Não existe nada melhor – ou pior – do que se sentir inovado em sua própria casa. Sua feiúra bota sentido na tua cara pálida e você sai por aí corando, com medo de dar um tropeço e com medo principalmente de ficar parecido com um palhaço perdido.
Hoje foi mais ou menos assim. Sabe aquele típico domingo chuvoso que ninguém quer ficar em casa? Então, olha que delícia. Fiquei em casa – depois de ter passado a noite em uma das piores baladas que já fui. Quer dizer, pelo menos não tocou funk. As músicas eram boas.
Esse não é o ponto e eu nem sei como chegar até ele. Hoje eu tive aquela conversa que há tempos eu sabia que teria, mas, mesmo sabendo que uma hora ela chegaria, nunca ao menos tive um tempo pra pensar em como tratá-la.
Ok, não vou mentir. Tive tempo sim. Mas eu não sabia como pensar, eu não sabia nas melhores palavras pra dizer. De vez em quando a verdade é tão crua, vil e cruel que a mentira soa mais fácil. Não sou eu, é o mundo. E isso é fato. E desse fato, fiz um ato.
Consumi tudo aquilo que fiquei segurando pelas últimas semanas pra transformar em uma mentira. Uma mentira que me faria feliz, que faria o receptor mais ditoso e o daria calmaria. Transformei tudo em uma mentira marcada por uma lágrima de tristeza e rancor.
Uma vez ouvi falar que a felicidade não aparece se você sair procurando por ela. Ela vem somente se você limpa sempre a sua casa e prepara a cama para ela. Mesmo que ela não bata o cartão no fim da noite, você tem que preparar tudo com todos os sorrisos. Você tem que deixar a água na cabeceira da cama e fazer com que ela apareça.
Tolo quem acredita que a felicidade bate na sua porta sem você precisar fazer nada. Existem outras pessoas também que a querem tanto quanto você e essas pessoas talvez estejam se esforçando mais para conseguir conquistar a felicidade. Se tiver uma fila, em algum lugar você está.
Não é o tipo de fila convencional que você pega a senha e espera sentado enquanto lê um livro. É o tipo de fila que você faz um livro enquanto pensam que você está sentado. É a fila da esperteza, da luxúria e dos sete pecados capitais.
É aqui onde você passa a perna nas pessoas para que elas saibam que você não está brincando.
Independente disto, você faz sujeira. Você acha que se apaixona. Você diz “te amo” como quem diz bom dia e gosta disso. Você acha que encontra o amor sem perceber que quem realmente te encontra é ele.
E não vou mentir não, você é tolo por pensar que a vida é tão simples como parece. Você é tolo por pensar que conta-se uma vida com uma coletânia de discos maravilhosos e com músicas que te fazem chorar. Tolo por achar que sabe dançar, por achar que ser feliz é contemplar o que lhe falta e não o que tem.
Você seria tolo se não soubesse viver. Viva, mesmo que pra isso você tenha que recriar o útero que te suportou por nove meses. Recrie em outros termos aquilo te preparou para os anos subsequentes.
Não tenha pressa, uma hora você vai conseguir ser feliz. Ainda que demorem dez, vinte anos ou que você apenas encontre a felicidade quando faltar pouco tempo pra você morrer, vai valer à pena encontrá-la.
Ria sem motivos, mesmo que sozinho no silêncio da noite. Nem ao menos vai perceber a poesia de tudo o que você vive.
E o mais óbvio: não se intimide, continue dizendo que se ama. E que ama.
Te amo é melhor que bom dia.
CHOQUEI :O
ResponderExcluiradorei o post *---*
principalmente essas frases finais:
" E o mais óbvio: não se intimide, continue dizendo que se ama. E que ama."
muito lindo *---*
se cuida querido, saudades (L)