terça-feira, 25 de agosto de 2009

Piano

Se você não sabe como entrar em equilíbrio, tampouco saberei. Vou sair por aí imitando o som dos animais e falar que esse som é música. O piano, ao contrário de tudo o que pode parecer, é um dos instrumentos que mais mexe com o interno. Ele percorre pelas minhas espinhas e, por formar um som tão agradável que eu não consigo entender sua complexidade – ou sua interioridade, porque pra mim, o piano não é simplesmente o “piano” – ele tem uma acepção que é de tirar o fôlego.

Tem gente que chora por ouvir a música, tem gente que chora porque não consegue ouvir, tem gente que chora porque entende e tem gente que simplesmente sorri porque vê graça na coisa mais indistinta que ela tem. Transformou-se em uma máquina liberal, onde o piano não é mais do que o som obrigatório de alguém que quer ouvir música.

Mas até aí, os momentos e as emoções são escolhidas individualmente. Não sei, na verdade, até onde que quero que o piano envolva minha vida, pois se eu me deixar ser dependido por ele, vou virar uma matéria orgânica e acabar por ser uma composição. São uns arranhões que fazem com que ele se torne importante e tão incrível pra quem vive no futuro.

E é como um piano famoso diria: ninguém dá risada do pobre com frio, das ligações pra dizer “te amo” e das crianças que não voltam da festa sem dizer Adeus.

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