Julho de 2015. Há pouco menos de quatro anos eu escrevi minha última postagem neste blog. Nesse tempo todo, eu não sei em qual momento eu me perdi. Se me perdi direta ou indiretamente. Se me perdi de forma simples ou composta ou se simplesmente me encontrei me perdendo.
Quando paro e penso em o quanto eu amo e amava escrever, eu imediatamente recordo que isso foi e continua sendo algo que sempre amei e venerei em mim. Uma característica, uma atitude. Um hobby perdido nos dias de hoje.
A vida mudou tanto!
Na verdade, alcançou o esperado. Me formei, trabalhei com TI, dei umas aulas aqui, outras ali, viajei pra cá e pra lá e no fim das contas acabei aonde comecei: em lugar nenhum. Comecei a namorar uma pessoa que mora do outro lado do mundo, descobri o que significa o amor (ou a ideia ilusória do que a paixão faz quando você não tem o que fazer) e através dessa pessoa aprendi muita coisa. Muita mesmo.
Aprendi a valorizar o próximo, a respeitar o nervosismo alheio, a correr atrás dos sonhos, a fazer o que se ama (Sim, ele sempre me incentivou a escrever. O erro maior foi meu de não voltar atrás com isso), a se planejar, a planejar o futuro consigo mesmo e/ou com alguém. Ele me ensinou a ter medo de arriscar quando se sabe o que pode perder e me ensinou a ter paciência com o tempo.
Nesses quatro tempos - caracterizando que cada ano que vivi foi um tempo da minha vida - vivi tempos opostos. O tempo onde a aceitação de minha sexualidade foi um problema, o tempo onde foi uma solução, o tempo que usei minha sexualidade pra me tornar uma pessoa libertina, o tempo em que odiei minha libertinagem, o tempo onde me preocupei com DSTs, o tempo onde o sexo se tornou menos recorrente na minha vida devido ao relacionamento a distância e agora estou no tempo onde não sei mais onde estou. Talvez daqui um tempo eu saiba o que representa meu momento de agora. Daqui um tempo...
Talvez daqui um tempo eu escreva um livro. Talvez daqui uns tempos eu decida, mesmo, correr atrás dos meus sonhos.
Briguei com pessoas.
Algumas foram, algumas ficaram e outras retornaram.
Entre essa linhagem de tempos, fui traído por quem eu considerava que era minha melhor amiga. Doeu muito e vai doer até novembro de 2016, quando meu nome se tornar limpo e sair do SPC Serasa e a dívida caducar. Quanto a isso, não me preocupo. Não tenho planos de ter nada até lá. Me pergunto mais com o fato, pra falar a verdade, de saber se em novembro de 2016 eu estarei escrevendo.
Briguei com amigos devido a inocência da vida, da idade e principalmente porque eu provavelmente não tinha nada melhor pra fazer. Pedi perdão, fui perdoado e me senti perdoado.
Fui sortudo! Não foi como qualquer outro tipo de pessoa que pede perdão mas no fundo sente o "te perdoo, mas não te quero mais na minha vida."
Tive a oportunidade de, depois de anos, retornar ao lado da pessoa que magoei com a cabeça erguida sem nada a esconder e sem interesse algum de fazer intrigas.
Briguei, recentemente, com quem eu considerava (ou considero, sei de mais nada) meu melhor amigo porque um abraço foi negado. Fiquei puto com isso. Puto mesmo. Puto a ponto de ferver os neurônios da minha cabeça e sair pras ruas em busca de qualquer coisa que aliviasse a humilhação, frustração, desprezo e ojeriza que senti. Mas passou, eu acho. Pelo menos na maior parte do tempo. Quando penso muito a respeito, ainda fico chateado. Mas pelo menos estou me esforçando para que passe sem que isso se torne assunto em mais um post.
Teve briga de família. Escândalos. Roubo de notebook, dinheiro, carteira, relógio, esqueiro, drogas.
Drogas! E depois de umas e tantas, passei a fumar maconha. E como eu usei. Uso, vai. Não vou ser mentiroso. Também não quero ser confundido, por favor, com qualquer drogado dependente químico. Este não sou eu.
Mas fumar maconha para escapar da realidade - ou para criar uma nova realidade, porque não? - é o que mais gosto de fazer. Antes da maconha veio bala (com misturas químicas que me fizeram perder uma lasca do meu dente), lança-perfume, cocaína, rivotril e acho que também usei um pouco de lexotan. Acho até que me comportei.
Não é por isso, entretanto, que estou escrevendo. Neste momento, estou jogando tudo o que passa na minha mente para o teclado. Reprodução automática de pensamentos incontroláveis. Escrevo o que sinto, sem sentir que estou escrevendo.
Eu gostaria de lembrar de lugares, pessoas, momentos e sentimentos. Biografar muitas coisas que passam na minha cabeça, mas acabo esquecendo. Quero escrever sobre meus sonhos mais bizarros.
Quero lembrar desta parte de mim que esqueci há quatro anos atrás. Quero lembrar o que é ter criatividade, o que é ter uma mente fértil. Sou pisciano, poxa! Quer algo melhor que isso?
Preciso me conhecer novamente. Preciso me reconhecer. Pra ontem e também pro amanhã.
Vamos ver por quanto tempo eu aguento.
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