segunda-feira, 9 de novembro de 2009

história #1

Olha, eu sei que não sou o filho perfeito. Sei que não trago tantos orgulhos como eu deveria trazer, sei que eu magoo muito mais fácil do que trago felicidade; mas é assim que eu sou. Eu não percebo. Pra falar a verdade, eu tenho medo. Medo de me perder e medo de não saber me aceitar de verdade. Medo de meus pais tentarem restringir minha personalidade e medo de que eles não estejam lá quando espero que estejam.

Sabe, é fácil pra uma pessoa julgar o comportamento de outra quando sabe que esta está errada. O difícil é essa pessoa se olhar no espelho e perceber que, mesmo que ela não saiba, ela traz decepções. Ela magoa. Deixa triste e esquece de ver o lado positivo das coisas.

Isso foi o que aconteceu comigo nesse fim de semana. Sabe, projeto de escola não tem nada de novo pra acontecer. Foi uma conquista - que eu não tive prazer em ter conquistado, é fato! - mas mesmo assim foi um acontecimento e eu quis deixar claro quem eu queria ao meu lado. Eu tentei e eu chamei. Juro. E foram!
Isso foi bom, mas o que não me agradou foi um chilique repentino do meu pai por ele ter supostamente me visto "dançar" rebolando entre dois meninos. Tenha a santa paciência!

Esse preconceito vai matar ele e vai acabar me sufocando também. Quando fiquei sabendo disso, não pude aguentar o nó da gravata rosa/lilás/roxa ou sejaláquecoraquelamerdaera e simplesmente quis fugir! Fugir dos problemas, fugir desse projeto, fugir daquela escola que deveria estar me proporcionando os últimos momentos prazerosos e fugir dos amigos que deveriam estar me salvando. Ver minha mãe com lágrimas nos olhos me partiu em três esferas; me desconcertou mas, ao mesmo tempo, eu vi nos olhos dela a vontade de me entender/defender e de compreender que meus problemas com ele estão apenas começando. Se estou errado, eu não sei.

Não tiro o direito dele de se decepcionar (mesmo que eu não entenda) da mesma forma que eu não tiro o meu, afinal ele nem ao menos quis me ver.
Agora fica com graça e evita falar comigo. Me responde com palavras monossílabas e faz o maior de esforço pra não precisar de mim.
Quando fala, é grosso e só fala o que precisa falar. Quando quero puxar assunto, ele responde dando a entender que não quer falar comigo. Quando pergunto se ele tem ódio, ele fala que isso é um absurdo e que um pai jamais deveria ter ódio do filho. Quando eu preciso, parece ser um esforço. Quando ele precisa, pareço ser obrigação. Quando penso que estou começando a ficar bem com ele, esse maldito preconceito volta e quebra todas as barreiras que outrora quisemos criar.

Depois ele vem, fala que em casa não somos uma família e que "deve ter algo de errado com ele". Não vou desmentir ele por completo, mas tem algo de errado sim e essa família não deveria fazer muitas coisas que faz. Me incluo, sou errado também. Mas quer saber? Eu tento mudar quando acho que estou errado, enquanto ele somente cobra por coisas que ele não cumpre também. Ele exige atitudes que ele não tem...

Como se pode exigir companheirismo se o membro maior e mais exemplar da casa foge de você e não te reconhece quando você mais precisa que ele esteja lá, mesmo que seja pra dizer um simples "parabéns"?
Como lidar com essa imagem e com os problemas que o mundo de fora vai te trazer, quando na verdade você precisava de sua família pra te dar apoio com isso?
O que fazer quando você mescla todos os problemas e junta tudo em uma coisa só?

Família, em meu conceito, existe pra te dar lar, paz, refúgio consolo e principalmente pra te curar e proteger de todos os problemas que o mundo de fora faz você enfrentar... E ela é assim, eu sei!
Mas não nego.
Eu me confundo.
Quem vai me proteger se meu problema maior está dentro de casa?

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