quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

atórom amigo secreto #part[2]

"Geeenteee, estamos aqui!!! Venham pra cá, suas pragas impotentes! TOOOOOOOOOOM! CLAAAU!!! CAARLOOS!!!! RENAAAAAAAAAN!!!! Venham pra cá", gritava a trupe que já estava no restaurante. Adoro gritar! Adoro. Eu já estava na minha terceira pepsi quando fomos encontrados. Oi.
Neste mesmo instante em que fomos encontrados, os pobres da mesa anterior começaram a sacar os palitos de dente do bolso e a fazer as outras pessoas passarem vergonha. Desculpem pelo preconceito, mas não pude deixar de notar a unha preta. Deduzi: borracheiro, mecânico ou pedreiro. Tremi de medo e senti que o chefe deles também estava com medo. Era evidente quem era o mestre: um alemão quarentão gatão que eu pegaria, sem dúvida nenhuma, se eu estivesse bêbado e me drogado com pelo menos uns quinze quilos de pó. Mas como sou feliz, fiz o Fábio Assunção e disse não a esse precipício sem volta.Voltando ao que importa: acho que o nosso único amigo bonito de 40 anos estava preocupado porque a cambada acabaria com o seu dinheiro tão soado. Os pobres estavam acabando com a cerveja da churrascaria, teve uma criatura que inclusive levou o filho pra almoçar. Oi maldade! Ele - o chefe maior - me olhou com cara de tristeza e instantaneamente percebi que ali não era o seu lugar.
Ele era destinado a fazer algo melhor no mundo.Com medo no corpo e algo prendendo a minha tensão, almocei com receio de ser assaltado. Vale ressaltar que já houveram quatro tentativas de assalto comigo antes. Duas sucessivas.
Primeira: quando eu tinha 14 anos, um menino com idade pra ser meu filho tentou roubar minha bicicleta. Empurrei ele contra a padaria e ele quase caiu em cima dos frangos que ficam sendo leiloados na entrada delas. Corri com medo. Adoro
.
As outras três foram recentes.
Segunda: estava saindo de casa e indo comprar um passe pra ir pra escola. Um amigo bonito apareceu e roubou meu óculos com 0,75 grau de miopia em cada lado. Até hoje me pergunto a utilidade daquele furto. Ele provavelmente jogou meu Gabbana de R$680,00 na primeira cesta de lixo que encontrou, porque ele provavelmente deve ter pensad
o que "Gabbana" era o nome de algum lustra-móveis que a vadia da mãe dele passava em casa. Adoro. +1
Terceira: essa vez eu sinceramente não sei porque não cedi. Eles queriam meu celular, um V3 na época. Ele já tava fodido mesmo e eu deveria de fato ter entregado. Isso foi em cima de um viaduto às 20hs da noite. Não me perguntem o que eu fazia lá porque eu também não sei, acredito que tenha sido algum tipo de maldição divina que caiu sobre minha auréola. Fui empurrado contra a parede e achei que aquele casal de homens fortes e de cores marcantes iriam tentar abalar minhas habilidades sexuais. Me ralei um pouco, o suficiente pra eu pedir socorro para a primeira pessoa que apareceu na rua. Fui socorrid
o. Glória. Adoro. +2
Quarta e última: Acho digna a entrada de um sh
opping, ela me dá a doce e alegre ilusão de poder e de que eu posso entrar lá e adquirir exatamente tudo o que eu quiser. Em sua entrada, fui assaltado. "Passa o celular, mano", foi o que eles disseram. Eu não passaria meu V3 fodido, mas desta vez não pude resistir. Minha vida era valiosa demais para eu lutar contra uma arma.
Fui obrigado a olhar a faca.


Estas são minhas histórias de assalto. Não tive motivo nenhum para contar, mas contei simplesmente porque na hora em que vi a classe baixa dando uma de feliz no restaurante quase-classe-média, lembrei de todas essas histórias e que eu tenho uma vida por trás de tudo aquilo. Lembrei que tenho três cachorros em casa, que tenho irmãos, pai e mãe que me amam. Tenho tios, tias e uma pessoa que não tá nem aí pra mim mas eu tô aí pra ela. q. Lembrei que ainda faltava muito pra eu morrer e que, se fosse preciso, eu lutaria com todas aquelas forças negativas para ganhar minha liberdade e ser feliz longe daquelas pessoas que arrancavam quilos de carne com um único palito de dente e que babavam cerveja enquanto falavam do corinthians e de xanas que provavelmente já estavam secas.
Antes que eu pudesse terminar o pai nosso e pegar minha fac
a de ataque, olhei para trás e percebi que eles haviam ido embora. Fiquei feliz. Afinal, me livrar daquele grupo era minha nova perspectiva de vida. É por esse tipo de gente que acho que o mundo acaba em 2012, que vejo algum tipo de sentido na profecia Maia.
Uma vez em paz, conseguimos dar procedimento em nosso almoço fraterno. Houve boatos de que no meio do caminho o Tom havia realmente descoberto seu talento de trabalhar em novelas gays e isso realmente instigou o instinto perigoso da Claudete. Uma vez que o almoço se finalizou, pegamos todas as nossas coisas estranhas e nos jogamos pra cima, afim de começar a famosa entrega de presentes.

*continua.

Um comentário:

  1. " Tom havia realmente descoberto seu talento de trabalhar em novelas gays e isso realmente instigou o instinto perigoso da Claudete"
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Menino, o senhor não existe!!!
    Adoreii, anciosa para o desfeiche dessa história.

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