Hoje é dia 05 e minha mente está voltando alguns dias e algumas horas atrás, para o dia 31 umas 23h50. Imagine-se na frente da praia, tentando se afastar de seus amigos.
Aí você fecha o olho e se concentra apenas naquilo que consegue ouvir. A música alta, as pessoas gritando, conversando, rosnando, vomitando e fazendo todos os barulhos que conseguem e que também não conseguem fazer. Ouve champanhes e espumantes sendo estourados, ouve gritos de "feliz ano novo" antes da meia noite e olha pro lado. Você pensa que é muita coisa, mas na verdade não é nem o começo. Você quer ficar descalço, mas a praia está um nojo. Cacos de vidro podem furar o seu pé e a areia e o álcool das bebidas vão fazê-lo arder loucamente.
Então você olha pro lado e vê pessoas, muitas pessoas. Pessoas tristes e felizes. Solteiras e acompanhadas.
Vê tudo o que quer e o que também não se importa em ver. Você vê beijos loucos, você vê bundas sendo apertadas e olha, talvez até sem entender, muita coisa que achou que nunca veria.
Você olha pra frente e antes mesmo da meia noite bater no relógio e a hora zerar completamente, você já vê gritos histéricos de pessoas anunciando o ano que vai mudar a vida delas.
"Ano novo, vida nova!"
2000 é 10.
Olha para o lado e vê os amigos. Dois casais, um pra terminar e outro pra casar.
O que termina vai terminar porque eles não tem como dar certo, apesar de terem apenas quatro meses de relacionamento.
O outro, que está para casar, apenas sorri. Se beijam loucamente e você percebe que ali, naquele exato momento, os dois sabiam exatamente que aquele era o lugar que eles queriam e deveriam estar. "Eu amo você" deve ter rolado às soltas ali e mais promessas de mais anos juntos deve ter acontecido. Você fica feliz por ver seus amigos felizes.
Você tenta dar um abraço de ano novo nos dois casais e não consegue... Percebe que não é o único, que ainda tem outro amigo que está sozinho tentando dar algum sinal de vida. Este, não obstante, aparenta não se importar tanto com isso. Sua vontade mais é beber como um louco e acordar na cama de alguma pessoa desconhecida com a bunda ardendo de dor.
Por pouco não desejei isso.
Voltando ao tudo, a visão que os olhos veem é bonita. Ao longe, só se vê fogos. Coloridos e artificiais. Vermelho, branco, amarelo, laranja, rosa, verde, azul, roxo e lilás. Você percebe outras cores que não conhece também, mas que parecem com alguma coisa que você já viu.
O barulho estoura na sua mente e você só ouve explosões de comemoração, sejam elas das pessoas ao seu redor ou do barulho dos fogos de artifício. Foguetes voam loucamente por todos os lados e o brilho dourado e prateado jorra do chão e aparentemente do céu também. A imagem é linda e o som assustador.
Você sente o coração bater mais forte e vê que dentro de você a adrenalina corre solta, muito embora você não esteja se arriscando.
Aquilo pode até não te corroer inteiro, mas mexe com sua mente. Você chora. Chora por não saber o que fazer, por não saber aceitar que a vida está passando e chora principalmente por que não soube aproveitar as oportunidades que teve até agora.
Você chora de saudades da família. Você chora porque você ama alguém e essa pessoa não está lá. Você chora porque não conseguiu alcançar as promessas que falou que cumpriria neste ano. Chora porque algumas alcançou e se sente forte por isto.
Você chora porque se fragiliza.
Você descobre que tem muitos sonhos. Você quer fazer novas promessas, mas tem medo de esquecer de lutar pelas antigas.
Tudo vira uma coisa só. Uma bola de neve.
De perto você vê a praia sem ondas, então não dá pra dar sete pulos. Que sejam imaginários!
Você nem ao menos pensa na possibilidade de citar seus sete desejos em voz alta porque não quer comprometê-los, pois alguém poderia ouví-los e
Volta de costas pro mar.
A tradição é voltar de frente pro mar, então os desejos são inválidos. Você perdeu sete chances. Sete chances de desabafar pro nada, sete chances de fingir que tudo vai ficar perfeito. Sete chances de ter um apoio pra acreditar que você pode ser melhor, que você pode realmente aprender mais e mais.
A dor estremece e o medo aparece.
Ao voltar, você olha para a frente. Você vê muitas pessoas, incontáveis pessoas. E se sente sozinho.
De 23h50 até 00h10 você passa vinte minutos. Rápidos minutos.
E nos bastidores do seu próprio tempo, sua vida passa espelhada e se espelha no que você nunca foi. Seus sonhos afloram e por trás de todas as lágrimas de agonia e alegria, a marca de uma lágrima cai e nos seus olhos ficam somente a vontade de continuar a viver uma vida que não para mas que ainda tem um fim.
queria ter ido na praia no reveillon, nem rolou, fica pra próxima,
ResponderExcluirsabe q as vezes tá nuns momentos tipo esses é o melhor?
Só encontrei um problma no seu texto...
ResponderExcluirele me deixou sem palavras...
não é bem um problema...
O modo como você descreve cada coisa que acontece no momento, como coloca os sentimentos que são despertados pelas corews, pelo que você vê, pelo que você lembra, pelo que você queria...
Tudo, cada palavra me tocou profundamente. Seu texto tem sinceridade, e a maneira como descreveu os sentimentos...
tenho que admitir que quando disse que as lágrimas afloram em seus olhos, os meus se encheram de lágrimas também, pois este é um texto que me tocou profundamente.
Muito bonito! amei!
mais mais chato nisso tudo e ter que escutar feliz ano novo antes da hr , pessoas que nunca te viram ou certas pessoas que nunca te tratam bem na hr parece que tu ganhou na megasena,um monte de gente pisando no pé , e pelo amor de Deus tem uns abraços put´s pelo menos na virado do ano seria legal comprar um desodorante.
ResponderExcluirGostei do estilo de analisar as coisas...
ResponderExcluir"álcool das bebidas vão fazê-lo arder loucamente." Achei exagero... rs
http://meu-manifesto.blogspot.com
aheaueha, "Vou falar de um modo mais gayzinho e emocional" ADORONN PERIGOON!
ResponderExcluirLá em salinas, a onda subiuu d+++, tava pra da altos pulos!
hehehe
feliz 2010!