quarta-feira, 11 de novembro de 2009

história #2 : morte

Faleceu minha tia-avó. Fiquei triste, ela era uma pessoa maravilhosa, feliz e com uma perspectiva de vida altíssima que não se abalava. Ela estava bem quando sentiu falta de ar e, em questão de cinco minutos - puft!
O coração parou de bater, parou de respirar. Parou. Fim. Porta fechada na cara, chegou a vez dela. Jesus veio salvar. Morreu, mêu bem!
Quando penso na morte penso nas coisas que eu deveria fazer antes que ela aconteça. É inevitável, eu sei. E todas as pessoas já estão cansadas de saber que daqui cinco, dez, vinte, cinquenta, sessenta anos elas vão morrer. Vai chegar a vez delas. Comigo não é diferente, sabe...
Essa semana eu estava dormindo e tive uma sensação horrível. Minha mãe uma vez me disse que o momento mais propício entre este mundo e o mundo espiritual é quando você está dormindo e acordado, naquele meio tempo que você começa a pensar besteira.
E tenho certeza que eu estava nesse meio tempo, porque senti como se meu peito estivesse sendo inflado como uma bexiga que você assopra. Senti uma sensação de desespero - não dor, desespero - porque eu não conseguia respirar e, pior, eu nem sabia respirar. Desaprendi. Nesse momento eu parecia flutuar com meu edredom e a cada vez que eu tentava aprender a respirar, parecia que eu flutuava mais ainda para o alto. Sei lá quanto tempo fiquei assim, mas logo o desespero passou e perdi o medo. Quando perdi o medo, voltei para minha consciência e a impressão que deu foi a de cair na cama.
Crente de que eu não fosse mais me reconhecer, respirei o ar como nunca. A respiração foi típica de quando você se afoga em uma piscina e chega a superfície, disperso na sua respiração automática gostosa que te recompõe em segundos.
Acho que a coisa que mais tenho medo nessa vida - além de me perder e esquecer quem eu sou - é morrer. Não porque eu vá para um lugar que eu não conheço, que eu vá para o mundo espiritual. Não porque eu possa reencarnar anos depois no corpo de alguém. Não porque vou virar "espírito" e ficar rodeando a terra pra ficar assombrando (ou não) os outros. Não tenho tanto medo do desconhecido.
Meu medo maior é não saber mais me reconhecer, independente do que venha a acontecer. É o medo de tudo me cegar num piscar de olhos. De eu deixar de existir.
Kaboom!
Medo do sumiço repentino - pior do que qualquer blecaute - onde somente sei que a única visão que vou ter não é nem um preto que enxergo quando os olhos estão fechados, até porque nem tem preto - assim como não tem nada. É o medo de não ter branco, não ter cor! Não ter cheiro, voz nem matéria. É o medo de perder os sentimentos. É o medo de encontrar tudo incolor e sem vida. Medo de encontrar o fim, onde provavelmente estarei arrependido por não ter dado o último sorriso de graça enquanto ainda ria dos meus problemas e vivia a vida reclamando dos amores, ao invés de chegar até eles e dizer o quanto valiam para mim e o quanto amei eles até a hora que eu não pude mais aguentar.

Um comentário:

  1. fiquei com medo do que aconteceu contigo ;S
    (...)
    por isso viva, mêu bem! soaokpsakosakospas
    Viva intensamente, sem medos, você não tem nada a perder... a não ser a vida!

    Beijos (L)

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