Porque assim que você vier, todo o resto que está me provocando vai ser obrigado a ir. Tudo fica mais fácil quando não tem controle por perto. Disso não tenho o que reclamar, não tenho controle nenhum. O que acontece é eu me sentir controlado por uma linha visível, um cabo de aço; um medo que me aflinge e que me expulsa de minhas próprias orações e que faz com que elas pareçam impulsos previstos em uma mesa de jantar.
A minha vontade é meio estranha, não é compatível com a vontade que as outras pessoas sentem. Eu quero atacar o celular na parede, falar palavrões para criancinhas, dar tapas na cara de pessoas inúteis e gritar no meio da rua pra ver se eu consigo ser ouvido, se consigo pelo menos em um parte dizer que todo o "sozinho por você" vai ser ouvido também; quero voltar para uma vida.
Não dou conta disso! Eu não consigo mais nem dar conta de minha imaginação, visto que a cada dia que passa ela está em um lugar diferente do mundo. Ela - a minha mente - é mais viajada do que o papa e provavelmente mais rodada do que prostituta de esquina; ela tem vida própria, ela não me obedece. Não me deixa escrever aquilo que quero realmente escrever porque nem eu aceito as ideias que nem se formaram na minha cabeça.
Eu quero cantar, escrever outra música. Quero dizer te amo colado no ouvido, assoprar quente no pescoço pra ver o eriço de alegria. Quero falar o quão importante todos esses anos foram pra mim e quero me despedir deles da forma mais inapropriada possível.
Almejo sumir. Desaparecer com meu coração e, se for possível, escondê-lo em uma luva que o aqueça como ele nunca - ou quase nunca - esteve antes.
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