quarta-feira, 29 de julho de 2015

Finalização:

O texto abaixo foi escrito no dia 11/6/2010 e ficou guardado em rascunhos. Motivos: vergonha, vergonha e mais uma dose de vergonha.

"Essa semana parei para ler alguns textos que escrevi quando estava ‘apaixonado’. Sabe, era estranho. Eu me sentia como se eu fosse a pessoa mais sortuda do mundo e que eu tinha encontrado o amor da minha vida. Meu, faz pouco tempo! São meses, eu me lembro ainda do estado que eu estava quando eu podia chegar aos olhos da pessoa – que por sinal, hoje vejo que não fez nada pra merecer o sentimento que eu tinha – e dizer a ela o que eu sentia. Eu provavelmente diria “te amo” sem pestanejar se fosse necessário e ela pedisse.
Um minuto de silêncio.

Li todas – ou acho que todas - as minhas cartinhas de “eu te amo, mas tenho medo de dizer” e todo o resto. Lembrei da parte do caderno que separei só pra escrever dos meus sentimentos. Cheguei a me sentir como se eu estivesse me iludindo.
Sim, eu me iludi. Eram criações da minha mente, não era a realidade. Era o que eu acho que – veja bem, hoje eu acho – que eu queria que fosse real.

Eu era estranho. Irritava-me facilmente, sentia ciúmes involuntários por coisas banais e não sabia controlar minha simpatia.

Eu era ruim, eu amava e queria ser amado. Eu estava sendo egoísta, eu queria o amor de graça sem dar nada em troca.
Não me arrependo, se eu voltasse ao tempo talvez eu fizesse tudo de novo – só que desta vez, eu não me esforçaria para mostrar quem eu sou.
Alguém que não me passa confiança de que teremos um bom futuro não pode ser considerada uma pessoa que mereça meu sentimento e minha atenção pessoal.
E embora essa mensagem não queira passar absolutamente nada, eu quis passar. Quis compartilhar que hoje vejo tudo de um ângulo diferente, que me tratei e que hoje entendo e me entendo."


Depois de cinco anos, a diferença é que hoje não ligo mais para o que eu acho. Não tenho vergonha de externar.

Precisei de cinco anos pra isso! 
Sei que eu era, na época, somente um adolescente prematuro. Um garoto sentimental que se ofendeu demais quando o garoto que era apaixonado me negou, argumentando que jamais ficaria comigo e que eu precisaria me tratar. Senti-me um doente, e naquela época não era necessário muito para me deprimir. Foi combustível pra eu me afundar ainda mais em minha tristeza.
Eu era um cego pisciano apaixonado que realmente não sabia e não ligava para onde pisava.
Mudei bastante, mas gosto de ler minhas evoluções. Se eu pudesse dar um conselho para o meu eu de 5 anos atrás, certamente diria para levantar a cabeça e não se entregar para a solidão nem para o bullying. Mas eu não posso. 
O máximo que consigo fazer, neste momento, é respeitar minha memória de cinco anos atrás. Respeitar e amar. De uma forma que eu antes não era capaz.

algum tipo de reflexão aleatória

Hoje eu tive muitas reflexões da vida. É interessante que em cada momento sozinho uma nova reflexão é lançada. Não importa.
Seja em casa no meu quarto, na rua dentro do ônibus, sentado escrevendo um texto vazio ou uma mensagem de texto, seja no trabalho ou mesmo dormindo. Nossa mente sempre prega reflexões instáveis dentro de nós mesmos, e na maioria das vezes, não nos deixamos levar e ignoramos nossas intuições.
Isso só nos afasta de nós mesmos no quesito do auto-conhecimento. Quando deixamos de ouvir nossa voz interior, perdemos a consciência de quem somos ou porque estamos aqui. É importante deixar isso sempre marcado na mente e nunca esquecido dentro de nossas personalidades. Com o tempo, aprendemos no tapa a confiar mais em nossos instintos humanos e voz interior. Isso é fato.
Quero mudar isto na minha vida, pra falar a verdade. Quero permitir que minhas reflexões tomem mais tempo de mim. Quero que elas não sejam ignoradas por uma consciência massacradora que despreza essa minoria. (Politizando e problematizando em qualquer lugar ou assunto, devo ter aprendido isso em algum lugar...)
Percebi que quando abro minha mente para escrever, me forço a pensar. Me forço a pensar não somente em algo para escrever e tirar o peso de "escrever" da consciência, e sim em algo interessante que vá, de alguma forma, acrescentar algo em alguém - mesmo que este alguém nunca leia o texto.
Isso é uma reflexão mínima, que não necessita de nenhum tipo de apuração elevada para se perceber. Mas é um pensamento. Um pensamento que escapei agora e decidi escrever a respeito porque achei que deveria valer mais tempo do que eu originalmente daria.
Dá pra perceber? Foi um pensamento simples que tive. Mas que me trouxe uma reflexão maior de estar aqui.
Hoje também pensei no quão bizarro meu livro de coisas para se escrever pode ser também.
Eram pra ser 642 coisas - que entendi "coisas" por coisas simples. Erro meu! Hoje peguei dois temas que me deixaram de ponta-cabeça.
Como você poderia escolher se prefere ter um prêmio nobel ou ser um rock star? E em qual momento da sua vida você escreve seu obituário? E como se não bastasse isto, o quê você escreveria no seu obituário? Reflexões e reflexões.
Acho legal que sejam lançadas a rodo. Ouvi algumas músicas, depois de ter fumado maconha, e entrei em uma brisa bem intensa. Consegui ouvir e prestar atenção em cada acorde e me sentir vivo dentro daquele som. Literalmente.
Me senti feliz! Me senti em paz em um lugar onde o som daquela música não fazia nada além de me trazer tranquilidade e forças para continuar.
A música que ouvi foi "Gypsy", da Lady Gaga. Embora seja uma cantora pop, as letras têm uma pulsação forte de um coração louco por letras e por loucuras. Gypsy fala sobre largar tudo o que tem na vida para correr atrás dos sonhos. Gypsy retrata que, por mais difícil que possa parecer, desistir não é uma opção quando sabe-se o que foi deixado pra trás para alcançar um novo objetivo.
Por isto, a música é estigmatizada em torno de ciganos. Não consigo pensar - quero ser corrigido se estiver errado - em pessoas que curtem mais a vida do que ciganos.
Me coloquei na mente deles por algum tempo. Imaginei-me sem casa, lar nem pra onde ir e vir. Mas imaginei-me, ao mesmo tempo, feliz. Contente de saber que para onde quer que eu vá, irei para algum lugar. Contente de saber quer conhecerei coisas novas, lugares novos, pessoas novas, amores novos e passarei por problemas novos.
Não somente sem o medo de dar passos em cego, mas também com a certeza de que, onde quer que eu pise, pisarei em algum lugar que me traga novas experiências.
Percebo, também, que não posso ser totalmente bonzinho comigo mesmo. Não tenho mais uma mente imaginaria que me safa de todas as merdas que penso e apronto. Tenho uma mente que me deixa ser capaz de ser meu próprio dono, mas que de vez em quando reluta entre a razão e a emoção. Acho que essa capacidade de saber o certo e o errado é o que nos faz racionais, e a capacidade de ter dúvidas é o que nos faz humanos.
O pensamento é único e intransferível, mas as palavras não. As palavras de um pensamento podem ser repassadas a diante, por mais que, mais uma vez, seus sentidos sejam dúbios.
Vai saber...

No mais, passei dois bons dias. Escrevi este post em dois dias, aliás. Esqueci de citar todas as vezes que pensei. Também não me lembro o ponto onde parei em um dia para continuar no outro, mas suspeito que seja entre o corte de uma ideia e outra. É difícil continuar a mesma linha de raciocínio...

Pra finalizar, estou com sono. Já são 4:13 da manhã e eu estou aqui, escrevendo meus pensamentos com uma vela aromatizada acesa. Acho que o aroma é de eucalipto, mas não tenho certeza. Só sei que é bom. Ademais, deixarei postadas aqui estas reflexões e esperarei que sejam capazes de dar um nó na cabeça de quem as lê pela primeira vez.

Somente após isto - assumo o sadismo - estarei satisfeito.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

algum tipo de retorno obsessivo

Julho de 2015. Há pouco menos de quatro anos eu escrevi minha última postagem neste blog. Nesse tempo todo, eu não sei em qual momento eu me perdi. Se me perdi direta ou indiretamente. Se me perdi de forma simples ou composta ou se simplesmente me encontrei me perdendo.
Quando paro e penso em o quanto eu amo e amava escrever, eu imediatamente recordo que isso foi e continua sendo algo que sempre amei e venerei em mim. Uma característica, uma atitude. Um hobby perdido nos dias de hoje.
A vida mudou tanto!
Na verdade, alcançou o esperado. Me formei, trabalhei com TI, dei umas aulas aqui, outras ali, viajei pra cá e pra lá e no fim das contas acabei aonde comecei: em lugar nenhum. Comecei a namorar uma pessoa que mora do outro lado do mundo, descobri o que significa o amor (ou a ideia ilusória do que a paixão faz quando você não tem o que fazer) e através dessa pessoa aprendi muita coisa. Muita mesmo.
Aprendi a valorizar o próximo, a respeitar o nervosismo alheio, a correr atrás dos sonhos, a fazer o que se ama (Sim, ele sempre me incentivou a escrever. O erro maior foi meu de não voltar atrás com isso), a se planejar, a planejar o futuro consigo mesmo e/ou com alguém. Ele me ensinou a ter medo de arriscar quando se sabe o que pode perder e me ensinou a ter paciência com o tempo.
Nesses quatro tempos - caracterizando que cada ano que vivi foi um tempo da minha vida - vivi tempos opostos. O tempo onde a aceitação de minha sexualidade foi um problema, o tempo onde foi uma solução, o tempo que usei minha sexualidade pra me tornar uma pessoa libertina, o tempo em que odiei minha libertinagem, o tempo onde me preocupei com DSTs, o tempo onde o sexo se tornou menos recorrente na minha vida devido ao relacionamento a distância e agora estou no tempo onde não sei mais onde estou. Talvez daqui um tempo eu saiba o que representa meu momento de agora. Daqui um tempo...
Talvez daqui um tempo eu escreva um livro. Talvez daqui uns tempos eu decida, mesmo, correr atrás dos meus sonhos.

Briguei com pessoas.
Algumas foram, algumas ficaram e outras retornaram.
Entre essa linhagem de tempos, fui traído por quem eu considerava que era minha melhor amiga. Doeu muito e vai doer até novembro de 2016, quando meu nome se tornar limpo e sair do SPC Serasa e a dívida caducar. Quanto a isso, não me preocupo. Não tenho planos de ter nada até lá. Me pergunto mais com o fato, pra falar a verdade, de saber se em novembro de 2016 eu estarei escrevendo.
Briguei com amigos devido a inocência da vida, da idade e principalmente porque eu provavelmente não tinha nada melhor pra fazer. Pedi perdão, fui perdoado e me senti perdoado.
Fui sortudo! Não foi como qualquer outro tipo de pessoa que pede perdão mas no fundo sente o "te perdoo, mas não te quero mais na minha vida."
Tive a oportunidade de, depois de anos, retornar ao lado da pessoa que magoei com a cabeça erguida sem nada a esconder e sem interesse algum de fazer intrigas.
Briguei, recentemente, com quem eu considerava (ou considero, sei de mais nada) meu melhor amigo porque um abraço foi negado. Fiquei puto com isso. Puto mesmo. Puto a ponto de ferver os neurônios da minha cabeça e sair pras ruas em busca de qualquer coisa que aliviasse a humilhação, frustração, desprezo e ojeriza que senti. Mas passou, eu acho. Pelo menos na maior parte do tempo. Quando penso muito a respeito, ainda fico chateado. Mas pelo menos estou me esforçando para que passe sem que isso se torne assunto em mais um post.

Teve briga de família. Escândalos. Roubo de notebook, dinheiro, carteira, relógio, esqueiro, drogas.
Drogas! E depois de umas e tantas, passei a fumar maconha. E como eu usei. Uso, vai. Não vou ser mentiroso. Também não quero ser confundido, por favor, com qualquer drogado dependente químico. Este não sou eu.
Mas fumar maconha para escapar da realidade - ou para criar uma nova realidade, porque não? - é o que mais gosto de fazer. Antes da maconha veio bala (com misturas químicas que me fizeram perder uma lasca do meu dente), lança-perfume, cocaína, rivotril e acho que também usei um pouco de lexotan. Acho até que me comportei.

Não é por isso, entretanto, que estou escrevendo. Neste momento, estou jogando tudo o que passa na minha mente para o teclado. Reprodução automática de pensamentos incontroláveis. Escrevo o que sinto, sem sentir que estou escrevendo.

Eu gostaria de lembrar de lugares, pessoas, momentos e sentimentos. Biografar muitas coisas que passam na minha cabeça, mas acabo esquecendo. Quero escrever sobre meus sonhos mais bizarros.
Quero lembrar desta parte de mim que esqueci há quatro anos atrás. Quero lembrar o que é ter criatividade, o que é ter uma mente fértil. Sou pisciano, poxa! Quer algo melhor que isso? 
Preciso me conhecer novamente. Preciso me reconhecer. Pra ontem e também pro amanhã. 

Vamos ver por quanto tempo eu aguento.