quem teremos de pedir? Antes que eu pudesse olhar para o lado, eu já tinha a resposta. Ela estava clareada em minha direita, aguardando a oportunidade perfeita para falar comigo. Um sorriso se esbanjou.
Fui até lá, já sabendo que nenhum de nós dois queria mais o cigarro. O papo foi tão simples quanto eu poderia imaginar e, aonde as quatro mãos puderam se encontrar, calafrios – de frio por causa do tempo, não pela excitação (dica) – invadiram meu corpo, fazendo com que minha mentira se tornasse realidade. Mão no pescoço, na cintura e as outras duas que restaram abraçadas no peito faziam ritmos em um beijo que não deveria ter tido fim. E teve, sem trocas de telefone, sem um nome para se memorar, sem idéias de como proceder e sem continuidade. Foi apenas o que foi, uma classificação de línguas que se entrelaçaram e conjugaram verbos sem ter que necessariamente falar para fazer.
Foi uma noite com recordações, memórias falsas e um sonho que me fez acordar no meio da noite com lágrimas nos olhos, o corpo flutuando por um susto e o coração palpitando por algo que doía tanto, mas tanto, que deixei de entender.
domingo, 1 de agosto de 2010
porcentagem das fontes
Eu ainda não consigo acreditar o quanto a vida pode ser perfeita. Sou estranho, eu sei. Falo melhor da desgraça porque ela sempre cai melhor nos contextos. Ela é sempre quem chama a atenção do usuário-leitor e ultimamente é isso o que eu deveria precisar. Sei qual é minha 'desgraça', embora no fundo ela seja uma graça e não algo que eu vá comentar. Não agora.
Quero desabafar sobre as coisas boas que acontecem comigo e que sobreponho elas com coisas ruins, botando dramas e drinks por cima de tudo aquilo que já está bom do jeito que está.
Meu trabalho, meus amigos e minha vida estão em uma harmonia intacta. A balança está equilibrada, embora ainda tenda cair para qualquer lado a qualquer hora. Não me importo, porque estou bem. Elogios que caíram como uma luva fizeram 10% de minha noite, saudades que não tropeçaram nas coincidências fizeram mais 10%, atraso de anos para tudo o que nunca deveria ter tido atraso complementam em mais, deixa-me ver, 20%.
10% para os olhos brilhantes de felicidade.
E para nossa amizade, a porcentagem do teor alcoólico contido no brinde fodástico ao drinque de cravo e canela que complementaram nossa noite pela primeira – de muitas – vezes.
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